ONU lançará a Década sobre Desertos e de Combate à Desertificação

9 de agosto de 2010

O lançamento será feito durante abertura da ICID+18, dia 16 vde agosto, no Centro de Convenções.

 

O secretário-executivo da Convenção de Combate à Desertificação da ONU (UNCCD), Luc Gnacadja, lançará em Fortaleza, no próximo dia 16, na abertura da Segunda Conferência Internacional sobre Clima, Sustentabilidade e Desenvolvimento em Regiões Semiáridas (ICID+18), a Década sobre Desertos e de Combate à Desertificação. A iniciativa visa promover uma discussão mundial até 2021 na busca de alternativas para a redução dos impactos ambientais nos ecossistemas do semiárido e da desertificação no planeta. A ICID será realizada até o dia 20 no Centro de Convenções e Unifor.

 

“Será uma década de discussões, debates e buscas de soluções para os problemas enfrentados por muitos países no mundo”, disse Luc Gnacadja, que esteve em maio no Ceará e visitou Canindé com o diretor do ICID+18, Antonio Rocha Magalhães. A ICID terá, no dia 17, uma sessão plenária com as três Convenções das Nações Unidades relacionadas ao meio ambiente – a de Combate à Desertificação, a de Biodiversidade da Biologia e a de Mudanças Climáticas – e o Itamaraty.

 

Um dos objetivos da ICID é explorar sinergias entre as Convenções das Nações Unidas no que concerne ao desenvolvimento de regiões semiáridas. A ICID+18 é uma conferência preparatória para a Rio+20, que acontecerá no Rio de Janeiro em 2012 e debaterá temas ligados ao meio-ambiente em todo o mundo. A primeira ICID, realizada em 1992, também no Ceará, serviu como base para discussões da Eco-92, realizada no Rio.

 

O lançamento faz parte dos esforços para conter o acelerado processo de desertificação enfrentado por mais de 100 países e para mitigar os impactos do aquecimento global em regiões áridas e semiáridas do planeta. Ministros do Meio Ambiente de seis países prestigiam o lançamento global da Década – os do Brasil, da Suíça, do Niger, de Burkina Faso, do Senegal e de Cabo Verde, além do governador do Ceará, Cid Gomes, do coordenador da ICID 2010, Antônio Rocha Magalhães, e diversas autoridades envolvidas na agenda de combate à desertificação.

 

A Conferência visa reunir participantes do mundo inteiro para identificar e focalizar ações nos desafios e oportunidades que enfrentam as regiões áridas e semiáridas do planeta. Visa ainda atualizar o conhecimento sobre assuntos concernentes a essas regiões nos últimos 20 anos: aspectos ambientais e climáticos (variabilidade e mudanças), vulnerabilidades, impactos, respostas de adaptação e desenvolvimento sustentável e gerar informações para subsidiar governos e a sociedade com o objetivo de melhorar a sustentabilidade econômica, ambiental e social de regiões semiáridas.

 

A Década das Nações Unidas sobre Desertos e de Combate à Desertificação pretende ser um marco de conscientização sobre as dimensões alarmantes da desertificação em todo planeta, e de cooperação entre os países desenvolvidos e em desenvolvimento, e entre os setores público, privado e sociedade civil, na elaboração de políticas de prevenção e de adaptação às mudanças climáticas nas áreas consideradas de risco. A UNCCD considera áreas com risco de desertificação as zonas áridas, semi-áridas, subúmidas, e todas as áreas – com exceção das polares e das subpolares – com Índice de Aridez entre 0,05 e 0,65. Se encontram nesta faixa 33% da superfície do planeta, onde vivem cerca de 2,6 bilhões de pessoas.

 

Na região Subsaariana, na África, de 20% a 50% das terras estão degradadas, atingindo mais de 200 milhões de pessoas. A degradação do solo é também severa na Ásia e América Latina, onde mais de 357 milhões de hectares são afetados pela desertificação, segundo dados da UNCCD. Como resultado desse processo perde-se a cada ano, nos 11 países da América Latina, 2,7 bilhões de toneladas da camada arável do solo, o que equivale a um prejuízo de US$ 27 bilhões por ano.

 

Custo elevado – Segundo um estudo sobre os custos da desertificação na América Latina, conduzido pelo representante da UNCCD na América Latina, Heitor Matallo, mesmo considerando que a metodologia existente para a avaliação econômica deve ser aperfeiçoada, a fim de oferecer dados mais precisos, as estimativas das perdas em solos e recursos hídricos representam uma enorme perda econômica que afeta milhões de pessoas e contribui para a pobreza e a vulnerabilidade social.

 

No Brasil, onde mais de um milhão de quilômetros quadrados é afetado pela desertificação nos estados do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo, o custo das perdas de solo e de recursos hídricos chegam a US$ 5 bilhões por ano, o equivalente a 0,8% do Produto Interno Bruto (PIB), e afetam negativamente a vida de mais de 15 milhões de pessoas. Caso a previsão mais pessimista se confirme – de que a temperatura do planeta suba mais de 2 graus célsius -, até 2100 o País poderá perder até um terço de sua economia.

 

Assessoria de Imprensa da ICID+18:

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