Agosto Dourado: leite materno ajuda no tratamento de crianças com alergias

3 de agosto de 2017 # # #

Cristiane Bonfim/ Marcus Sá / Helga Rackel - Assessoria de Comunicação da Sesa - (85) 3101.5221 / 3101.5220
Fotos - Assessoria de Comunicação da Sesa

O leite materno é o melhor e mais completo alimento para o bebê e também protege a criança contra infecções, anemia e obesidade, por exemplo. Até os seis primeiros meses, o bebê não precisa de complementos na alimentação, como suco, chá, água ou outro tipo de leite. “Não existe leite fraco, o leite materno é suficiente para suprir as necessidades calóricas e de desenvolvimento da criança”, afirma o psicólogo Agno Lima, que atende no Programa de Alergia à Proteína do Leite de Vaca (APLV), do Centro de Saúde Meireles (CSM), unidade da rede pública do Governo do Ceará.

Em julho deste ano, 264 atendimentos foram realizados pela equipe multidisciplinar do Programa de APLV. Destes, 13 mães foram atendidas pela primeira vez e passaram a dar o leite materno como alimento exclusivo para seus filhos. O serviço especializado não apenas garante o tratamento de crianças alérgicas à proteína do leite, como também orienta as mães sobre a importância do aleitamento materno para a saúde do filho. “O programa é para atender a pacientes alérgicos, não é apenas para dispensar fórmula. O atendimento multidisciplinar fortalece a mãe quanto à dieta, conseguindo tirar o leite de fórmula para ficar só na amamentação, quando possível”, ressalta a nutricionista Rochele Riquet.

A fisioterapeuta Daniella Girão de Barros Castelo Branco, 31, descobriu que o filho José Márcio, de 3 meses, era alérgico quando percebeu o surgimento de uma assadura severa no bumbum dele. “A assadura apareceu quando ele tinha 15 dias de nascido. Levei à pediatra, ele fez o exame de fezes, e então foi diagnosticada a alergia não só à proteína do leite de vaca, como também a peixe, soja e trigo”, conta. A primeira consulta do José Márcio no Programa de APLV ocorreu nesta quinta-feira, 4. Enquanto aguardava o atendimento, Daniella acalentava o filho. “Eu gosto de amamentar. Preferia não partir para o complemento, mas o que incomoda é a restrição”, desabafa.

 

Leite materno é alimento seguro

A alergia à proteína do leite de vaca é o tipo de alergia alimentar mais comum nas crianças até vinte e quatro meses e é caracterizada pela reação do sistema imunológico às proteínas do leite, principalmente à caseína (proteína do coalho) e às proteínas do soro (alfa-lactoalbumina e beta-lactoglobulina). O leite materno é apropriado para a maioria das crianças com alergia ao leite de vaca e deve ser sempre estimulado como primeira opção. O surgimento da alergia alimentar depende de diversos fatores, incluindo a hereditariedade, a exposição às proteínas alergênicas da dieta, a quantidade ingerida, a frequência, a idade da criança exposta e, ainda, o desenvolvimento da tolerância. A amamentação é bastante eficiente na prevenção à alergia ao leite de vaca e também para o desenvolvimento da tolerância oral aos alimentos.

A nutricionista Rochele Riquet explica que nem todas mães necessariamente precisam passar por dietas de exclusão para dar continuidade à amamentação. No Centro de Saúde Meireles, o acompanhamento à mãe é personalizado e o tratamento da criança, individual. “Depende de cada caso. Nem toda mãe precisa mudar a dieta para continuar a amamentar. O aleitamento materno ajuda na prevenção de qualquer tipo de alergia alimentar. A introdução precoce da fórmula pode desenvolver a alergia”, diz.

Como foi o caso da dona de casa Diana Bibiana Rodrigues, 34. Aos cinco meses, o filho Paulo Sérgio tomou leite de fórmula para o desmame do leite materno. Como a licença maternidade estava prestes a encerrar e breve ela retornaria ao emprego, Diana se preocupou em garantir que o filho continuasse se alimentando e sem dificuldades. Mas a introdução precoce do leite em pó e sem orientação médica provocou o surgimento da alergia. “Ele tomou e teve reação imediata. Intoxicou a boca, ficando com manchas vermelhas ao redor dos lábios, e irritou os olhos, dando coceira”, relata. Diana não voltou mais a trabalhar para se dedicar aos cuidados do filho. Aos dois anos de idade, Paulo Sérgio ainda é amamentado pela mãe. E apesar da alergia à proteína do leite de vaca do menino, Diana não tirou a mama porque entende o quanto o leite humano é importante para o tratamento e o desenvolvimento dele. “Coisas que ele não pode comer em uma festa, eu dou o leite. Ele melhorou bastante, mesmo sem eu estar com dieta de exclusão de derivados do leite de vaca”, diz.

A troca de olhares e o desenvolvimento afetivo que o ato de amamentar proporciona são tão fundamentais quanto os nutrientes do leite materno. A amamentação traz benefícios não só para o bebê como também para a mãe.

 

Benefícios do aleitamento materno

Para o bebê
– O leite materno tem tudo o que o bebê precisa até os 6 meses, inclusive água, e é de mais fácil digestão do que qualquer outro leite, porque foi feito para ele.
– Funciona como uma verdadeira vacina, protegendo a criança de muitas doenças.
– Além disso, é limpo, está sempre pronto e quentinho.
– A amamentação favorece um contato mais íntimo entre a mãe e o bebê.
– Sugar o peito é um excelente exercício para o desenvolvimento da face da criança, ajuda a ter dentes bonitos, a desenvolver a fala e a ter uma boa respiração.

Para a mãe
– Reduz o peso mais rapidamente após o parto.
– Ajuda o útero a recuperar seu tamanho normal, diminuindo o risco de hemorragia de anemia após o parto.
– Reduz o risco de diabetes.
– Reduz o risco de câncer de mama e de ovário.
– Pode ser um método natural para evitar uma nova gravidez nos primeiros seis meses desde que a mãe esteja amamentando exclusivamente (a criança não recebe nenhum outro alimento) e em livre demanda (dia e noite, sempre que o bebê quiser) e ainda não tenha menstruado.

Serviço:

Programa de Alergia à Proteína do Leite
Atendimento: De segunda a sexta-feira, das 8 às 12 horas e das 13 às 17 horas
Local: Centro de Saúde Meireles – Av. Antônio Justa, 3113, Meireles
Informações: (85) 3486-6288