Intercaju: comunidade em Itapipoca ganha minifábrica para beneficiamento do fruto

3 de Janeiro de 2017

Iniciativa da Secitece, o projeto tem mudado a vida de vários produtores e “revigorado” a cajucultura cearense

 

“O cajueiro é uma árvore forte; assim como fortes são essas comunidades”, disse, emocionado, Francisco Carvalho, secretário-adjunto da Ciência, Tecnologia e Educação Superior do Ceará, durante a entrega de mais uma Unidade Familiar de Beneficiamento de Castanha e Pedúnculo do Caju, na comunidade Córrego dos Tanques/Torém, em Itapipoca.

O sonho, iniciado em uma conversa na sombra de um cajueiro no local que hoje abriga a unidade, agora transforma a realidade de várias famílias. A minifábrica recém-inaugurada no dia 21/12, em Torém, junta-se às 11 já entregues e que possuem estrutura e maquinários ideais para a fabricação de produtos derivados do caju.

O morador José Edilberto Alves, de 53 anos, vice-presidente da associação dos produtores, diz que o projeto Intercaju mudou a vida das famílias. Elas despertaram seu olhar para o aproveitamento de todo o caju, o que beneficiou a comunidade inteira por meio do aumento da renda.

“Antes do projeto, vendíamos a castanha para o atravessador a um preço baixíssimo e jogávamos o ‘resto’ do caju fora. Depois do Intercaju, a gente viu que estava desperdiçando aquilo. Hoje aproveitamos tudo! Fazemos cajuína, polpa de suco, doce, rapadura”, comenta José Edilberto.

Para ele, o Intercaju veio para melhorar a vida de todos. “Aquilo que a gente tinha como resto, agora aproveitamos e ganhamos dinheiro. Até a castanha, que antes era passada para um revendedor, hoje é beneficiada na própria comunidade”. O produto já sai embalado e etiquetado para a venda direta no comércio.

“Aquilo que a gente tinha como ‘resto’, agora é aproveitado e fica como renda para as famílias do assentamento”,diz José Edilberto Alves, de Torém/Itapipoca.

Para o jovem Lindemberg Alves, um dos principais pontos do Intercaju é a possibilidade dos jovens continuarem vivendo no próprio assentamento. “Vejo que o benefício do projeto é a perspectiva de que nossa juventude terá renda aqui mesmo, sem precisar ir para a capital”, orgulha-se.

No discurso de inauguração, o coordenador técnico do Intercaju, José Ismar Parente, enfatizou a importância da comunidade ter apostado na iniciativa e ter respondido bem ao projeto. “Sinto que vocês vão dar continuidade a todo esse trabalho. Vamos acompanhá-los para que sigam em frente e a cajucultura se revigore no Ceará”.

Hoje, os moradores realizam todo o beneficiamento da castanha, desde o corte, a secagem, a colocação da embalagem e a venda direta ao comércio.

Visitas às unidades já consolidadas

No mesmo dia da inauguração da unidade de Torém, a equipe da Secitece realizou visitas em duas unidades de beneficiamento já consolidadas nos municípios de Itapipoca e Itarema. No distrito de Batalha, os moradores já estão prospectando compradores para os produtos derivados do caju.

Manoel Apolinário da Rocha Júnior, 42 anos, presidente da Associação Comunitária da Batalha, diz que a “minifábrica” está começando a transformar a realidade dos moradores.

“Essa unidade de beneficiamento envolve grupos familiares e tem dado um grande incentivo para a produção de outros derivados do caju. Aqui em Batalha, 80% do território é coberto por cajueiros e o Intercaju nos mostrou que isso poderia gerar renda para a gente. Agradecemos muito pelo projeto ter feito a gente enxergar como é grande o nosso potencial”, declara Manoel.

O produtor Cláudio Pereira Braga, dá a receita da cajuína “Acaiju”, nome batizado pelos próprios moradores de Batalha. “A gente colhe o caju de manhã, retira a castanha para usar só o pedúnculo. Aí a gente lava, passa no moinho, coloca o líquido na vasilha, acrescenta a ‘gelatina’ para separar a ‘borra’ do líquido e depois coloca esse líquido no coador para filtrar quatro vezes. Depois a gente engarrafa e cozinha na fornalha por 5 a 6 horas, para depois pregar o rótulo”, conta feliz o produtor de 35 anos.

Produtores e equipe da Secitece na Unidade Familiar de Beneficiamento de Castanha e Pedúnculo do Caju em Batalha/Itapipoca.

Já na comunidade Cajueiro Encarnado, no município de Itarema, os produtos feitos pelos moradores deverão ser inseridos na merenda escolar, por meio de parceria com a Secretaria de Educação da cidade.

“Não tenho como colocar em palavras o que o projeto Intercaju significa para nossa comunidade. Ver as pessoas trabalhando aqui, envolvidas com a fabricação de todos os produtos, já demonstra tudo! Hoje conseguimos ter uma renda familiar boa até com uma safra ruim”, declara Berg Ferreira, de 24 anos, tesoureiro da “minifábrica” e um dos produtores.

A Unidade Familiar de Beneficiamento de Castanha e Pedúnculo do Caju em Cajueiro Encarnado fabrica cajuína, suco integral, polpa, mel, licor e doces nas variações tradicional, em calda e em pasta.

Maria Valnei Ferreira de Sousa, de 43 anos, define-se como “a mola-mestra” da unidade, já que lidera a equipe de fabricação dos produtos. “Aprendemos com os cursos oferecidos pelo Intercaju a gerenciar o local e até a trabalhar com outras culturas além do caju. Na entressafra, por exemplo, produzimos e comercializamos polpas e doces de acerola e manga”, orgulha-se. 

“Não tenho como colocar em palavras o que o projeto Intercaju significa para nossa comunidade”, Berg Ferreira, tesoureiro da unidade de Cajueiro Encarnado/Itarema.

Ao todo, o projeto Intercaju beneficia mais de 1500 moradores de comunidades dos Vales do Curu e Aracatiaçu, no Ceará. A iniciativa estimula a transferência de tecnologia entre os diversos elos das cadeias do caju e da apicultura, contribuindo para o aumento de renda e melhoria da qualidade de vida de produtores em 13 comunidades nos municípios de Amontada, Barreira, Bela Cruz, Cruz, Itapipoca, Itarema, Trairi e Tururu.

Por meio do projeto, que integra o plano de Desenvolvimento da Cadeia Produtiva do Caju (2014-2025), as comunidades já foram capacitadas em 86 cursos e oficinas de trabalho sobre diversos assuntos de interesse dos produtores das cadeias do caju e mel.

Além das 12 unidades familiares de beneficiamento de castanha de caju, o Intercaju já inaugurou quatro unidades de processamento de cajuína e três de extração de mel integradas a núcleos de apicultores, bem como realizou a instalação de quatro poços profundos para atender as inidades de produção.

Participaram da inauguração e das visitas às comunidades o secretário-adjunto da Secitece, Francisco Carvalho; a coordenadora de Ciência, Tecnologia e Inovação da Secitece, Sandra Monteiro; o coordenador técnico do projeto intercaju, José Ismar Parente, juntamente com o articulador Maurício Sousa.

03.01.2017

Cynthia Cardoso Fontenele
Jornalista | 1982 JP/CE
Assessoria de Comunicação – Secitece
85 3101-6466

Expediente imprensa 05dez 2016-01