Colégio da PMCE na região do Cariri traz conquistas nacionais e internacionais para o Ceará

15 de dezembro de 2016

Em apenas 11 meses de existência, a instituição já coleciona 48 medalhas, sendo 23 de ouro e as demais de prata e bronze, premiadas em competições como a Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica, Mostra Brasileira de Foguetes, Olimpíada Internacional de Matemática, Olimpíada Nacional de Geografia, entre outros

Recebimento de títulos e prêmios que acompanham medalhas de ouro, prata e bronze, reconhecimentos a nível mundial, novos projetos e muitas histórias para contar. Este é o novo cenário estudantil vivenciado por mil crianças e adolescentes da cidade de Juazeiro do Norte. São os alunos do Colégio da Polícia Militar do Estado do Ceará Coronel Hervano Macedo Junior, implantado no município em janeiro de 2016. Com menos de um ano de funcionamento, a instituição que fica localizada na região do Cariri cearense, desenvolve um trabalho que leva seus alunos a romperem as fronteiras do Ceará e até do Brasil. Nesta quinta-feira (15), uma solenidade será realizada na escola, em alusão ao encerramento das atividades deste ano. O evento, marcado para as 19 horas, contará com a presença do governador Camilo Santana e do titular da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), Delci Teixeira, entre outras autoridades.

O Colégio da PMCE, no Cariri, funciona no antigo Centro de Referência Educacional Almirante Ernani Vitorino Silva, que, com 20 anos de existência, era uma escola de ensino regular do Estado – situado na Avenida Castelo Branco, 577, Bairro Pirajá. A primeira atividade no novo modelo educacional foi realizada no dia 02 de fevereiro deste ano, em uma solenidade de inauguração. Mas a mudança não ficou só no nome da escola. Chegou à vida dos alunos e de seus familiares e alcançou a comunidade. “Nós percebemos que a alta estima dos estudantes melhorou. Só em vestir o uniforme, já se sentem orgulhosos. Para eles, a farda não identifica só a instituição. Representa uma conquista”, avalia a tenente coronel Albanita Ferreira Lima, diretora do Colégio da PMCE no Cariri. Ela conta que o objetivo do trabalho desenvolvido na escola é mostrar aos alunos que eles têm condições de alcançar o sucesso. “Eles acreditam que podem conseguir o que querem e batalham por isso”, afirma.

Os principais reconhecimentos do novo modelo educacional não pararam dentro da PMCE. “Ao serem identificados pelo fardamento, eles (alunos) são elogiados pelas pessoas na rua”, detalha a diretora, ao citar que os estudantes são sinônimos de orgulho dentro e fora da escola. Em apenas 11 meses de existência, a instituição já coleciona 48 medalhas, sendo 23 de ouro e as demais de prata e bronze, premiadas em competições como a Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica, Mostra Brasileira de Foguetes, Olimpíada Internacional de Matemática, Olimpíada Nacional de Geografia e com trabalhos credenciados na Feira de Ciências no Estado do Pará – com classificação para nova etapa em Minas Gerais –, entre outras conquistas. A primeira medalha alcançada, de bronze, foi adquirida na Olimpíada Canguru de Matemática, no início do ano “e desde então a gente não parou mais”, celebra a comandante. Ela também comemora o recebimento do Prêmio Profissionais de Qualidade, entregue a ela pelo trabalho desenvolvido na escola, em reconhecimento pelos serviços prestados aos estudantes de Juazeiro do Norte.

“Esses resultados foram alcançados graças ao compromisso dos profissionais”, declara a diretora, ao frisar a importância da participação dos educadores neste processo. A instituição é formada por 52 professores, 26 militares, que atuam na gestão, coordenação de setores e monitoramento, e 14 funcionários de áreas gerais. Somados à diretora, são 93 profissionais dedicados ao ensino ofertado a mil alunos que estão distribuídos em cinco séries (8º e 9º anos do Ensino Fundamental e 1º, 2º e 3º anos do Ensino Médio) e 29 turmas. Além dos estudos convencionais e de participações em competições científicas e da área de ciências exatas, os estudantes também praticam jogos de mesa “e temos planos de montar um time de futsal”, revela a diretora.

Outro motivo de comemoração, não só para o Cariri, mas para todo o país, é a realização do sonho de Hiagor da Costa Carneiro (17), aluno do 2º ano do Ensino Médio do Colégio da PMCE, em Juazeiro. Ele foi o único representante do Ceará selecionado para integrar um grupo de 50 alunos brasileiros, aprovados entre 19 mil concorrentes, no Programa Jovens Embaixadores 2017, em que alunos de escolas de ensino público têm a oportunidade de representar o Brasil e conhecer autoridades em solo norte-americano. Hiagor participou de um rigoroso processo seletivo, dividido em oito etapas, e com o empenho para aprimorar seus conhecimentos orais e escritos na língua inglesa, venceu uma das principais exigências para se tornar um Jovem Embaixador. O estudante embarcará no dia 9 de janeiro de 2017 para Brasília, onde passará quatro dias destinados para a emissão de visto na embaixada americana.

Outro critério fundamental foi a iniciativa voluntária do aluno, voltada para a arrecadação e venda de materiais recicláveis. O dinheiro levantado por meio da ação é revertido em projetos na comunidade. Em 2013, o jovem representou o Estado na Conferência Nacional Infantojuvenil pelo Meio Ambiente, em Brasília. Na ocasião, Hiagor apresentou para a então presidente Dilma Rousseff e para a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, o projeto “Consciência e Ação: Óleo e Sabão”, que consiste na destinação correta do óleo de cozinha, já impossibilitado de ser utilizado. Na ação, o material era vendido em galões para indústrias fabricantes de sabão, no município de Juazeiro do Norte. Em seguida, o dinheiro era destinado para ações sociais, com crianças e jovens.

Os reconhecimentos são o resultado do trabalho diferenciado. “A escola ainda não havia participado de nenhuma olimpíada. Agora, estamos presentes em todas, sem falar nas outras competições. Além disso, modificações nas matérias como a separação das disciplinas de Português, Redação, Literatura, três aulas de História nas turmas dos 8º e 9º anos, a implantação do horário de estudo e a criação de mais uma aula todos os dias aperfeiçoam o aluno e representam um ganho pra nós”. A avaliação é da professora Simone Machado, que leciona a disciplina de História e trabalha na escola há seis anos. Outra novidade são as aulas de reforço escolar, focadas nas matérias nas quais os alunos encontram mais dificuldade e a implantação do 8º ano, que antes não existia. A educadora também declara que percebeu a presença mais atuante da família no ambiente escolar e que a chegada do Colégio da PMCE gerou muita expectativa. “A gente não conhecia como era o funcionamento de uma escola militar e Juazeiro ganhou muito com o colégio, eu vejo como uma conquista”, enfatiza.

“O objetivo era levarmos uma instituição de ensino militar que favorecesse os dependentes dos policiais militares, bombeiros, policiais civis e as pessoas que moram naquela região. Surgiu a oportunidade em uma parceria com a Secretaria da Educação e o nosso Colégio da Polícia Militar de Fortaleza assumiu esse desafio”, esclarece Delci Teixeira, titular da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS). De acordo com o gestor, Juazeiro do Norte possui um dos maiores efetivos da Polícia Militar e dos Bombeiros no interior do Estado, por isso a escolha do município para sediar a primeira escola militar estadual fora de Fortaleza.

Em dezembro de 2015, o secretário participou de uma reunião na escola. “Estivemos lá conversando com todos os alunos, os professores e os pais dos alunos para definirmos se realmente haveria essa aceitação (pela mudança na forma de administração da escola). E foi surpreendente a adesão da esmagadora maioria dos alunos e de seus pais, que queriam realmente o Colégio da Polícia Militar”, relembra o secretário, que também esteve em Juazeiro do Norte no dia 07 de setembro exclusivamente para ver o colégio da PMCE realizar seu primeiro desfile alusivo à data. “Foi muito bonito, foi gratificante vermos o orgulho estampado na face dos jovens que desfilavam pela primeira vez com a farda do colégio da Polícia Militar de Juazeiro”, comemora.

As mudanças também foram observadas no rendimento dos alunos. Alguns estavam com notas baixas no primeiro semestre deste ano. “Ainda no período de adaptação”, explica a diretora, que observou uma significativa melhoria nas notas e nas presenças em sala de aula. Por dia, a escola possuía uma média de 100 faltas. Este número caiu para seis ausências diárias. “Temos regras diferenciadas, que ajudaram na disciplina deles (estudantes). Hoje estão mais compromissados”, detalha a comandante, ao citar o testemunho de uma mãe, que declarou a notória mudança em sua filha: agora mais organizada e demonstrando mais respeito consigo e com o outro. “Uma coisa leva à outra. Eles (alunos) têm nossa atenção dentro e fora da escola. Se faltar orientação, eles fazem as próprias regras ou vivem sem elas. Alguns que eram indisciplinados já apresentam crescimento e buscam nossa orientação”, enfatiza a diretora.

O ano de 2016 será encerrado com conquistas e novos projetos – do Colégio e dos alunos. Alguns concludentes do 3º ano foram aprovados em universidades da região e outras centenas de estudantes aguardam encontrar seu nome na lista de aprovados no certame realizado neste final de semana, para o ingresso de novos alunos no Colégio da PMCE Coronel Hervano Macedo Junior. Foram abertas 290 vagas e com forte concorrência – uma média de 30 pessoas para uma vaga. Mas as boas mudanças continuam. “Existe um estudo para abrirmos novas séries”, revela a tenente coronel Albanita.

Preparação

A implantação do Colégio da PMCE na cidade de Juazeiro do Norte foi anunciada pelo governador Camilo Santana, em dezembro de 2015, e as atividades iniciaram em fevereiro deste ano. Mas os preparativos para este acontecimento se iniciaram bem antes. O primeiro passo foi a escolha da diretora. “Fui convidada pelo coronel Franco Neto (atual comandante adjunto da PMCE e, à época, diretor do Colégio da Polícia Militar do Ceará General Edgard Facó (CPMGEF), em Fortaleza)”, conta a tenente coronel Albanita, que antes também atuava no CPMGEF. Logo depois, encontros foram realizados com representantes da Secretaria de Educação do Ceará (Seduc), e da Coordenadoria Regional de Desenvolvimento da Educação (Crede) – órgão que coordena as instituições de ensino da região.

Depois de algumas reuniões, no segundo semestre do ano passado, a primeira visita foi feita à escola e uma reunião foi realizada com os pais dos alunos que já a frequentavam. “Eles (militares) se apresentaram com humildade e sempre deixaram claro que vieram para somar”, conta ainda a professora Simone. A aula inaugural foi realizada no dia 02 de fevereiro, na quadra da escola, com todos os alunos e a presença de autoridades do município, da região e de representantes religiosos.

O novo funcionamento começou no dia 08 de janeiro de 2016, mas devido ainda estar no encerramento do ano letivo anterior, não foi possível já dar início às novas atividades – o que veio acontecer no mês seguinte. Desde então, a instituição mudou a vida estudantil e o convívio social de centenas de crianças e adolescentes. Uma solenidade está prevista para acontecer no próximo dia 15, no colégio, em alusão ao encerramento das atividades de 2016.

14.12.2016

Assessoria de Comunicação da SSPDS
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