A arte que transforma vidas

29 de dezembro de 2016

Programa Fortalecendo Minha Comunidade é sucesso no Vicente Pinzón

Elas faziam parte de um grupo de mulheres sem perspectivas de melhoria de vida. Moradoras do bairro Vicente Pinzón, em Fortaleza, a maioria não dispunha de fonte de renda própria. O sustento delas e dos filhos dependia exclusivamente dos companheiros. Outras, diante da carência, viram familiares envolvidos com drogas e enfrentavam a depressão. O desejo de um futuro melhor estava sempre presente, mas não sabiam por onde começar. Qual seria o primeiro passo? Quem poderia ajudá-las?

Há quem diga que as oportunidades multiplicam-se à medida que são agarradas. Assim, a oportunidade surgiu para cerca de 200 mulheres do Vicente Pinzón por meio da Secretaria Especial de Políticas sobre Drogas (SPD). O bairro foi priorizado pela pasta estadual para receber o Programa Fortalecendo Minha Comunidade (PFMC) por constituir-se no primeiro território do Pacto por um Ceará Pacífico, uma iniciativa coordenadora pela vice-governadoria do Ceará que abrange programas, projetos e ações voltadas para a prevenção à violência e redução da criminalidade.

Com o desembarque do PFMC na comunidade, a SPD viabilizou a oferta de cursos gratuitos de arte e costura, artesanato em biscuit, pintura em tecido, arte em mimos e bordado, levando perspectivas concretas de renda para as mulheres participantes. Além da capacitação, as beneficiárias também participaram de uma série de rodas de conversa e oficinas formativas sobre promoção da cidadania e prevenção ao uso de drogas sob a coordenação de técnicas da Secretaria. O grupo de mulheres favorecidas foi selecionado pela ONG União dos Jovens do Vicente Pinzón (UJVP), que apresentou projeto de ação comunitária à SPD.

Decorridos pouco mais de cinco meses da conclusão dos cursos, muitas das mulheres capacitadas em artesanato mostram que não guardaram o conhecimento para si. Ao contrário. Acreditaram e investiram no aprendizado, que transformou-se em ação e renda. Hoje, elas comemoram uma nova realidade e, com orgulho, se intitulam artesãs. Algumas delas, até mais que isso. Afirmam, com altivez, que são artistas e que não pretendem parar de criar mais e mais peças de artesanato. São trabalhos que chamam a atenção pela qualidade no acabamento, bom gosto, sutileza e beleza, evidência de que os mulheres aprenderam a usar as mãos para fazer arte.

A dona de casa Antonia Sousa da Rocha foi uma das beneficiárias e não disfarça a alegria. Ela se sentia presa em sua residência. Não enxergava uma vida melhor no futuro. A depressão incomodava e lhe tirava o ânimo. “Vi um cartaz chamando pessoas para o curso de artesanato gratuito e resolvi tentar a sorte. Hoje, sou uma artesão e melhorei a autoestima. Sai do isolamento e fiz novas amizades. Agora, vivo feliz, me sinto produtiva. Trabalho todos os dias criando novas peças de artesanato e tenho vendido bem. Já estou até participando de exposições em shoppings e terminais da cidade, mostrando mais o meu ofício. O curso oferecido pela Secretaria me proporcionou uma nova vida”, garante.

Társia Moreira de Oliveira já era costureira no Vicente Pinzón. Agora, releva com alegria: “Sou costureira e artesã. O curso de artesanato que a Secretaria promoveu aqui no bairro serviu para eu dar uma alavancada na minha vida. Aprendi uma nova profissão e, hoje, tenho duas formas de ganhar dinheiro e, assim, colaborar com as despesas da casa”. Por sinal, sua residência se transformou em local de exposição de suas peças. Ela garante que capricha na criatividade para agradar a clientela, que só tem crescido.

Dona Evilalba da Silva Sousa foi outra moradora do Vicente Pinzón que mudou de vida graças ao Projeto Fortalecendo Minha Comunidade. “Eu virei uma artesã e não largo mais esse ofício, que me deu a chance de melhorar de vida. Minha arte me ajuda a viver melhor e mais feliz”, diz, ressaltando que abriu um pequeno bazar para expor e vender as peças que produz. Como as outras novas artesãs descobertas no Vicente Pinzón, ela abusa de materiais recicláveis para produzir suas peças. “Agora, eu só penso em me aprimorar em artesanato e melhorar minha renda mensal”.

As três mulheres da comunidade e muitas outras são motivo de orgulho para a professora Maria Neci de Almeida. Mestra em artesanatos diversos, ela avalia que os cursos viabilizados pela SPD, através do PFMC, transformaram a vida de dezenas de famílias no Vicente Pinzón. “As pessoas beneficiadas estão mais alegres, com autoestima elevada, mais confiantes no futuro. Tudo isso, graças à oportunidade oferecida e abraçada pela comunidade”. A professora já anseia pela oferta de novas capacitações no bairro, favorecendo um público ainda maior.

Iniciativa pioneira da SPD, o Programa Fortalecendo Minha Comunidade caracteriza-se como um programa de apoio às ações efetivadas por ONGs, associações e entidades não públicas que tenham atuação comunitária e desenvolvam atividades na perspectiva da promoção da cidadania, prevenção e cuidado quanto ao uso de drogas. Com a realização do PFMC, a Secretaria visa fortalecer os fatores de proteção relacionados ao uso de drogas lícitas e ilícitas, bem como reduzir os fatores de risco.

O PFMC não estabelece o repasse de recursos financeiros às entidades contempladas. Estas recebem, diretamente, materiais, bens e serviços. Em contrapartida, fornecem relatórios mensais acerca da execução e desenvolvimento das atividades propostas nos projetos selecionados pela SPD. Em sua etapa inicial, este ano, o programa contemplou 38 projetos em 18 municípios cearenses. A avaliação do conjunto dos beneficiários de cada projeto é de que a iniciativa é um sucesso na medida em que pequenas oportunidades são, muitas vezes, o começo de grandes empreendimentos e de profunda mudança de vida.

29.12.2016

Fernando Brito
Redator

Daniela Negreiros
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