Saúde debate reinserção social e atenção à pessoa com transtorno mental

10 de outubro de 2016

“É importante debater a democratização da saúde mental e a inclusão social. O sofrimento psíquico está em todo e qualquer lugar”, afirmou o psicanalista Henrique Figueiredo Carneiro, professor adjunto da Universidade de Pernambuco, um dos palestrantes do IV Ciclo de Debates – Diálogos em Saúde Mental, realizado pela Secretaria da Saúde do Ceará, na manhã desta segunda-feira (10), Dia Mundial da Saúde Mental. O encontro ocorreu no auditório Waldir Arcoverde da Sesa e teve a participação dos profissionais da Atenção Primária, trabalhadores da Sesa, usuários do SUS, estudantes, Ministério Público e conselhos municipais e estaduais de saúde. Nesta edição, o tema do ciclo de debates foi “Desafios para emancipação do sujeito na Saúde Mental”.

De acordo com o psicanalista, é fundamental alertar os profissionais da saúde e a população sobre as oportunidades de promover as perspectivas de inclusão social da pessoa com transtorno mental, trabalhando o desenvolvimento não só dos espaços físicos, mas também dos espaços invisíveis, que envolvem o desejo, o saber, os sentimentos, as relações etc. “Quando eu falo de invisibilidade, eu estou falando de espaços subjetivos. Todos nós sofremos psiquicamente: por existir, por amar, seja qualquer que for a espécie de amor. Todos nós sofremos por algum motivo. Se nós não promovermos um avanço de abrir todo e qualquer espaço, não só físico, mas também imaginário, não acabaremos com o preconceito, com os estigmas”, ressaltou.

A reinserção da pessoa com transtornos mentais na família e na comunidade onde vive ainda é um desafio para os profissionais de saúde, as instituições de assistência à saúde mental e, especialmente, para o paciente e seus familiares. “Esse é o espaço que a gente deve respeitar: o espaço onde o sujeito age, fala, onde ele é. O lugar da atenção psicossocial é em todo e qualquer lugar”, enfatizou Henrique Carneiro. Para Isabel Porto, promotora de Justiça da Defesa da Saúde Pública, que também ministrou palestra durante o ciclo de debates, “a saúde mental é um universo complexo, muito delicado. A sociedade rejeita, a família também tem essa rejeição porque não quer aceitar”. Segundo a promotora, é importante acompanhar as internações, especialmente as involuntárias. “Nós temos que fazer o acompanhamento das internações involuntárias, monitorando os parentes, trabalhando com as famílias, dando o suporte necessário para o paciente”, falou.

O aposentado J.W.C.A, 58, há nove anos é acompanhado no CAPS Geral da Regional IV, em Fortaleza. O acolhimento e os cuidados dos profissionais da saúde ajudaram na recuperação dele, como também a vencer os preconceitos. “Depois de várias internações, fui encaminhado para o CAPS. Comecei o tratamento com o psiquiatra, medicações, terapeuta ocupacional e psicólogo. O vínculo com os profissionais é importante, ajuda na evolução do paciente. A pessoa com transtorno mental é capaz de viver com outras pessoas. Sou um sobrevivente, vivo o milagre da arte. Foi através da arte que aprendi nas terapias que me recuperei”, disse.

Ciclo de Debates

O Ciclo de Debates – Diálogos em Saúde Mental tem o objetivo de ampliar o acesso a informações sobre saúde mental para fomentar estratégias e desenvolver ações junto a diversos segmentos da sociedade como estímulo a práticas que promovam a inclusão social e garantir o acolhimento às famílias e o atendimento qualificado a pessoas com transtornos mentais. O encontro ocorre uma vez a cada mês, conforme o cronograma de datas comemorativas na Saúde Mental.

Rede de Atenção Psicossocial

No Ceará, há 131 Centros de Atenção Psicossocial (CAPS I, II e III, CAPS AD e CAPS i). O Centro de Atenção Psicossocial é um serviço de saúde aberto e comunitário do Sistema Único de Saúde (SUS), referência e tratamento para pessoas que sofrem com transtornos mentais, psicoses, neuroses graves e demais quadros, cuja severidade e/ou persistência justifiquem sua permanência num dispositivo de cuidado intensivo, comunitário, personalizado e promotor de vida.

10.10.2016

Fotos: Assessoria de Comunicação da Sesa

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