Cursos preparam profissionais para reduzir mais a mortalidade materna

23 de agosto de 2016

Hemorragia é a segunda principal causa de morte materna no Ceará, conforme boletim de mortalidade materna divulgado nesta segunda-feira, 22,pela Secretaria da Saúde do Estado. Do total de 36 óbitos maternos por causas obstétricas diretas registrados em 2015, entre aborto, complicação no parto, embolia, hipertensão, inércia uterina, infecções puerperal, 13,5% foram por hemorragia.  Para reforçar a qualidade da atenção às mulheres em situação de hemorragia pós-parto, a Secretaria da Saúde do Estado realizará nos dias 1º e 2 de setembro, o curso “Manejo obstétrico da hemorragia pós-parto e pós-abortamento”. O curso terá a participação de 40 profissionais, entre médicos e enfermeiros, das unidades básicas e hospitais de Fortaleza e Região Metropolitana e também do SAMU 192. 

A capacitação faz parte do Projeto Zero Morte Materna por Hemorragias. “A finalidade é estruturar o processo de qualificação da atenção às situações de morbimortalidade em mulheres com hemorragia pós-parto, principalmente em áreas de difícil acesso e poucas tecnologias de cuidado”, diz Silvana Napoleão, supervisora do Núcleo da Saúde da Mulher, Adolescente e Criança, da Sesa.  Serão abordados assuntos relacionados a manejo ativo do terceiro período do trabalho de parto, manejo da hemorragia pós-parto, código vermelho obstétrico, manejo da mulher em situação de “near miss” (quase perda) com hemorragia obstétrica. “Serão debatidas e aprofundadas discussões sobre mortalidade materna por hemorragia, onde mais ocorre no Estado, quais os serviços disponíveis e fluxos de atenção pactuados”, ressalta Silvana Napoleão. Zero Mortes Maternas por Hemorragia é um projeto da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e Organização Mundial da Saúde (OMS) em parceria com o Ministério da Saúde para a redução da morbidade e mortalidade maternal.

O curso “Manejo obstétrico da hemorragia pós-parto e pós-abortamento” é uma das ações do Governo do Estado no combate à mortalidade materno-infantil. Há um conjunto de ações e projetos focados na promoção da saúde da mulher e da criança. Um dos principais projetos é o Qualifica SUS Ceará, que está mobilizando e capacitando os municípios para a reorganização da rede de atenção à saúde, com melhorias para toda a população, incluindo as gestantes. Outra ação é a Rede Materno-Infantil, que tem proposta de novas diretrizes para mudança do modelo da atenção aplicado ao parto e ao nascimento, além da capacitação de gestores e profissionais de saúde para fortalecer iniciativas de hospitais e maternidades à mudança do modelo assistencial, como a inserção de enfermeiros obstetras na assistência ao parto e nascimento, por exemplo, debatido no III Seminário de Aprimoramento da Enfermagem Obstétrica, realizado no dia 1º de agosto deste ano.

O Ceará é um dos oito estados brasileiros que integram o Projeto Zero Morte Materna por Hemorragias. De acordo com Silvana Napoleão, com a implantação do projeto regional, serão desenvolvidos planos de ação para o uso do traje antichoque não pneumático (TAN) em áreas remotas. O Estado receberá 60 destes trajes, de longa durabilidade, e os participantes serão capacitados para seu correto uso e funcionamento. “Os trajes são utilizados para garantir a continuidade do fluxo sanguíneo em órgãos vitais da paciente com hemorragia como o cérebro, coração e pulmão, até que ela seja transferida para um local que possa prestar a assistência necessária ou para que sejam adotadas outras medidas, na própria unidade de saúde em que ela estiver. O traje faz a compressão da pelve e de membros inferiores do corpo”, explica.

A supervisora do Núcleo da Saúde da Mulher, Adolescente e Criança, da Sesa, enfatiza que o traje especial é mais um recurso na prevenção à mortalidade materno-infantil: “no entanto, o combate à mortalidade materna, que é um dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, deve ocorrer antes do nascimento do bebê. O ideal é um pré-natal e procedimentos adequados no parto. Pela primeira vez o Estado vai contar com esse recurso, que é o traje especial. Mas a ideia é que ele seja uma alternativa utilizada somente quando for realmente necessário”.

Rede assistência materna estadual

Há quatro hospitais na rede pública do Governo do Estado que acolhem e atendem as gestantes. Desses, três ficam na capital: o Hospital César Cals, o Hospital Geral de Fortaleza e o Hospital José Martiniano de Alencar. O HGF tem emergência obstétrica que funciona 24 horas todos os dias. O Hospital José Martiniano de Alencar, há pouco de um ano, foi reformado e ampliado, com mais 10 berçários de médio risco garantidos aos recém-nascidos. O Hospital César Cals , no início deste ano passou a ter 20 novos leitos de UTI, construídos nos padrões da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e ainda 16 leitos de médio risco.  E a emergência obstétrica está com obras de ampliação e modernização sendo concluídas. Já no interior, especificamente na macrorregião Norte, as gestantes que precisam de assistência mais complexa são atendidas no Hospital Regional Norte, em Sobral, onde há 10 leitos de UTI neonatal e 30 berçários de médio risco.

Serviço:

Curso “Manejo obstétrico da hemorragia pós-parto e pós-abortamento”

Período: 1º e 2 de setembro de 2016
Local: Hotel Plaza Suítes – Rua Barão de Aracati, 94, Praia de Iracema
Horários: 8 às 17h30 (dia 1º) e 8h30 às 13 horas (dia 2)

Leia matéria: Ceará reduz mortalidades materna, infantil e fetal


Veja o boletim na íntegra sobre mortalidade materna

23.08.2016

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