Outubro Rosa: Mulheres ainda resistem a exame para diagnóstico de câncer de mama

4 de outubro de 2016

Em 2015, o Ceará realizou 124.971 exames de mamografia pelo Sistema Único de Saúde (SUS), na rede pública e conveniada. Desse total, 49.458, correspondentes a 39,57% dos exames, foram feitos nas 19 policlínicas regionais do Governo do Ceará. Este ano, de janeiro a julho, foram feitas 74.736 mamografias pelo SUS, 24.881 delas, 29,27% do total, nas policlínicas regionais. No mesmo período, a oferta de exames nessas unidades, de exatas 44.289 mamografias, representaram 59,26% dos exames feitos, mas apenas 31.765 foram marcados e 6.914 deixaram de ser realizados, absenteísmo de 21,76%. “Não faltam mamógrafos, falta conscientização das mulheres”, indica o médico oncologista e mastologista, coordenador do Comitê Estadual de Controle do Câncer no Ceará, Luiz Porto.

Essas são as preocupações do Movimento Outubro Rosa, que chega à sua oitava edição no Ceará com o propósito de alertar a sociedade em geral, os poderes públicos, serviços de oncologia e mais diretamente as mulheres sobre a importância do diagnóstico precoce, do acesso em tempo hábil aos serviços e a qualidade do atendimento. As bandeiras do movimento ganham ainda maior relevância diante do aumento da morte de mulheres por câncer de mama. “No mundo todo tem aumentado a mortalidade por câncer de mama”, confirma Luiz Porto. “Na proporção que a expectativa de vida aumenta, o risco também aumenta”, explica ele, para logo ressalvar: “incidência aumentar é normal; mortalidade, não”.

Conforme o médico, o aumento da mortalidade por câncer de mama, inclusive no Brasil e no Ceará, ocorre porque “o diagnóstico é feito, em mais de 50% dos casos, em estágio avançado da doença”. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), o câncer de mama é o tipo mais comum entre as mulheres no mundo e no Brasil, depois do de pele não melanoma, respondendo por cerca de 25% dos casos novos a cada ano. O câncer de mama também acomete homens, porém é raro, representando apenas 1% do total de casos da doença. Relativamente raro antes dos 35 anos, acima desta idade sua incidência cresce progressivamente, especialmente após os 50 anos. Estatísticas indicam aumento da sua incidência tanto nos países desenvolvidos quanto nos em desenvolvimento.

Luiz Porto aponta que em cada mil mulheres rastreadas, encontram-se três casos de câncer de mama. Ele conta que uma pesquisa realizada junto a 3,5 mil mulheres de Fortaleza encontrou 380 com alto risco de desenvolver a doença. Exames foram marcados para essas mulheres, mas só a metade compareceu. Os pesquisadores foram às casas das mulheres para investigar os motivos das ausências e as justificativas foram diversas e surpreendentes – medo do diagnóstico, medo de perder a mama, medo de perder os cabelos ou porque os maridos não permitiram a realização do exame por profissionais homens. O desafio é vencer a resistência das mulheres. Por isso Luiz Porto elabora projeto de capacitação dos agentes comunitários de saúde do Estado para o trabalho de conscientização e convencimento sobre a importância da mamografia e do diagnóstico precoce para reverter os indicadores de mortalidade de mulheres por câncer de mama.

O acesso a mamografias, um dos principais exames que ajudam no diagnóstico precoce, foi ampliado na rede pública do Ceará nos últimos cinco anos, com a abertura das policlínicas regionais, construídas pelo Governo do Ceará, e em funcionamento em 19 regiões de saúde, mantidas pelo Estado e os municípios através dos consórcios públicos. Em todas as 19 policlínicas há mamografias, facilitando o acesso das mulheres ao exame na região onde moram, sem precisar de deslocamento para a capital ou outras regiões mais distantes de casa.

Como todos os tipos de câncer, o da mama é caracterizado pelo crescimento descontrolado de células que adquirem características anormais. A patologia é classificada em diversos tipos e possui características e níveis diferentes de gravidade. Por isso é imprescindível o acompanhamento médico. A ordem do tratamento depende das condições em que o tumor foi diagnosticado. O primeiro passo é fazer o diagnóstico completo com análises clínicas e biópsia para descobrir se o tumor é benigno ou maligno. Então, o médico faz a indicação de cirurgia, quimioterapia e radioterapia ou das práticas combinadas, de acordo com cada caso.

 

04.10.2016

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