Hospitais vão intensificar procura de órgãos para transplantes

31 de julho de 2013

A criação de um modelo de funcionamento na Organização de Procura de Órgãos (OPO) do Hospital Geral de Fortaleza (HGF), que deverá incorporar mais um profissional de enfermagem, foi o principal encaminhamento da reunião realizada pela Secretaria da Saúde do Estado nesta quarta-feira (31) com as direções de hospitais públicos e privados que fazem notificação de potenciais doadores de órgãos e tecidos para transplantes. Com o objetivo de traçar estratégias para a consolidação do crescimento dos transplantes no Ceará, a Sesa iniciou em 22 de julho, em encontro com representantes das Comissões Intra-hospitalares de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante (CIHDOTTs), uma série de reuniões que terá prosseguimento, ainda em agosto, com as direções dos centros transplantadores.

 

A Organização de Procura de Órgãos é um organismo supra-hospitalar com o objetivo de apoiar e executar as atividades relacionadas à doação de órgãos e tecidos, sendo responsável por realizar visitas aos hospitais com a finalidade de identificar potenciais doadores de órgãos e apoiar todo o processo de doação de órgãos. As CNCDOs coordenam as OPOs, que são responsáveis pela captação de órgãos. A atuação das OPOs foi regionalizada para detecção do doador potencial e são constituídas por um ou mais hospitais da sua área de atuação. No Ceará funcionam quatro OPOs – em Sobral, no Cariri e, em Fortaleza, no HGF, que dá cobertura a 22 hospitais, e no Instituo Dr. José Frota (IJF), que cobre 15 unidades hospitalares.

 

Durante a reunião, a Central de Transplantes da Sesa orientou os hospitais a estabelecer a dedicação exlusiva para os profissionais que integram as CIHDOTTs e as OPOs. Foi lembrado aos representantes dos hospitais públicos e privados que o Sistema Único de Saúde (SUS) remunera a busca ativa de possíveis doadores de órgãos e tecidos, desde a entrevista familiar até a captação efetiva de órgãos. Para melhor orientar a busca de órgãos e tecidos, a Central de Transplante se colocou à disposição para realizar palestras para os profissionais que trabalham nos hospitais.

 

No Ceará, as notificações de potenciais doadores crescem ano a ano, de 237 em 2008 para 260 no ano seguintes, 325 em 2010, 373 em 2011 e 435 em 2013, ou 51,5 por milhão da população (pmp). A efetivação das doações no Estado é considerada muito boa, de 42% das notificações, a segunda maior do país. Ainda assim, a coordenadora da Central de Transplantes do Estado, Eliana Barbosa, considera que é possível identificar mais doadores e melhorar ainda mais a efetivação, com a redução das recusas familiares às doações, que no Ceará foi de 37% das entrevistas realizadas em 2012, quando o ideal seria abaixo dos 20%. No Brasil, o percentual de recusas foi de 40%. Em doações efetivas, a meta do país em 2013 é chegar aos 14,5 doadores pmp, número já superado pelo Ceará. Em 2012, o Estado fechou o ano como terceiro do Brasil em doadores efetivos, com 21,4 doadores pmp. No primeiro trimestre deste ano, a posição foi confirmada. Por milhão da população, o número de doadores efetivos foi de 28 no Distrito Federal, 21,1 em Santa Catarina e 20,4 no Ceará. Em todo o Brasil, o número foi de 12,6.

 

As doações e os transplantes de órgãos e tecidos são submetidos no Brasil a legislação específica que atribui às Centrais de Notificação, Captação e Distribuição de Órgãos (CNCDOs) o controle de todo o processo, desde a retirada dos órgãos até a indicação do receptor. No Ceará, assim como nos demais estados, a Central de Transplante da Secretaria da Saúde do Estado controla o destino de todos os órgãos doados. Essa atribuição exclusiva da Central de Transplante garante a obediência aos critérios de seleção do receptor de órgãos e tecidos. Por isso, a única forma de se receber um transplante é a inscrição na lista de espera.

 

O processo de doação começa com a identificação e manutenção dos potenciais doadores. Em seguida, os médicos comunicam à família a suspeita da morte encefálica, realizam os exames comprobatórios do diagnóstico, notificam o potencial doador à Central de Transplantes, que repassa a notificação à CIHDOTT. A notificação de morte encefálica à Central de Transplantes é compulsória. No hospital, o profissional da CIHDOTT realiza avaliação das condições clínicas do potencial doador, da viabilidade dos órgãos a serem extraídos e faz entrevista para solicitar o consentimento familiar da doação dos órgãos e tecidos. Nos casos de recusa, o processo é encerrado.

 

Para ser doador não é necessário deixar nada por escrito. O fundamental é conversar com a própria família e deixar bem claro o seu desejo. Os familiares devem se comprometer a autorizar a doação por escrito após a morte. A doação de órgãos é um ato pelo qual o doador manifesta a vontade de que, a partir do momento da constatação da morte encefálica, uma ou mais partes do seu corpo (órgãos ou tecidos), em condições de serem aproveitadas para transplante, possam ajudar outras pessoas.

 

 

31.07.2013

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