Nota técnica chama atenção para cuidados com bactéria KPC

26 de outubro de 2010

No Ceará, este ano, há 150 casos suspeitos de contaminação pela bactéria KPC acumulados de janeiro até esta segunda-feira, 25 de outubro, sem nenhum registro de óbito. É o que informa a Nota Técnica sobre Cuidados Preventivos contra a Infecção pela Bactéria Klebsiella pneumoniae carbapenemase, elaborada e divulgada pela Coordenadoria de Promoção e proteção à Saúde da Secretaria da saúde do Estado e pelo Comitê Estadual de Controle de Infecção em Serviços de Saúde. A nota alerta os profissionais de saúde e às pessoas que acompanham e visitamos doentes nos hospitais sobre a necessidade de higienização das mãos com água e sabão ou álcool gel. Veja abaixo a nota na íntegra:

 

Nota Técnica sobre Cuidados Preventivos contra a Infecção pela Bactéria KPC

 

A Klebsiella pneumoniae carbapenemase (KPC) é uma infecção hospitalar que acomete, principalmente, pacientes muito debilitados, imunodeprimidos e que passam muito tempo internados em leitos de UTI e com uso prolongado de antibióticos de amplo espectro.

 

Entre 2009 e 2010 já foram relatados casos nos hospitais de Espírito  Santo(3), Goias(4), Minas Gerais(12), Santa Catarina(3), Distrito Federal(157) e São Paulo(70). No Ceará, desde janeiro de 2010, temos 150 casos suspeitos, sendo 60 em 06 Hospitais Públicos Terciários, que significa, cerca de 01 caso suspeito por mês em cada hospital, e 90 em 10 Hospitais Privados, o que significa também 01 caso suspeito, em média, por mês, em cada unidade  hospitalar. Não temos registrado concentração temporal (período) e espacial (hospital) de casos e,  portanto, não temos surtos desta bactéria em nosso Estado. Não constam óbitos confirmados por esta bactéria até o dia 25 de outubro de 2010. Temos material biológico (sangue, urina, lavado bronco-alveolar) de 23 pacientes que, em sua grande maioria, já tiveram alta, e este material foi enviado para Laboratórios de Referência Nacional públicos e privados, a fim de realizar o teste padrão e definitivo de Biologia Molecular, que confirmará ou descartará os casos suspeitos.

 

A Secretaria de Saúde do Estado do Ceará, através da Coordenadoria de Promoção e Proteção à Saúde e do Comitê Estadual de Controle de Infecção em Serviços de Saúde (CECISS), diante dos potenciais riscos de contaminação desta bactéria e de outras bactérias multirresistentes a antibióticos, alerta os diretores de hospitais para a intensificação das seguintes medidas preventivas, baseadas nas orientações da ANVISA/MS e OMS:

 

1. Os profissionais de saúde devem higienizar as mãos frequentemente, de preferência com preparações alcoólicas, especialmente nos seguintes momentos: antes e após contato com o paciente, antes da realização de procedimentos invasivos, após risco de exposição a fluidos corporais e após contato com superfícies próximas ao paciente. Os acompanhantes e visitantes também devem ficar atentos a este cuidado de higienizar as mãos frequentemente.

 

2. Isolamento de contato
Quando houver suspeita de que um paciente é portador de KPC ou de outras bactérias multirresistentes a antibióticos, devem ser tomadas as seguintes providências de isolamento: constar aviso no leito da suspeita de ser portador de bactéria KPC ou outra multirresistente, indicando o isolamento de contato disponibilizar EPI (avental, luvas e máscara cirúrgica) para profissionais de saúde e acompanhantes; exclusividade no uso de equipamentos para exame clínico (tensiômetro, termômetro, estetoscópio etc.), só utilizando-os em outros pacientes após desinfecção e/ou esterilização; higienização das mãos.

 

3. Uso racional de antibióticos
As Comissões de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH) devem estabelecer normas claras de uso racional de antibióticos para infecções hospitalares em seus respectivos nosocômios e serem rigorosos em sua liberação. Devem orientar e vetar o uso de antibióticos quando há apenas colonização de bactérias sem infecção aparente.

 

4. Procedimentos invasivos
Os procedimentos padrões no uso de cateteres, punções venosas, sondas e outras condutas invasivas devem seguir a técnica correta de implantação com menor tempo possível de permanência.

 

5. As Diretorias Clínicas dos hospitais devem intensificar as boas práticas nas áreas de nutrição, laboratório, lavanderia, esterilização, limpeza hospitalar e gerenciamento de resíduos, tomando com base os relatórios da Vigilância Sanitária do Estado para o gerenciamento de risco.

 

6. Os hospitais que possuírem casos de KPC em sua instituição devem notificar os dados ao CECISS, constando: identificação do paciente (iniciais, idade, sexo, número de prontuário), identificação do sítio de infecção, material microbiológico, antibiograma, método utilizado, data em que o exame foi realizado, local onde o exame foi processado e evolução do paciente, para o email: ceciss@saude.ce.gov.br.

 

As Vigilâncias Sanitárias Municipais devem intensificar a fiscalização em farmácias para que se cumpra a nova RDC da Anvisa, que exige a retenção de uma cópia da receita médica da prescrição de antibiótico, proibindo a dispensação do antibiótico sem receita médica, com o prazo de adequação de 30 dias.

 

A Secretaria de Saúde do Estado do Ceará vai disponibilizar, em novembro de 2010, 3.000 cartazes para as unidades de saúde sobre a higienização correta das mãos; realizará o I Seminário de Resistência Microbiana em dezembro de 2010 para infectologistas, microbiologistas, intensivistas e profissionais de nível superior que atuem em CCIH; publicará, ainda este ano, o Manual de Normatização para o Uso Racional de Antimicrobianos, elaborado sob a coordenação do Comitê 
Estadual de Normatização do Uso Racional de Antimicrobianos (CENURA).

 

Manoel Dias da Fonsêca Neto

Coordenador de Promoção e Proteção à Saúde-Sesa/Ce

Lia Fernandes Alves de Lima

Presidente do Comitê Estadual de Controle de Infecção em Serviços de Saúde-Sesa/Ce

 

26.10.2010

Assessoria de Imprensa da Sesa

Selma Oliveira (soliveira@saude.ce.gov.br / 85 3101.5220)