Hospitais convidam mães para doarem leite materno antes do Carnaval

20 de Fevereiro de 2017

Juntos, o HGF e o Hias têm 69 bebês internados que dependem do leite materno para se recuperarem, dos quais 35 no HGF e 34 no Hias

 

Doar leite materno é um ato de amor. Entretanto, em vésperas de feriados prolongados como o Carnaval, as doações costumam cair. Essa redução já é constatada no Hospital Infantil Albert Sabin (Hias) e no Hospital Geral de Fortaleza (HGF), ambos da rede pública de saúde do Governo do Ceará. Juntas, as unidades têm 69 bebês internados que dependem do leite materno para se recuperarem, dos quais 35 no HGF e 34 no Hias.

Segundo o médico responsável pela Unidade de Médio Risco do Albert Sabin, Fernando Benevides, as crianças que utilizam essas doações são bebês cirúrgicos, prematuros ou que sofrem de alguma síndrome. “Temos 22 bebês somente aqui no Médio Risco e eles precisam do leite humano como fonte importante para aumentar a resistência e para evitar uma coisa que hoje está muito frequente: a alergia à proteína do leite”, afirma. Os outros 12 bebês pacientes do Hias estão internados na UTI Neonatal.

De acordo com Fernando Benevides, o leite humano é um imunomodulador natural, ou seja, aumenta a imunidade e resistência dos bebês. “Não tenham dúvida de que a melhora deles é mais rápida com esse leite. Não só a melhora, como também o ganho de peso e o tempo da permanência hospitalar, que acaba sendo reduzido”, ressalta o médico. Para trabalhar confortavelmente durante o ano atendendo todas as crianças que dependem do Banco de Leite Humano do Albert Sabin, seria necessária uma base de doações semanais que somassem 30 litros. O equivalente a 120 litros por mês. Mas o número não tem sido alcançado.

No Hospital Geral de Fortaleza, a situação não é diferente. Atualmente, 35 recém-nascidos estão internados na UTI Neonatal e, assim como no Albert Sabin, são bebês prematuros, com má formações ou doenças graves que necessitam não só de cuidados médicos especiais, mas essencialmente de leite materno para uma recuperação saudável. As doações são de extrema importância para manter o estoque de leite sempre suficiente para alimentar todos os bebês internados, inclusive durante os feriados prolongados. Nesta segunda-feira (20), o estoque do Banco de Leite Humano do HGF, está com apenas sete litros de leite.

Doadoras

As mães que acompanham os filhos e filhas internados também podem ser doadoras. Elas podem estocar leite para seus respectivos bebês e também doar uma parte para os demais. Muitas delas, no entanto, são afetadas pelo estresse da internação e não conseguem produzir leite, sendo preciso contar com a solidariedade de outras mulheres.

banner hgf me uti neoÉ o caso da Maria Beatriz, de 18 anos, mãe de primeira viagem. Ela teve um casal de gêmeos em 31 de dezembro de 2016. Mas devido às complicações sofridas após uma gestação de apenas 25 semanas, um dos bebês não resistiu. A outra criança ainda está na UTI lutando pela vida e precisa de leite materno diariamente.

“Eu tenho reunido forças para continuar, pois a Alice só tem um mês e 20 dias, e como não tenho leite suficiente para ajudar na recuperação completa dela, eu dependo da ajuda de outras mães. Por isso, é tão importante que outras mulheres possam doar e nos ajudar”, declara.

banner carnaval doacao leite2 2017A psicóloga Nayana Almeida Cruz de Valões é doadora das duas unidades: HGF e Hospital Albert Sabin. “Doei um período para o HGF, agora estou doando para o Hias”, disse ela, complementando, “sei que às vezes pode ser difícil tirar o leite, mas é uma forma de ajudar e só pode ser feito no momento da amamentação.”

Nayana disse ter facilidade para produzir leite para a filha Júlia, de 4 meses, e achou que doar uma parte do leite que produz seria uma boa opção. “A gente pode cuidar do nosso bebê e de outros também”, destaca a psicóloga.

Pasteurização do leite

Qualquer mulher em boas condições de saúde que amamente e queira ser doadora pode ligar para o 3101.3335 (HGF) ou para o 3101.4189 (Hias). O Albert Sabin disponibiliza ainda o número 0800-280.4169 para ligações. Em ambas as unidades, equipes estão de prontidão para orientar as doadoras no manejo do leite materno, o qual pode ser coletado na casa da lactante sem a necessidade de deslocamento da mãe. A coleta do leite doado é feita gratuitamente em domicílio.

A maioria das mulheres que amamentam produz mais do que o necessário para alimentar o bebê, especialmente do terceiro ao quinto dia após o parto. A produção do leite depende do esvaziamento da mama e, quanto mais a mulher faz isso, mais leite ela será capaz de produzir. Para estocar, podem ser utilizados vidros de café solúvel esterilizados. O leite deve ser conservado no congelador por até 10 dias. E caso seja descongelado, não pode ser congelado novamente.

O leite doado, quando chega ao hospital, passa por um rigoroso processo de pasteurização (tratamento térmico para manter a qualidade e destruir microrganismos que causam doenças), que é precedido por análises físico-químicas e microbiológicas. Todo o processo de pasteurização leva em torno de 48 horas. Só então é liberado para o consumo dos bebês. O leite materno ajuda a reduzir a mortalidade dos bebês. Além disso, protege contra infecções e outras enfermidades.

Benefícios para a mãe e para o bebê

Na amamentação, os bebês recebem os anticorpos da mãe para proteção contra infecções, principalmente diarreia e pneumonia. O leite materno diminui ainda alergias e obesidade. Além disso, está relacionado ao desenvolvimento da inteligência do bebê. Amamentar também é importante para a saúde da mulher. O sangramento após o parto é menor, assim como os riscos de desenvolver anemia. A mulher também corre menos riscos de câncer de mama, ovário, e ainda de diabetes e infarto. Além da mãe que amamenta, toda a rede familiar pode apoiar o aleitamento.

Serviço:

Banco de Leite do Hospital Infantil Albert Sabin
Atendimento: segunda a sexta-feira, das 7 às 17h
Rua Tertuliano Sales, 544-B, Vila União, Fortaleza
0800 280-4169
blh@hias.ce.gov.br

Banco de Leite Humano do Hospital Geral de Fortaleza
Atendimento: segunda a sexta-feira, das 8 às 16h
Rua Ávila Goulart, 900, Papicu, Fortaleza
(85) 3101-3335

20.02.2017

Assessora de Comunicação do Hias
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Expediente imprensa 09jan 2017-01