Museu da Imagem e do Som do Ceará promove minicurso de férias sobre música brasileira, com Dilmar Miranda

8 de julho de 2015

Uma oportunidade de debater com um dos grandes estudiosos da música brasileira a história, o presente, a forma e o conteúdo, o texto e o contexto da canção popular e da produção musical nacional como um todo. É o que o Museu da Imagem e do Som do Ceará (MIS-CE), equipamento da Secretaria da Cultura do Governo do Estado, oferece a partir desta segunda-feira, 13/7, com o minicurso de férias “Análise e apreciação da Nossa Música Popular Brasileira – Do período Colonial à Contemporaneidade”, ministrado por Dilmar Miranda, diretor do museu, professor da UFC e um dos mais respeitados pesquisadores de todo o País quando o assunto é música popular. As inscrições já estão abertas.

 

O minicurso será ministrado nos dias 13, 15, 17, 20, 21 e 22, sempre das 17h às 19h30, facilitando também a participação de quem não está em férias neste mês de julho. São 40 vagas e as inscrições podem ser feitas pelo telefone do MIS, 3101-1206, ou presencialmente no Museu, que fica na Av. Barão de Studart, 410, Meireles.

 

RmúsicoMIS2De acordo com Dilmar Miranda, o minicurso tem entre seus objetivos promover a apreciação da Música Popular Brasileira (MPB), instrumental e vocal, examinando os aspectos técnicos e estéticos presentes nas criações de seus inventores e nas performances de seus intérpretes, articulando a análise ao seu entorno social expresso na história cultural do Brasil, centrada nos momentos marcantes da figuração de seus principais estilos e gêneros, desde a virada do século XX até a MPB da contemporaneidade.

 

“Convidamos o público a participar do minicurso no MIS, neste mês de julho, para mergulharmos juntos na história da nossa música e na compreensão dos motivos pelos quais ela se tornou uma das mais admiradas em todo o mundo e uma das mais importantes, senão a mais importante das matrizes criativas da música mundial”, destaca o professor Dilmar Miranda, ressaltando a satisfação em ministrar o curso e receber os participantes no Museu da Imagem e do Som do Ceará, espaço simbólico e referencial para a música em nosso Estado.

 

“Será um percurso bem leve e diversificado, em uma dinâmica participativa, começando com os antecedentes da música brasileira no período colonial, seguindo pela fixação dos gêneros da música urbana na virada para o século XX, com o choro, o maxixe e o samba, e continuando pela era da fonografia a partir dos anos 30, pelo sucesso de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira no pós-guerra, pela bossa nova no final dos anos 50, pela era da Jovem Guarda e dos festivais na década de 60, entre muitos outros momentos da nossa música popular brasileira”, descortina Dilmar.

 

Os 100 anos desde o nascimento do compositor cearense Humberto Teixeira, comemorados em 2015, também terão espaço especial no minicurso, aberto à participação de todos os interessados, dentro do limite de vagas.

 

 

Mais sobre Dilmar Miranda

 

O sociólogo, professor universitário, escritor e pesquisador Dilmar Miranda, diretor do Museu da Imagem e do Som do Ceará (MIS-CE), possui longa atuação nos campos da cultura e da história, contando com amplo reconhecimento, tendo a música popular brasileira e a indústria cultural entre seus principais temas de pesquisa.

 

Dilmar dos Santos Miranda graduou-se em Ciências Sociais pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro, em 1968. É mestre em Ciências Sociais pela Universidade de Ciências Humanas de Strasburgo (1976), doutor em Sociologia pela Universidade de São Paulo (2001) e pós-doutorando pela Universidade Nova de Lisboa, na área de Filosofia. Pesquisador de relevo na Universidade Federal do Ceará, é professor associado do Instituto de Cultura e Arte (ICA) e responsável pela área de Estética Filosófica e Estética Musical, atuando principalmente nos temas música, cultura, arte e modernidade.

 

Também coordena o Grupo de Estudo da Arte (Gesta) e o Laboratório de Estética do Curso de Filosofia do ICA da UFC). É ainda professor do programa de pós-graduação em Filosofia da UFC, na área de estudo da Estética moderna e contemporânea. Também colabora como professor dos cursos de especialização da Faculdade Sete de Setembro e da Universidade Estadual do Ceará.

 

No campo da cultura e das artes, Dilmar Miranda foi um dos apresentadores do programa “Encontro com o Jazz”, da Rádio Universitária FM, contribuiu para a produção de discos, realizou e orientou diversos trabalhos de pesquisa sobre música cearense, música brasileira e jazz e foi curador da exposição “50 Anos de Bossa”.

 

 

O MIS-CE

 

O Museu da Imagem e do Som do Ceará é responsável, desde sua fundação, pela preservação, pela difusão e pela pesquisa da memória audiovisual do Estado. Inaugurado em 1980, foi inicialmente instalado no subsolo do prédio da Biblioteca Pública Governador Menezes Pimentel. Em agosto de 1996 foi reestruturado em sua atual sede, na avenida Barão de Studart, 410.

 

Atualmente o acervo do MIS-CE é estimado em 150 mil peças entre discos de música brasileira e internacional (de 78, 45 e 33 e ½ rotações), CD’s, fitas de áudio, de rolo, cassete e microcassete, um acervo de imagem (fotografias cópia papel e digital) com imagens de Fortaleza Antiga, de outros municípios cearenses, de personalidades, festas e folguedos populares, artistas populares (cordelistas, artesãos, escultores, etc) cromos e negativos, filmes de diretores cearenses e registros de danças e festas da cultura popular tradicional (em diversos formatos, como vídeos betacam, betamax, VHS e super VHS, DVD, H-8, películas de 16mm e 35mm etc.), depoimentos de personalidades da história do Ceará, cordéis, partituras e muitos outros objetos que contam a história registrados em suportes audiovisuais.

 

Além do acervo disponibilizado ao usuário, o MIS possui biblioteca especializada (em fase de reorganização), sala de projeção multimídia e espaços expositivos. Conta ainda com as atividades do Núcleo Educativo, setor responsável pela mediação das visitas e pelas atividades de formação, como cursos e oficinas.

 

 

Programa do minicurso “Análise e Apreciação da Nossa Música Popular Brasileira”

 

1) A abordagem inicia-se com os antecedentes da MPB no período colonial, cujo instante marcante se dá com a chegada da corte portuguesa no Brasil e suas ressonâncias na vida musical que se fazem sentir no curso do século XIX, com o aflorar das primeiras formas musicais (choro) que irão constituir a futura MPB.

 

2) Na viragem do séc. XX dá-se a instauração da nova ordem republicano-burguesa, quando se fixam os principais gêneros da moderna música popular urbana (o choro, maxixe e samba), no contexto do surgimento do sistema fonomecânico de gravação.

 

3) Nos anos 1910/20, dá-se a famosa polêmica do “1º samba” Pelo telefone, e a geração da “casa da Tia Ciata”, importante locar de encontro de artistas populares da época: momento de ruptura com as práticas musicais tradicionais e início da profissionalização do compositor popular.

 

4) Em fins dos anos 20, surge a geração da “Turma do Estácio”, responsável pela criação do moderno samba urbano e pela criação da 1ª Escola de Samba do Rio de Janeiro.

 

5) Na virada dos anos 30, dá-se a invenção do sistema fonoelétrico provocando mudanças técnicas e estéticas na forma de compor, interpretar e ouvir a MPB. Surge a era de ouro do rádio (anos 30/40), exercendo um grande papel na divulgação de vários compositores, maestros, instrumentistas e cantores.

 

6) No pós-guerra, além da invasão das músicas latino-americanas, divulga-se no país, com imenso sucesso, a música popular nordestina, a exemplo do baião, na performance do compositor pernambucano Luís Gonzaga.

 

7) Em fins dos anos 50, verifica-se a renovação da moderna música popular brasileira, com a bossa nova, provocando grandes mudanças estilísticas na MPB.

 

8) Com a ditadura militar (golpe de 1964) a sociedade brasileira passa a viver tempos sombrios, com fortes ressonâncias na MPB, fazendo surgir a música de protesto (música de intervenção).

 

9) Do meio para o fim dos anos 60, surge a era dos festivais e o movimento tropicalista (tropicália), Segue a radicalização da vida política: a ditadura baixa o AI 5, instituindo a pena de morte contra adversários do regime.

 

10) Nos anos 70, dá-se a alegorização da canção de protesto e a retomada da música instrumental popular.

 

11) Nos anos 80, surge o rock nacional (brock), com forte influência do punk inglês. Intensifica-se a luta contra a ditadura com o movimento das (eleições) diretas-já! Muitos artistas se engajam no movimento.

 

12) A partir das últimas décadas do século XX, chegando à contemporaneidade, a MPB enfrenta um intenso desafio entre a forma estética e a fôrma comercial da indústria cultural. Nesse contexto, vários artistas (compositores e/ou intérpretes) expressam as formas tradicionais da MPB, pelo uso de linguagens contemporâneas bem como pela mediação das novas tecnologias, buscando sua renovação, a exemplo do movimento Manguebit e de outros grupos, ou trabalhos-solo, procurando compatibilizar a tradição com a contemporaneidade, a exemplo da música pop da atualidade. Chico Buarque e a morte da canção.

 

 

SERVIÇO:

 

Minicurso “Análise e apreciação da Nossa Música Popular Brasileira – Do período Colonial à Contemporaneidade”, ministrado por Dilmar Miranda, diretor do Museu da Imagem e do Som do Ceará, equipamento da Secretaria da Cultura do Governo do Estado. Dias 13, 15, 17, 20, 21 e 22, sempre das 17h às 19h30. 40 vagas. R$ 20,00. Inscrições abertas: 3101-1206 ou presencialmente no Museu, que fica na Av. Barão de Studart, 410, Meireles.

 

 

 

08.07.2015

 

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