Hospital Albert Sabin é referência no tratamento de incontinência fecal

21 de março de 2015

Após diferentes tentativas para encontrar um tratamento seguro e especializado para o filho, a autônoma Maria das Vitórias Tavares, 35, de Natal – RN, encerrou a sua longa busca há um mês. Através de pesquisas na internet, ela encontrou e leu uma matéria publicada no site do Hospital Infantil Albert Sabin (Hias), unidade da Secretaria de Saúde do Estado do Ceará, sobre o Programa Manejo do Cólon, realizado pelo Núcleo Especializado em Tratamento Infantil da Incontinência Fecal (Netiif), cujo serviço é referência Norte e Nordeste no tratamento de crianças e adolescentes com esse tipo de disfunção. Atualmente, o Hospital atende a 190 crianças e adolescentes, com uma média de cinco novos pacientes por semana.

 

Heytor Juvino Tavares, 5, nasceu com anomalia anorretal, uma malformação congênita no ânus e reto, que gerou uma incontinência fecal com a qual ele tem convivido após a cirurgia de correção. Desde então, Maria das Vitórias pesquisava sobre a doença e procurava informações que respondessem suas dúvidas. “Eu tinha muitas questões, se ele ia ser incontinente, se tinha outros casos. Lá (Natal-RN) é raro a gente conhecer alguém que tem essa anomalia”, conta. A busca contínua de Vitórias encerrou após um contato telefônico com a equipe do Netiif/ Hias, por meio das informações encontradas na matéria do site.“Eu estava pesquisando alguma equipe médica que tivesse mais informações sobre anomalia anorretal. Não tinha uma reportagem que me interessasse muito. Foi quando vi a do site, gostei e então resolvi ler até o final”.

 

Depois de receber orientações sobre o tratamento e a assistência que o Heytor poderia obter no Albert Sabin, ela fez as malas e veio com o filho para Fortaleza, trazendo junto uma amiga que também buscava tratamento para o filho adolescente. A agricultora Maria do Rosário de Oliveira, 38, com o filho Alexsandro de Oliveira, 15, chegou na capital cearense no dia 12 de março, junto com Maria das Vitórias e Heytor, iniciando o tratamento no dia seguinte. “Vim parar aqui através da Vitória. Ela ligou pra mim, disse que tinha encontrado (o tratamento) e me chamou pra vir”, diz Rosário.

 

Anomalia anorretal e incontinência fecal

Segundo o coordenador do Netiif, o cirurgião pediatra João Henrique Colares, a incontinência fecal pode ser de origem funcional, como a constipação crônica refratária, ou orgânica, como a anomalia anorretal (ânus imperfurado), espinha bífida (fechamento incompleto da coluna vertebral), megacólon (grande dilatação do intestino grosso) e teratomas perineais (tumor de células embrionárias no períneo). No caso da anomalia anorretal, 25% das crianças que nascem com esse problema têm como consequência a incontinência fecal. “Com o manejo do cólon, podemos torná-las continentes socialmente. O tratamento traz resultados funcionais e de qualidade de vida”, afirma.

 

Heytor e Alexsandro nasceram com anomalia anorretal e os dois passaram pela correção cirúrgica quando bebês. Com isso, eles desenvolveram incontinência fecal, sendo a do Heytor do tipo hipermotilidade colônica (diarreia) e a do Alexsandro, hipomotilidade colônica (constipação). Agora, com o tratamento no Hospital Albert Sabin, a esperança de saúde e melhor qualidade de vida foi renovada e as mães já comemoram. “Estou muito mais tranquila. Hoje eu sei que meu filho vai ser incontinente e que vou poder conviver com isso, com mais tranquilidade”, fala Maria das Vitórias.

 

O Programa do Manejo do Cólon, realizado pela equipe multidisciplinar do Netiif, assiste a crianças com incontinência fecal – oriunda de algum tipo de malformação congênita – com o uso do método clister: um tratamento alternativo, simples e indolor que consiste na preparação de uma solução salina (um litro de água morna mais 1 e ½ colher de chá de sal) e da utilização de alguns materiais (bolsa de enema, catéter, lubrificante, seringa de 20cc e xilocaina gel) para realizar a injeção do líquido pelo reto. Normalmente, as crianças com incontinência fecal são encaminhadas ao Netiif pelos serviços especializados de Cirurgia Pediátrica, Gastro-Pediatria e pelo Núcleo de Disfunção Miccional na Infância (Nudimi) do Hospital Infantil Albert Sabin.

 

De acordo com a enfermeira Marion Purcaru, após a consulta com o pediatra, a criança é encaminhada para atendimento com uma psicóloga e também com uma nutricionista, de quem recebe a elaboração de uma dieta personalizada para facilitar a condução do tratamento. A equipe do Netiif orienta sobre como controlar a eliminação de fezes, por meio de uma cartilha ilustrada que é entregue aos pais e, além disso, é realizado um treinamento com a equipe de enfermagem sobre o uso correto do clister em casa. Conforme Marion, a maior demanda pelo tratamento de incontinência fecal no Albert Sabin vem de crianças que residem no interior. “A procura está maior, inclusive até por crianças menores, o que é melhor. Elas são encaminhadas mais cedo pelos médicos”, ressalta.

 

SERVIÇO

Hospital Infantil Albert Sabin

Núcleo Especializado em Tratamento Infantil da Incontinência Fecal (Netiif)

Rua Tertuliano Sales, 544, Vila União.

Atendimento às segundas, quartas e sextas, de 8h às 12h.

Informações: (85) 3101-4247 ou netiif@hias.ce.gov.br

 

 

21.03.2015

Assessoria de Comunicação do Hospital Albert Sabin

Helga Santos

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