#CearádeAtitude: A força do cearense na agricultura familiar

31 de Janeiro de 2017


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No próximo dia 7 de fevereiro, a Secretaria do Desenvolvimento Agrário do Estado comemora 10 anos de criação. Por isso, no Ceará de Atitude deste mês, conheceremos a história de Edinaldo Clementino, agricultor de Barreiras, Quixeré, que produz frutas e montou uma pequena fábrica de polpa movida a energia eólica

web 170118 SDA10 EDINALDO JW9553Filho  e neto de agricultores, Edinaldo Clementino nasceu e foi criado em Barreiras, na zona rural de Quixeré, município que faz fronteira com o estado do Rio Grande do Norte. Aprendeu desde cedo o ofício do cultivo de alimentos e, ao longo dos anos, viu a agricultura de subsistência evoluir para produção, comercialização e processamento de frutas na região.

R170118 SDA10 EDINALDO JW9766“Comecei a andar no campo aos oito, nove anos de idade. Na época, era agricultura de subsistência. Meu pai plantava para comer e trocava o que sobrava com os outros produtores do local. Não existia investimento do Governo e a gente ficava só esperando a chuva. Hoje, podemos fazer a nossa própria chuva e temos incentivo para o preparo da terra, perfuração de poços e financiamentos, além do escoamento e venda da nossa produção. Doze anos atrás não existia nada disso. Meu pai tem 80 anos e não viveu isso, mas está tendo a oportunidade de web 170118 SDA10 EDINALDO JW9793ver essa mudança”, conta, referindo-se à criação da Secretaria do Desenvolvimento Agrário há quase 10 anos, em 7 de fevereiro de 2007.

Hoje, aos 47 anos, Edinaldo produz frutas, principalmente acerola, vende os produtos in natura para empresas e moradores do município. Ele também ajuda a estimular a economia local comprando cajá, caju, manga, tamarindo e goiaba de outros pequenos produtores. Tudo isso para diversificar a produção de polpas na pequena fábrica que ele tem ao lado da casa do pai, o agricultor Francisco Guimarães.

“Tudo o que temos vem daqui, então
eu cuido da água, da terra.
Estamos reflorestando uma
parte do terreno com cedro.
Não temos interesse comercial
nenhum com isso, é apenas para
cuidar do local”.

Agricultor e empreendedor

R170118 SDA10 EDINALDO JW8940Edinaldo Clementino emprega seis pessoas na colheita das frutas e quatro na fábrica. Segundo ele, esses últimos cuidam das seguintes etapas: lavagem, despolpamento, envasamento, embalamento e congelamento. “Todos os dias, mil quilos de frutas passam por esse processo, o que dá uma média de 20 mil quilos por mês. A produção é vendida para o Estado, para o Município e para o comércio daqui e de cidades vizinhas”.

E o negócio segue crescendo. “Os projetos do Governo para a agricultura familiar têm o limite de R$ 20 mil por ano de faturamento. Isso era tudo para a gente, mas hoje é muito pouco, por isso estamos abrindo uma empresa. Queremos alcançar as web 170118 SDA10 EDINALDO JW9621grandes redes de supermercado, inclusive da Capital. Serei sócio da minha filha Paloma, que tem 23 anos e faz faculdade de Administração”, complementa.

Esse crescimento, ele explica, se deve também ao aproveitamento de todos os produtos e subprodutos do processo. “Essa é a melhor parte, nós não desperdiçamos nada. O resto das frutas é utilizado como ração para os animais. Além disso, serve como adubo juntamente com a palha da carnaúba”.

Desperdício também não existe quando se trata de água. “Aqui tem muita água no subsolo. Com o poço, tiramos a água para a fábrica e para irrigar a plantação. E reaproveitamos tudo. A água da lavagem das frutas volta para a irrigação”.


“Aqui é tudo 100% orgânico. Não temos certificação
ainda por questões burocráticas, mas tudo é natural.
Tiramos o controle das pragas da própria natureza,
que por sinal é bem mais barato e mais
saudável que qualquer produto”
.

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Inovação

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Edinaldo Clementino também é destaque em inovação na agricultura familiar. Ele instalou uma turbina de energia eólica na propriedade, produz energia limpa e reduz os custos. “Essa é a primeira miniturbina instalada na agricultura familiar no Brasil. Conseguimos financiamento e instalamos há dois anos. Pagamos, em média, R$ 800 de energia por mês, mas sem a energia eólica pagaríamos cerca de R$ 2 mil. Tem mês que não pagamos nada”, finaliza orgulhoso.

 


“Comecei a andar no campo aos oito,
nove anos de idade. Meu pai plantava para
comer e trocava o que sobrava com os outros
produtores do local. Não existia investimento
do Governo e a gente ficava só esperando a chuva.
Hoje, podemos fazer a nossa própria chuva”

A SDA

A Secretaria do Desenvolvimento Agrário (SDA) promove o desenvolvimento rural sustentável do Ceará, com ênfase nos agricultores e agricultoras familiares, com participação, inclusão e justiça social. A ideia é planejar, coordenar e executar, diretamente ou através das suas vinculadas, as ações do Governo para o desenvolvimento da agropecuária, mediante apoio à agricultura familiar, ao incremento do agronegócio, ao fortalecimento da agricultura de sequeiro e pecuária, à expansão da agricultura irrigada, com destaque para fruticultura, floricultura, olericultura, pesca e aquicultura.

A estrutura da SDA foi criada pela Lei nº 13.875 de 7 de fevereiro de 2007, na gestão do governador Cid Gomes. O primeiro secretário da Pasta foi o atual governador do Estado, Camilo Santana.

31.01.2017

Wania Caldas
Gestora de Célula / Conteúdo

Fotos: José Wagner / Gestor de Célula / Fotografia

Edição de Vídeo: Weberte Lemos / Gestor de Célula / TV

Expediente imprensa 05dez 2016-01