Ação na Praça do Ferreira alerta mulheres sobre o AVC

28 de outubro de 2014

A campanha mundial do Acidente Vascular Cerebral (AVC) chama este ano a atenção das mulheres, com o slogan “Eu sou mulher, o AVC me afeta”. No Ceará, o Dia Mundial de Controle do AVC, 29 de outubro, será marcado nesta quarta-feira (29), das 8 às 16 horas, na Praça do Ferreira, por atividades de orientação, prevenção e aferição dos fatores de risco para o AVC. Médicos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, profissionais de enfermagem e estudantes de medicina vão orientar como prevenir a doença, que pode ser evitada em 90% dos casos com o controle dos fatores de risco.

O AVC é a maior causa de morte em Fortaleza, no Ceará e no Brasil. A cada ano, cerca de 16 mil cearenses são acometidos por um AVC e perto de 5 mil morrem por causa da doença. Em 2013 foram registradas 4.603 mortes pela doença no Estado, 2.251 em homens e 2.352 em mulheres. “A cada meia hora um cearense sofre um AVC e a cada duas horas um cearense morre por AVC”, calcula o neurologista João José de Carvalho, presidente do Comitê Estadual de Atenção à Doença Cerebrovascular da Secretaria da Saúde do Estado e chefe da Unidade de AVC do Hospital Geral de Fortaleza.

Em 2014, a campanha do AVC enfatiza que a doença não discrimina sexo, mas as mulheres têm risco maior de morrer. “Apesar de responderam muito bem ao tratamento do AVC, estatísticas internacionais apontam que as mulheres tendem a receber menos tratamento trombolítico que os homens”, afirma João José de Carvalho. Além de receberem menos cuidados, em muitos casos são as mulheres as principais cuidadoras do marido, pais e filhos afetados pela doença. Segundo o médico, uma em cada cinco mulheres terá um AVC na vida,
enquanto nos homens a relação é de um caso em cada seis indivíduos.

Fatores de risco

 

Os fatores de risco para o AVC são mais comuns nas mulheres. Esses fatores são, por ordem de importância: pressão alta, fumo, obesidade, dieta inadequada, sedentarismo, colesterol elevado,, diabetes, uso abusivo de bebida alcoólica, estresse crônico, depressão e doenças cardíacas, sobretudo a fibrilação atrial. A principal característica do AVC é a manifestação súbita dos seguintes sintomas: perda da força ou da sensibilidade em um dos lados do corpo, dificuldade para falar ou compreender, perda visual, particularmente se for só de um olho, tontura, vertigem ou dificuldade no equilíbrio, dor de cabeça sem causa aparente.

Em Fortaleza, conforme o Vigital 2013 (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico), do Ministério da Saúde, 5,7% da população feminina acima de 18 anos avalia seu estado de saúde como ruim ou muito ruim, enquanto entre os homens o percentual é de 4,8%. Esse resultado encontra explicações nos próprios resultados da pesquisa – nas respostas das mulheres sobre os seus hábitos de vida. A autoavaliação de saúde capta, além da exposição a doenças (diagnosticadas ou não por profissional de saúde), o impacto que essas doenças geram no bem-estar físico, mental e social.

Há na população feminina de Fortaleza, de acordo com o Vigitel, 1,1% de fumantes, 48,8% de mulheres com excesso de peso (Índice de Massa Corporal ≥25 kg/m2), 17,0% com obesidade, 20,4% que costumam consumir carnes com excesso de gordura, 51,4% que costumam consumir leite com teor integral de gordura, 19,4 que consomem alimentos doces em cinco ou mais dias da semana, 17,4% que substituem o almoço ou o jantar por lanches sete ou mais vezes por semana, 14,9 que consideram seu consumo de sal alto ou muito alto, 16,5% que consomem refrigerantes cinco ou mais dias por semana, 18,5% que não praticam exercícios físicos, 7,3% que consomem bebidas alcoólicas em quatro ou mais doses em uma mesma ocasião, 23,7% com diagnóstico de médico de hipertensão arterial e 8,0% com diagnóstico de médico de diabetes.

Assistência

No Ceará, o Programa de Atenção Integral e Integrada ao Acidente Vascular Cerebral (AVC), desenvolvido nas vertentes epidemiológica, assistencial e educativa, iniciou as ações de vigilância epidemiológica em 2006, com o georreferenciamento de todas as mortes por AVC em Fortaleza. Em 2009 foi iniciado o estudo hospitalar, envolvendo 19 hospitais da Capital, identificados por concentrar mais de 90% das mortes por AVC. Este ano, o Comitê Estadual de Atenção às Doenças Cerebrovasculares realiza a terceira etapa do estudo epidemiológico do AVC com a implantação do Registro Estadual de AVC, iniciada em fevereiro.

O marco do programa foi a inauguração, em outubro de 2009, da Unidade de AVC do HGF, que atendeu 1.400 pacientes no primeiro ano de funcionamento. Os pacientes tiveram acesso ao tratamento trombolítico e a exames modernos como a tomografia realizada pelo tomógrafo multislice, que realiza o exame em apenas 5 segundos. Em março de 2013 começou a funcionar a Unidade de AVC do Hospital Regional do Cariri (HRC), que iniciou a descentralização do programa estadual de atenção ao AVC.

28.10.2014

Assessoria de Comunicação da Sesa
Selma Oliveira / Marcus Sá

(selma.oliveira@saude.ce.gov.br / 85 3101.5220 / 3101.5221)