Descoberta de fóssil de camarão na Bacia do Araripe repercute na imprensa nacional

18 de janeiro de 2013

A descoberta do único fóssil de camarão no mundo, com características tridimensionais, na Bacia Sedimentar do Araripe, tem sido destaque nos principais jornais do País, como O Globo e Jornal Nacional, além de contar com a publicação em revista internacional especializada. O material de mais de 100 milhões de anos, da era Cretácea, foi apresentado na manhã de ontem, à imprensa, na sede do Geopark Araripe, por estudiosos da Universidade Regional do Cariri (Urca).

 

O novo crustáceo fossilizado recebeu o nome de Kellnerius jamacaruensis, em homenagem ao paleontólogo Alexandre Kellner, e ao local onde foi localizado o fóssil, no distrito de Jamacaru, na cidade de Missão Velha, no sul do Ceará. O material foi apresentado pelo coordenador da maior escavação controlada do Nordeste, iniciada em 2011, o Paleontólogo Álamo Feitosa, e a aluna do curso de Biologia da Urca, que Caroline Mayara da Silva.

 

Com base na caracterização da espécie, foi possível descrever um novo gênero da família Carídea. Medindo 1,8 cm de comprimento, o material foi encontrado depois de 11 dias de escavações, a 9,5 metros, em maio do ano passado. O fóssil custou aos pesquisadores um trabalho detalhado e bastante cuidadoso na preparação da rocha, para revelar a forma do camarão. Foram utilizados equipamentos como uma lupa, para aumentar em até mais de 60 vezes o tamanho do crustáceo e instrumentos delicados como uma agulha para a aplicação de insulina. A caracterização foi realizada pelos pesquisadores Willian Santana (SP), Allysson Pinheiro (URCA), Caroline Mayara da Silva (URCA) e Álamo Feitosa (URCA) no Laboratório de Paleontologia da URCA.

 

A apresentação contou com a presença de parte da equipe de 20 pesquisadores, além do paleontólogo Alexander Kellner, a Reitora da Urca, Professora Otonite Cortez, e o Vice-Reitor, Patrício Melo. Kellner destacou a importância desse trabalho, desenvolvido por meio de estudiosos da própria região. Ele tem sido um dos incentivadores desse processo de formação de um núcleo de pesquisadores do Cariri. Também ressaltou que, antes, o material encontrado na Bacia Sedimentar do Araripe era levado por estudiosos de outras localidades e anunciado em seus centros de pesquisa. “Isso revela a autonomia da pesquisa na região e um grande passo que está sendo dado nesse sentido”, disse o cientista homenageado.

 

O trabalho das escavações continua este ano na cidade de Campos Sales, depois do período das chuvas. Três grandes escavações deverão acontecer na localidade. Essa descoberta recente, ocorreu na segunda grande escavação, na parte leste da Bacia Sedimentar do Araripe. A primeira foi na parte Oeste, no Município de Araripe.

 

Alex Kellner afirma que seria muito difícil conceber uma descoberta desse nível, sem que houvesse uma escavação controlada. Nos primeiros meses de escavações, foram encontrados dois fósseis também raros: uma asa de um pterossauro, do tamanho de uma asa delta, e uma tartaruga, que ainda está sendo descrita.

 

A pesquisa que vem sendo realizada no Cariri, por meio da Urca e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico Nacional (CNPq), com apoio do Geopark Araripe, é responsável pela extração de mais de 6 mil peças. Uma das evidências, com a nova peça encontrada, é que na região deveria ter pelo menos lagos com certo nível de salinidade. “Digo sempre que, se a história da vida na Terra fosse um livro, a Bacia do Araripe seria um capítulo inteiro. Há documentação sobre a história da vida na região desde 400 milhões até 1 milhão de anos”, disse Professor Álamo, em notícia de destaque no jornal O Globo. O fóssil de camarão também fará parte de uma publicação na revista científica ‘Zootaxa’, da Nova Zelândia, cujos editores destacaram o caráter inédito do material encontrado.

 

18.01.2013

Assessoria de Imprensa da Urca

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