Dragão do Mar encerra exposição em homenagem a Luiz Assunção

26 de Março de 2013

O Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura encerra nesta quarta-feira (27), a Exposição “Luiz Assunção: Samba de Carnaval”. Em cartaz no Espaço Multiuso desde o dia 23 de janeiro, a mostra, que tem curadoria do professor e pesquisador Gilmar de Carvalho, tenta reconstituir, a partir de painéis fotográficos, recortes de jornal, músicas e letras, a trajetória da vida pessoal e profissional do boêmio maranhense. A exposição pode ser conferida de 10 horas às 20 horas, com último acesso às 19h30min.

 

Filho de pai cearense, Luiz Assunção chegou a Fortaleza na década de 20 e construiu, a partir de então, uma forte relação com a capital alencarina, o rádio, a música e o Carnaval. Autor de valsas, choros, sambas e baiões, o compositor conhecido popularmente como Lula deixou, aos 85 anos incompletos, centenas de sucessos, entre os quais se destaca “Adeus Praia de Iracema”.

 

Serviço:

 

Encerramento Exposição “Luiz Assunção: Samba de Carnaval”

Data: 27 de março de 2013

Local: Espaço Multiuso – Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, 81 – Praia de Iracema

Luiz Assunção: Samba de Carnaval

 

Todo carnaval tem suas personagens inesquecíveis e suas referências. O de Fortaleza pode apontar a figura boêmia, talentosa, e de bem com a vida chamada Luiz Assunção.

 

Este maranhense, filho de pai cearense, nasceu em São Luís, a 11 de julho de 1902. Ele gostava de dizer que no mesmo dia em que nascera o compositor Carlos Gomes. A mãe, organista da Igreja de Nossa Senhora dos Remédios, à Praça Gonçalves Dias, onde a família vivia, o iniciou no piano. O pai, delegado de polícia, morreu quando Luiz tinha seis anos; a mãe, quando ele completara treze. Depois de compor uma valsa inconclusa, aos quatorze anos, e de servir o Exército, Luiz chegou a Fortaleza, em 1928.

 

Foi recebido na Ponte Metálica por amigos músicos e começou a trabalhar tocando piano, para acompanhar filmes mudos ou para animar a vida noturna dos cabarés da cidade. Fez viagens para tocar a bordo. Em 1929, casou com dona Isaura, com quem teve três filhos.

 

Em 1944, foi contratado pela Ceará Rádio Clube, pioneira na radiodifusão cearense, no ar desde 1934. A Rádio passara para a rede dos Diários Associados. Luiz foi pianista, auxiliar de maestro, copista de partituras e arquivista. Ficou vinte anos lá.

 

A novidade mais importante veio em 1945, quando “herdou” a “Escola de Samba Lauro Maia”, rebatizada de “Escola de Samba Luiz Assunção”. A escola, vencedora do carnaval de rua de Fortaleza em 1947, 1948 e 1949, foi um marco. Era um bloco animado, com instrumentos de sopro e o povo aprendendo a sambar. Não tinha nada a ver com o modelo das escolas de samba cariocas, que só chegaram, nos anos 1970, com a integração do País por meio das comunicações.

 

Luiz ficou na escola até 1973. Antes, fora contratado pela Prefeitura para sua Banda de Música, outra vez, como copista de partituras.

 

Muitas de suas composições foram gravadas por importantes intérpretes, como Quatro Ases e um Coringa, Jamelão, Trio Nagô, o acordeonista Julinho, o rabequista Baiano, o Pequeno Airton, antes de ser redescoberto pelo Pessoal do Ceará.

 

Luiz foi um apaixonado por Fortaleza. O seu maior sucesso foi “Adeus, Praia de Iracema”, samba com uma temática plangente: a lamentação pela destruição da nossa antiga Praia do Peixe, nos anos 1940, com a construção do Porto do Mucuripe.

 

Foi um boêmio, um folião, um cidadão de bem, e um compositor inspirado, inserindo-se na canção cearense, numa linha que começa pela tradição oral, por Alberto Nepomuceno (parceiro de Juvenal Galeno), pelas modinhas, por Ramos Cotôco, Lauro Maia, Aleardo Freitas, chega ao Pessoal do Ceará, à Massafeira, e desemboca no Bora! (Ceará Autoral Criativo).

 

Todo bloco que sai às ruas de Fortaleza homenageia Luiz Assunção. Este ano, ele também ganha exposição na Sala Multiuso, do Centro Dragão do Mar de Arte de Cultura, a ser inaugurada dia 17 de janeiro. Com textos, fotografias, partituras, recortes de jornais, a mostra pretende lançar um foco de luz na vida e na obra deste compositor boêmio que se integrou tão bem à vida de nossa cidade, como um de nós, cearense de coração e adoção.

 

26.03.2013

Assessoria de Imprensa do Dragão do Mar

Luciana Vasconcelos (imprensa@dragaodomar.org.br / 85 3488.8625)