Projeto amplia e descentraliza atendimento a crianças com microcefalia

14 de março de 2016

A primeira-dama, Onélia Leite, lançou nesta segunda (14) uma parceria com a Secretaria da Saúde e o Nutep para atendimento nas 19 policlínicas em todo o Estado.

 MVS1412 webUm marco histórico para a saúde do Ceará. Dessa forma foi lançado o Projeto de Capacitação das Equipes Multiprofissionais para Ações de Intervenção Precoce nas Policlínicas do Estado do Ceará, na manhã desta segunda-feira (14), pela primeira-dama e idealizadora do Programa Mais Infância Ceará, Onélia Maria Leite de Santana. Na ocasião, foi assinado convênio no valor de R$ 1.157.404,28, entre a Secretaria da Saúde do Estado (Sesa) e o Núcleo de Tratamento e Estimulação Precoce (Nutep), órgão ligado à Universidade Federal do Ceará (UFC).  “Temos que garantir atenção ampla às crianças. É necessário que elas tenham atendimento adequado, com profissionais especializados e qualificados”,  MVS1452 webafirmou Onélia, assegurando que, com a parceria, as crianças “têm oportunidade de serem bem acolhidas e tratadas¨.

Com o projeto, serão treinados 95 profissionais das equipes que vão garantir assistência a crianças com distúrbios do desenvolvimento neuropsicomotor, como os provocados pela microcefalia, nas 19 policlínicas em funcionamento em todas as regiões do Estado. A partir do primeiro contato da primeira-dama com o Nutep, em 25 de janeiro, a parceria levou apenas 48 dias para ser formalizada. A primeira capacitação, que teve início nesta segunda (14) e se estende até o dia 11 de abril, treinará equipes multiprofissionais de dez policlínicas regionais –  MVS1430 webCaucaia, Baturité, Pacajus, Russas, Limoeiro do Norte, Barbalha, Sobral, Crateús, Camocim e Tianguá.

O Núcleo de Tratamento e Estimulação Precoce (Nutep) é a instituição responsável pelo treinamento. Além de prestar assistência permanente a cerca de 750 crianças pelo SUS, essa unidade do complexo hospitalar da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC) atua na área de ensino, pesquisa e extensão e é campo de atividades acadêmicas para os cursos de graduação, pós-graduação e residência multiprofissional na área da saúde. “Qualquer dano ao sistema nervoso da criança necessita de intervenção imediata para não se perder a janela de plasticidade”, observou o neuropediatra Lucivan Miranda, diretor do Nutep, referindo-se à plasticidade neural, capacidade que o sistema nervoso possui em alterar algumas das suas propriedades morfológicas e funcionais.

De acordo com o secretário da Saúde do Estado, Henrique Javi, após o início do treinamento, as crianças com distúrbios do desenvolvimento neuropsicomotor já começam a ser atendidas nas policlínicas. O convênio prevê a realização de três capacitações para contemplar as 19 policlínicas. Cada capacitação consta de treinamento teórico de 40 horas/aula, treinamento prático de 60 horas, sendo 30 horas no Nutep e 30 horas nas próprias policlínicas, e etapa de acompanhamento e avaliação, em que o Nutep realizará supervisões periódicas, prestará consultoria técnica às equipes multidisciplinares, e dará apoio ao processo de coleta, consolidação, produção e análise de indicadores. O convênio tem duração de 12 meses, de março de 2016 a fevereiro de 2017.

Todas as policlínicas regionais passam a ter Centros de Intervenção Precoce, com equipe de cinco profissionais de fisioterapia, terapia ocupacional, fonoaudiologia, psicologia, enfermagem ou assistência social, para o tratamento e reabilitação das crianças atendidas. Henrique Javi ressaltou a rápida formalização do convênio, tendo em vista o aumento dos casos de microcefalia, principalmente. “A capacitação é mais que um treinamento para o resgate de crianças nessas condições. É a criação de um padrão de atendimento para todo o Estado. Com a expansão do atendimento para o interior, descentralizamos a atenção às crianças com agravos neuropsicomotores para perto de onde suas famílias moram”, afirmou o secretário.

Mais Infância Ceará

A capacitação dos profissionais das policlínicas regionais para o atendimento a crianças com microcefalia é mais uma ação do pilar Tempo de Crescer do Programa Mais Infância Ceará, idealizado pela primeira-dama Onélia Leite de Santana, que é presidente do Comitê Consultivo Intersetorial das Políticas de Desenvolvimento Infantil do Estado do Ceará. O programa contempla três pilares. O pilar Tempo de Crescer, compreende que o desenvolvimento infantil, requer uma abordagem integrada, reconhecendo o bem-estar físico e intelectual das crianças, bem como seu desenvolvimento socioambiental e cognitivo. Para esse fim, propõe a construção de uma rede de fortalecimento de vínculos familiares e comunitários através de serviços e formações que contemplem profissionais, pais e cuidadores. O programa tem ainda o pilar Tempo de Brincar e o pilar Tempo de Aprender.

Microcefalia

A microcefalia é uma malformação congênita, em que o cérebro não se desenvolve de maneira adequada. Neste caso, os bebês nascem com perímetro cefálico (PC) menor. Pode ser causada por uma série de fatores de diferentes origens, como as substâncias químicas e agentes biológicos (infecciosos), como bactérias, vírus e radiação. O tipo e o nível de gravidade da sequela variam caso a caso. Tratamentos realizados desde os primeiros anos melhoram o desenvolvimento e a qualidade de vida. O Ceará tem 41 casos confirmados de microcefalia de outubro de 2015 a 7 de março, conforme boletim epidemiológico da Secretaria da Saúde do Estado. Outros 252 casos estão em investigação. Há um caso confirmado de microcefalia relacionado a zika, que é o do óbito de uma criança no município de Tejuçuoca.

Fotos: Marcos Studart

14.03.2016

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