Mortes violentas caem 27,8% com atuação do programa ‘Crack, É Possível Vencer’

26 de março de 2015

As mortes violentas diminuíram 27,8% nos bairros de Fortaleza que contam com atuação do programa “Crack, É Possível Vencer”, no espaço de um ano. A operação das bases policiais começou em abril de 2014 e os resultados positivos já são sentidos no Vicente Pinzón, Genibaú e Conjunto São Miguel – dividido entre o Alagadiço Novo e Messejana.

 

As reduções foram nos crimes de homicídio, latrocínio e lesões seguidas de morte – conhecidos como Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLI). A maior queda foi registrada nos bairros Alagadiço Novo e Messejana, com redução de 81% e 35%, respectivamente. No Alagadiço Novo a diminuição foi de 21 para quatro crimes, enquanto que na Messejana foi de 55 para 36 em apenas um ano. A base do São Miguel fica dividida entre os dois locais, na Área Integrada de Segurança 4 (AIS 4).

 

No Genibaú, as ocorrências reduziram 25% em 2014, passando de 57 para 43. Todos os números foram comparados a 2013. A comunidade está situada na Área Integrada de Segurança 2 (AIS 2). Já o Vicente Pinzón, pertencente à AIS 3, a queda foi de 2%, de 50 para 49.

 

Sob os eixos de prevenção, cuidado e autoridade, o “Crack, é Possível Vencer” funciona em uma parceria entre a União, o Governo do Estado e a Prefeitura de Fortaleza e se utiliza de ferramentas tecnológicas e de acompanhamento policial para inibir ações criminosas, além de prestar assistência aos moradores. As bases do Programa estão situadas em pontos de Fortaleza considerados críticos.

 

A tecnologia é aproveitada com a instalação de câmeras de monitoramento. A assistência à comunidade se faz com o acolhimento de dependentes químicos que buscam reabilitação e do acompanhamento de familiares de vítimas de homicídio e de mulheres vítimas de violência doméstica, através do Grupo de Apoio à Vítima de Violência (GAVV).

 

A base do Programa é móvel e fica alojada em um ponto fixo da comunidade. Os moradores têm acesso ao equipamento, bem como aos policiais que dão apoio, 24 horas por dia. Atreladas à base existem duas viaturas e duas motos com policiais realizando abordagens e esclarecimentos aos cidadãos, orientando-os com informações sobre os serviços prestados pelo Programa. Ao todo, 119 agentes atuam nas três bases, com o objetivo de estabelecer um referencial de autoridade.

 

Dependentes procuram a Polícia para vencer vício

“Crack, é possível vencer. Mas, como?”. Com esta indagação, no último dia 12, um dependente químico se direcionou a uma das Bases do Programa “Crack, é Possível Vencer”, localizado no bairro Vicente Pinzón, com o intuito de descobrir como poderia vencer o vício em drogas.

 

Com 34 anos, casado e com filhos, o homem, de iniciais F.B.S.F, é micro-empreendedor e atua no ramo alimentício. Ao perceber que o vício pelos entorpecentes estava adquirindo um espaço maior em sua vida, ao ponto de quase perdê-la, ele decidiu vencer as drogas. Só não sabia como.

 

Ao assistir um jornal na TV, F.B.S.F. tomou conhecimento da Base do Programa “Crack, é Possível Vencer”, no Vicente Pinzón – Área Integrada de Segurança 3 (AIS 3) de Fortaleza – e foi ao local. Lá, foi recebido pelos policiais que realizam o trabalho na área e encaminhado a um dos três Centros de Referência do Governo do Estado do Ceará. “A expectativa é a transformação total. Estou disposto a tudo para conseguir isto. Quando a gente vê que não tem mais saída, tem que pedir ajuda, procurar mudança e tomar iniciativa”, afirma. Outro dependente químico, de iniciais R.M.C.S, de 39 anos, é catador de material reciclável e afirma gastar aproximadamente R$ 30,00 por dia para sustentar o vício. Ele também procurou ajuda recentemente.

 

Assim como os dois, outras pessoas têm procurado auxílio no programa. Quarenta e cinco pessoas já procuraram alguma das três bases policiais em busca de ajuda. O capitão da Polícia Militar, Messias Mendes, responsável pelo Programa, conta que, ao chegar à base, a pessoa é acolhida por policiais e encaminhada a um dos Centros de Referencia do Governo. O tratamento consiste em uma internação que pode durar até nove meses. Durante o processo, os pacientes são assistidos por uma equipe multidisciplinar.

 

 

26.03.2015

 

Assessoria de Imprensa da SSPDS
Kélia Jácome (kelia.jacome@sspds.ce.gov.br / 85 3101.6518)