Políticas sobre Drogas: Projeto Corre Pra Vida recupera a vida de dependentes químicos

27 de dezembro de 2016

Tudo começou numa noite de farra, há oito anos. O jovem F.L.L, então com 26 anos, se sentia deslocado. Sob o pretexto de descontraí-lo, uma desconhecida lhe ofereceu crack. Ali, tinha início o seu martírio. Rapidamente, ele viciou-se na droga. Sua vida começou a desmoronar. Casado e pai de família, o rapaz literalmente destruiu seu lar à medida que passou a vender tudo o que tinha de valor para alimentar o vício.

Logo, veio a separação da esposa e dos filhos. F.L.L passou a residir com os pais. Mas, nada mudou. O jovem seguiu com o vício e pior: tornou-se agressivo. Por muitas vezes, ameaçou os genitores e chegou até mesmo a agredi-los. Como resultado, ficou preso por algum tempo. Na saída da prisão, não tinha para onde ir. Foi morar na rua. O bairro do Oitão Preto, em Fortaleza, área de elevada vulnerabilidade social, foi o espaço que escolheu pra viver, justamente pela facilidade maior de adquirir crack.

Através de trabalhos simples, como guardar e lavar carros, F. L.L conseguia algum dinheiro que logo era trocado pela droga. Ele admite que até chegou a praticar pequenos furtos para conseguir comprar crack. Ao se olhar no espelho, se via “no fundo do poço”, sem coragem para buscar a recuperação. Lá se foram sete anos de sua vida, longe dos filhos, distante dos pais e irmãos. Até chegou a ser dado como morto.

Em meio à solidão e ao abandono nas ruas, o jovem conheceu o Projeto Corre Pra Vida da Secretaria Especial de Políticas sobre Drogas (SPD). Foi no final do ano passado. Tudo aconteceu meio que por curiosidade. Ele viu o contêiner do projeto ao perambular sem rumo pelo Oitão Preto. No espaço, lhe ofereceram água, propuseram que tomasse um banho para melhorar a aparência. Profissionais especializados e redutores de danos fizeram o acolhimento. F.L.L. deu os primeiros passos para uma vida diferente.

O acolhimento no Corre Pra Vida fez o rapaz refletir. Era preciso resgatar a vida saudável, longe do vício. F.L.L. passou a receber acompanhamento. Mas, o processo é lento. É preciso força de vontade e apoio. O vício parecia mais forte. Diversas pessoas que querem parar de usar substâncias viciantes sofrem com esse processo. As recaídas são desanimadoras. As pessoas se sentem culpadas, ficam deprimidas. Assim, retomam o vício ainda com mais intensidade.

Ao sofrer um acidente e se ver sem apoio no difícil momento, o rapaz lembrou-se da acolhida no Corre Pra Vida. Buscou os profissionais e foi prontamente atendido. Decidiu, então, mudar de vida de uma vez. Primeiro, deixou as ruas. Agora, está em tratamento numa comunidade terapêutica. Há seis meses está ‘limpo’, não consome droga. Hoje, é monitor da instituição e, com o seu testemunho e experiência, ajuda outros dependentes químicos no processo de recuperação.

Mas, F.L.L. queria mais. A nova vida não estava completa. O Corre Pra Vida viabilizou a retomada da relação familiar. O projeto é capaz de reconstruir vínculos e salvar vidas, assim como relata o beneficiário. Dado como morto, o rapaz reviu os pais, irmãos e filhos. O reencontro foi no dia do seu aniversário de 34 anos, em novembro passado. Foi difícil conter a emoção. Com as duas mulheres com quem se relacionou e teve filhos, conversou, pediu perdão pelo passado, reconciliou-se. Todos ficaram em paz. A libertação das drogas é sua direção. Ele agradece a Deus e aos profissionais do Corre Pra Vida, a quem chama carinhosamente de anjos, pelo recomeço.

F.L.L. diz que, diante do acolhimento recebido, decidiu correr pra vida. O resultado não poderia ser melhor. Os anjos do Corre Pra Vida lhe deram a mão. “O caminho é longo, mas estou deixando o mundo das drogas graças ao apoio que recebi e sigo recebendo dia após dia. Nunca mais vou voltar às drogas. Até conquistei uma nova companheira, com quem pretendo seguir a vida sem vícios ao concluir o tratamento. 2017 marcará o meu completo recomeço”, garante, esbanjando confiança e fé em dias melhores.

A droga ficou pra trás. Mas, o rapaz segue recebendo o acompanhamento necessário. Afinal, a recuperação é um processo lento e contínuo.

Todos que fazem o Projeto Corre Pra Vida se orgulham de mais um passo no longo e árduo caminho da recuperação de um dependente químico. F.L.L. tornou-se mais um exemplo do trabalho desenvolvido em prol da recuperação da dependência química e de superação.

Mas, o grupo do Corre Pra Vida mantém-se atento, pois, como em outras doenças crônicas, a adicção acontece em ciclos, com controle e recaídas. Sem tratamento ou sem compromisso em atividades de recuperação, a adicção é progressiva e pode resultar em invalidez ou morte.

Através do Corre Pra Vida, a SPD reforça a missão de acolher a população em situação de rua ou em outros contextos de vulnerabilidade social, visando a reduzir os danos causados pelo uso de drogas e promover os direitos e a inserção nas políticas públicas de saúde.

27.12.2016

Fernando Brito
Repórter

Daniela Negreiros
Assessora de Comunicação da Secretaria Especial de Políticas sobre Drogas (SPD)
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Expediente imprensa 05dez 2016-01