Serviço do Hospital Waldemar Alcântara melhora qualidade de vida dos pacientes

31 de Janeiro de 2017

Melhorar a qualidade de vida dos pacientes e torná-los mais independentes. Com esse intuito, o Hospital Geral Dr. Waldemar Alcântara, da rede pública do Governo do Ceará, através do Serviço de Atendimento Domiciliar (SAD), produz materiais artesanais para auxiliar na comunicação e no bem-estar dos pacientes atendidos pelo SAD. Idealizadora do projeto, a terapeuta ocupacional do SAD, Ítala de Brito, explica que fez adaptações com materiais de baixo custo, como arame galvanizado, látex e cano de PVC. “O objetivo maior é levar a independência funcional dos pacientes do SAD e, ao mesmo tempo, dar maior qualidade de vida para o cuidador”, detalha. Atualmente, o serviço atende a 201 pacientes em Fortaleza.

A jovem Erica Pereira, 15 anos, é uma das pacientes atendidas pelo serviço domiciliar do Waldemar Alcântara. Ela sofreu um acidente de motocicleta e perdeu os movimentos do corpo. Acompanhada pelo SAD há dois anos, a adolescente conta como os materiais desenvolvidos no hospital ajudam na rotina dela. Erica não abre mão de usar maquiagem e utiliza uma ferramenta feita a partir de látex e arame galvanizado para fazer os traços. O mesmo utensílio a ajuda a escrever.

“Agora consigo escrever com a mão direita. Foi muito bom porque desenvolveu melhor o movimento das minhas mãos”, afirma. Ela utiliza objeto semelhante para segurar a colher e se alimentar sozinha. “Aprendi a esticar o dedo e levar a comida até a boca”. Para ler e apoiar o celular, a adolescente usa uma mesa confeccionada com cano PVC. A mãe de Erica, Dalva Pereira, 38 anos, faz planos para que a filha volte a estudar. “Os materiais vão ajudar muito nos estudos dela, com certeza”, prevê.

altJá o paciente Ronaldo Lima da Silva, 47 anos, portador de esclerose lateral amiotrófica (ELA), uma doença rara e degenerativa do sistema nervoso, recebeu do SAD uma planilha de comunicação para interagir com os familiares. Quando precisa de alguma coisa, com uso do utensílio, Ronaldo faz sinais com os olhos para indicar a letra na planilha e formar as frases, viabilizando a comunicação. “Antes, a comunicação era difícil. Ele ficava muito angustiado. Com a planilha, melhorou 100%”, lembra a esposa do paciente, Maria Joelma Mendes, 40 anos. Quem levou o material para a família foi o irmão de Ronaldo, que recebeu as orientações da equipe do Hospital Waldemar Alcântara. Usando a planilha, o próprio paciente informou que utiliza o material desde que teve alta da UTI do hospital.

Premiação nacional

O uso dos equipamentos rendeu ao Hospital Geral Waldemar Alcântara o segundo lugar no Mapeamento de Experiências de Excelência no Cuidado à Pessoa Idosa no Contexto Domiciliar, iniciativa da Coordenação de Saúde da Pessoa Idosa, do Ministério da Saúde, ocorrida em dezembro. O reconhecimento veio com o trabalho “Desenvolvimento de estratégias de tecnologia assistiva para pacientes do Serviço de Assistência Domiciliar do Hospital Geral Dr. Waldemar Alcântara”, de autoria da terapeuta ocupacional Ítala de Brito.

O projeto e o trabalho do SAD foram apresentados em Brasília, em evento realizado entre os dias 12 e 14 de dezembro. “Tivemos a oportunidade de disseminar a experiência e trocar vivências com outros estados”, lembra a profissional. O Ministério da Saúde recebeu 39 inscrições de experiências realizadas por equipes de saúde que atuam em 11 estados brasileiros, com representatividade nas cinco regiões do país: Norte (1); Nordeste (6); Centro-oeste (6); Sul (10); Sudeste (16). De acordo com o Ministério da Saúde, o objetivo da iniciativa é mapear, conhecer e dar visibilidade a experiências e práticas bem-sucedidas no SUS, no cuidado à pessoa idosa no âmbito domiciliar, buscando seu potencial de inovação e indicando resultados alcançados e caminhos para sua ampliação.

Para Ítala de Brito, o SAD está iniciando alguns trabalhos em parceria com o curso de Engenharia Mecânica da UFC, visando elaborar novos materiais de baixo custo para produção de adaptações e órteses. Como é o caso da paciente Maria Joseneide Campelo, 57 anos, portadora de ELA. Ítala lembra que Joseneide utilizava um objeto feito de arame galvanizado, PVC e esponja piramidal, a fim de apoiar o pescoço e a coluna cervical. Por meio de parceria com a UFC e uma empresa privada, o SAD obteve um equipamento chamado levitar. Feito de metal, o dispositivo fica acoplado à cadeira de rodas, sustentando a cabeça. “É o primeiro equipamento do tipo usado em Fortaleza”, declara Ítala.

Sobre o SAD

De janeiro a dezembro de 2016, o Serviço de Atendimento Domiciliar admitiu 97 novos pacientes. O serviço tem a proposta de realizar a desospitalização de pacientes crônicos ou sequelados, que necessitam de apoio para retornar ao domicílio. É dividido em três núcleos de assistência: Programa de Assistência Domiciliar (PAD adulto), Programa de Assistência Ventilatória Domiciliar (PAVD adulto) e o Programa de Assistência Domiciliar Pediátrico (PAD pediátrico).

Para ser incluído no programa, o paciente deve estar internado, possuir domicílio em Fortaleza, ter a presença de um familiar ou cuidador responsável e ser dependente de cuidados especiais como: curativos complicados, sondas e estomas, fisioterapia, oxigenoterapia e suporte ventilatório invasivo e não-invasivo.


31.01.2017

Fotos: Assessoria de Comunicação do HGWA

Assessoria de Comunicação do Hospital Geral Waldemar Alcântara
Lusiana Freire
(85) 3216-8393

Expediente imprensa 05dez 2016-01