Museu da Imagem e do Som do Ceará inaugura o Pátio MIS nesta quarta (18)

17 de Maio de 2016

Durante a 14ª Semana Nacional de Museus, temporada cultural promovida pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), com apoio do Sistema Estadual de Museus do Ceará, para comemorar o Dia Internacional de Museus (18), a Secretaria da Cultura do Estado do Ceará (Secult) anuncia o a inauguração do Pátio MIS, no Museu da Imagem do Som do Ceará (MIS-CE). O novo espaço abrigará, em sua inauguração, a exposição “Orson Welles entre os povos do mar”, com 25 fotos de Chico Albuquerque, entre outras atividades. A programação especial do Pátio MIS começa no dia 18 e segue até 21, sempre às 18h, com entrada franca.

O novo espaço do Museu da Imagem do Som do Ceará (MIS-CE) receberá diversas programações. Para estrear o espaço no museu, a exposição “Orson Welles entre os Povos do Mar – Chico Albuquerque” terá abertura na quarta-feira, dia 18,às 18h, unindo a obra do cineasta norte-americano e fotos do fotógrafo cearense. Na ocasião, será exibido o filme “It’s all true” (1993), documentário de Bill Krohn sobre a vinda de Welles ao Brasil.

“Esta é uma justa homenagem para celebrar a extraordinária inventiva desses dois magos das imagens, cujo destino, para fortuna nossa, os uniu em terras cearenses, deixando-nos um belíssimo legado poético presente nesta mostra. São vinte e cinco fotos de Chico Albuquerque, espécie de imagens-fragmento de momentos de um filme mítico inacabado, cujos instantâneos obtidos através de suas lentes, em átimos de tempo, nos induzem a completar o antes e o depois de tais instantes. Esta é a magia da sua arte fotográfica, complementada por fragmentos reconstruídos e restaurados de It’s all true”, destaca o diretor do MIS-CE, Dilmar Miranda.

A programação continua com muita música

No dia 19, o evento “Humberto Teixeira: celebrando 70 anos de baião e 100 de samba”, um encontro de apreciação musical com o diretor do equipamento, Dilmar Miranda. Na ocasião, será exibido o documentário “O homem que engarrafava nuvens”, sobre o compositor cearense homenageado. No dia 20, o grupo de pesquisa “Sonoridades Múltiplas”, do Instituto de Cultura e Arte da Universidade Federal do Ceará, faz uma conversa sobre a obra de Dorival Caymmi. Já no dia 21/5, o grupo cearense de música instrumental Marimbanda se apresenta. Toda a programação é gratuita e acontece a partir de 18h.

Welles e Chico Albuquerque

Em fevereiro de 1942, o jovem cineasta norte-americano Orson Welles, depois de impactar, no ano anterior, com seu filme Cidadão Kane, desembarca no Brasil para rodar dois episódios de “It’s all true”  (É tudo verdade), para assim completar a trilogia iniciada no México. O primeiro episódio brasileiro era sobre o carnaval carioca, com cenas filmadas em vários locais da cidade. As tomadas com Grande-Otelo tornaram-se  antológicas. O segundo uma homenagem aos quatro jangadeiros cearenses, Manuel Olímpio (o Jacaré), Jerônimo de Sousa, Raimundo Lima e Pereira da Silva. Em 1941, Welles tomara conhecimento da saga dos quatro feita por mar – de Fortaleza ao Rio de Janeiro  – para reivindicar de Getúlio Vargas os prometidos direitos previdenciários.

Mas o original do inacabado “It’s all true” nunca foi lançado. Seus problemas começaram com uma briga com Getúlio Vargas e com o financiador do projeto, Nelson Rockefeller. Welles, nesse ínterim,  opta por uma nova narrativa voltada para as péssimas condições de vida dos jangadeiros. Com isso, Welles segue para o Ceará, onde permanece mais de um mês, rodando um novo roteiro, fruto do seu convívio com os povos do mar do Mucuripe, com pescadores que jamais tinham visto um filme na vida. Com um orçamento reduzido e uma pequena equipe, registra a jornada de uma pesca e o trabalho das rendeiras, encena a morte de um jangadeiro no mar, seu funeral e o futuro incerto da jovem viúva. Sua obra é vista como precursora do neorrealismo italiano utilizado por cineastas do pós guerra na Itália, com atores não profissionais advindos do próprio povo, locações reais, justamente na linha oposta ao glamour hollywoodiano. Welles não finaliza sua obra, confiscada pela RKO Pictures, empresa da família Rockefeller e detentora dos direitos do filme.

No Ceará, dá-se o grande encontro do experimentalismo irrequieto de Welles com a poética visual do jovem fotógrafo Chico Albuquerque, convidado para o registro (still) das cenas do novo projeto, unindo-os indelevelmente no mundo das artes visuais. O fotógrafo cearense começava, então, uma grande e reconhecida carreira.

PRESS-RELEASE – SECRETARIA DA CULTURA DO ESTADO DO CEARÁ

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Foto: Divulgação/Secult/Felipe Abud

17.05.2016

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