Filme “Trem da Alegria”, sobre o time de futebol dos anos 70, tem pré-estreia terça (14), no Centro Cultural Banco do Nordeste

10 de Fevereiro de 2017

O filme “Trem da Alegria – Arte, Futebol e Ofício”, mais recente produção do cineasta cearense Francis Vale, sobre o grande time de futebol dos anos 70, que partir do rio de Janeiro para correr o Brasil unindo esporte, amizade e debate político, tem pré-estreia nesta terça-feira, 14/2, às 14h, no Centro Cultural Banco do Nordeste. O filme conta com entrevistas produzidas em Fortaleza, na Bahia e no Rio de Janeiro, com grandes nomes do esporte e da música nacional, como o ex-jogador Afonsinho, o grande articulador do Trem da Alegria, que fez história como o primeiro atleta do futebol profissional brasileiro a conquistar o passe livre. Paulinho da Viola, Raimundo Fagner, Capinan, Abel Silva, Serginho Redes, além de Paulinho Boca de Cantor e Gato Félix, dos Novos Baianos, foram outros entrevistados.

A pré-estreia do filme, no Centro Cultural Banco do Nordeste, contará, após a exibição do longa-metragem de 80 minutos, com debate com Francis Vale, Afonsinho e Rodger Rogério, autor da trilha sonora do filme. A entrada é franca.

“O Trem da Alegria começou no início de 1975, num jogo na USP. Foi o primeiro jogo com um show também, uma marca do time, que sempre foi a confraternização, a festa, juntando futebol e música”, aponta Francis Vale.

“Depois o time foi se profissionalizando mais, digamos assim, jogando mais pra valer, com times do Interior, veteranos… Aí tinha dinheiro na jogada. Eles iam mediante um cachê, que, deduzidas as despesas, era dividido igualmente. Todo mundo ganhava igual. Nilton Santos, Garrincha, Dida, até o Fio Maravilha… Era aquela coisa do cara que parava de jogar e queria continuar batendo uma bola”, acrescenta o cineasta.

O Trem em Fortaleza

Francis Vale destaca que o Trem da Alegria veio a Fortaleza em setembro de 1975, disputando no Estádio Presidente Vargas, na Gentilândia, uma partida contra a seleção da Federação Universitária do Ceará. “Fagner participou do jogo e do show. O (violonista cearense Wilson) Cirino também veio com a caravana”, indica Francis, citando que a incursão do Trem pela capital cearense contou ainda com exposição de fotografias de Lena Trindade.

“Acompanhando o Paulinho da Viola tinha o maestro Copinha, o Nicolino Cópia, já com mais de 60 anos. Acompanhando o Moraes Moreira, tinha Armandinho, Vinicius Cantuária e Arnaldo Brandão, que depois formaram o grupo Hanoi Hanoi”, ressalta o diretor. “Tinha as mulheres também. Suely Costa, Amelinha e Teresinha de Jesus”, pontua, sobre as musicistas que participavam do Trem.

“Nessa mesma excursão eles passaram por Natal, Recife, pela Paraíba… Em Recife foram acolhidos pelo Dom Helder Câmara, ficaram no famoso Seminário de Olinda”, detalha o cineasta, destacando o papel de Afonsinho na manutenção do time, que continua em atividade até hoje, mesmo com reuniões mais esparsas.

“O Afonso é realmente um herói brasileiro. Um cara fora de série. Não tem igual. O público ficava um pouco sem entender aquela história, essa junção de coisas que o Afonso conseguiu, de misturar futebol com música e outras artes, fotografia, cinema… Eles assistiam a filmes como o ‘Passe livre’, um média metragem feito sobre a história do Afonsinho, a luta pelo passe, e a outros filmes, sobre o Cartola, a Rádio Nacional, o Nelson Cavaquinho…”, recorda Francis Vale.

“Já a coisa mais política não era explícita, mas havia as conversas, nas sombras, como precisava ser. Eles explicam no filme como mantinham o debate político, apesar dos perigos da época”, acrescenta.

O jogo continua

Francis Vale considera que o filme cumprirá um papel importante, de levar às gerações mais novas a história do Trem da Alegria e de contribuir para redimensionar o papel histórico dessa experiência de música, futebol, amizades.

“É também um registro da história do grupo, que continua se reunindo pelo menos uma vez por ano, no 1o. de maio. Agora está sendo em Paquetá. Sempre com o jogo e com músicas. No mais recente teve oito times, um torneio! Times da Mangueira, da Portela, a mistura com as escolas de samba…”, enumera. “É uma coisa mais esporádica, mas mantendo o espírito do trem. A festa, a alegria, a música, a batucada. A festa continua”.

SERVIÇO:

PRÉ-ESTREIA do filme “Trem da Alegria – Arte, Futebol e Ofício”, de Francis Vale, em Fortaleza.

Terça-feira, 14/2, às 14h
No Centro Cultural Banco do Nordeste (Rua Conde D´Eu, 560, Centro). Entrada franca.
Informações: 3464-3108.

10.02.2017

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