Cocó: regulamentação dá novos rumos ao parque

1 de junho de 2017

Fotos: José Wagner e Ariel Gomes / Governo do Ceará Caio Faheina Repórter / Célula de Reportagem

O governador Camilo Santana assina decreto neste domingo (4) que torna o parque uma Unidade de Conservação de Proteção Integral. Medida é esperada há quatro décadas

Após 40 anos, o Parque do Cocó será regulamentado neste domingo (4), tornando-se um dos maiores espaços verdes em áreas urbanas do mundo. Com o ato, que será assinado pelo governador Camilo Santana, o parque cearense vai superar, em tamanho, o Parque Ibirapuera, de São Paulo, e o Central Park, de Nova Iorque.

O atual projeto vai adequar uma área de 1.571 hectares como Unidade de Conservação de Proteção Integral segundo o Sistema Nacional (Snuc), indicando que o parque deve ser de posse e domínio público. A medida prevê o controle e a preservação do que é considerado o pulmão verde de Fortaleza e dá maior embasamento à atuação da gestão ambiental, policial e de fiscalização e monitoramento da área.

De acordo com o secretário do Meio Ambiente, Artur Bruno, grupos especializados no tema se reuniram nos dois últimos anos para acelerar o processo de regulamentação do espaço, que atravessou governos e décadas. O Grupo de Trabalho do Rio Cocó (GT Rio Cocó), coordenado pela equipe técnica da Secretaria do Meio Ambiente (Sema), e o Fórum Permanente pela Regulamentação do Cocó, que agrupa 25 entidades públicas e não governamentais, foram os responsáveis pelas pesquisas.

“Após os estudos, foram incluídos no projeto, por exemplo, áreas como a Barragem do Cocó e outras áreas nas margens do rio. O governador entendeu que é importante incluir bairros mais populares (no entorno da Unidade de Conservação)”, pontuou Bruno. Ainda segundo o titular da Sema, com o decreto, os laços afetivos da população com a Capital vão se estreitar. “A criação do Parque do Cocó é uma luta que tem 40 anos. É uma conquista da sociedade. Queremos criar um sentimento de pertencimento, de amor ao parque, para que a população possa preservar junto com o governo esse belo equipamento daqui para frente”, enfatizou.

Um parque de memória e afetos

“Eu chego no Cocó, todos os dias, desde agosto de 1991”, rememora o tenente Araújo, ex-membro do que fora o Pelotão Ecológico, hoje Batalhão de Polícia Militar Ambiental. Os cabelos grisalhos revelam os quase 26 anos de vida no parque – destes, 23 foram no policiamento do bosque, que também inclui o rio. Aos 53 anos, Araújo atualmente busca manter próxima a vida que habita no mangue. Dele e de quem mais desejar. De terça a domingo, desde início de 2016, o tenente realiza passeio de barco pelo trecho do rio que compreende as avenidas Sebastião de Abreu e Santana Júnior.

Segundo Araújo, mais de três mil visitantes já navegaram por ali, conheceram plantas, bichos e sentiram a tranquilidade do parque, com vista para o corre-corre dos carros na Cidade. E o número de pessoas, ele projeta, deve aumentar com a regulamentação da poligonal. “Se ele vem melhorando ao longo do tempo, é possível melhorá-lo ainda mais. Com o decreto agora, ele vai dar o salto de qualidade que merece”, reconhece o oficial, que viu o verde saltar dos tímidos 10 hectares, perímetro do Parque Adahil Barreto, para o que se vê hoje.

O bosque, Araújo acrescenta, não é espaço para problemas. “Sair daqui com qualquer pensamento ruim é impossível”, argumenta. E dialoga consigo: “Gosto de estar aqui. Isso aqui, pra mim, é o paraíso. Melhor local do mundo é o Cocó. Só pretendo sair daqui quando não tiver mais condição de andar. Enquanto tiver, vou estar por aqui”.