Capacitação inclusiva modifica participação de deficientes no mercado de trabalho

21 de setembro de 2017 # # # #

Carlos Eugênio Saraiva - Secretaria do Trabalho e Desenvolvimento Social - STDS
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Sheyla Castelo Branco e Lia de Paula - Fotos

Na quarta matéria da série sobre o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, celebrado hoje (21), apresentamos histórias e ações de inclusão no mercado de trabalho

Na quarta matéria da série sobre o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, celebrado hoje (21), apresentamos histórias e ações de inclusão no mercado de trabalho

O último Censo Demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta que cerca de 2,3 milhões de cearenses apresentam alguma deficiência, seja física, auditiva, visual, mental ou múltipla. O dado representa 27,69% dos 8,4 milhões de habitantes do Estado, terceiro maior em número de pessoas com deficiência, atrás do Rio Grande do Norte e da Paraíba. No Brasil, 45,6 milhões de pessoas ou 23,92% da população tem algum tipo de incapacidade para ver, ouvir, mover-se ou alguma deficiência física ou intelectual. Trabalhadores com deficiência representam cerca de 23% do total de ocupados no País.

Fernanda Lima Peixoto, universitária de 25 anos, faz parte desse grupo e, este ano, entrou para o mercado de trabalho formal. “É a primeira vez que tenho um emprego com carteira assinada. Consegui o trabalho por meio do Cepid. Fui bem recebida, tive toda a orientação e só posso dizer que o Centro é nota 10”, explica a assistente administrativa e estudante do terceiro semestre do curso de Recursos Humanos. Fernanda é deficiente física e como tantas outras pessoas que passam pelo Centro de Profissionalização Inclusiva para a Pessoa com Deficiência (Cepid) é marcada pela luta e pela perseverança de quem lida com barreiras físicas e atitudinais no dia a dia. Celebrado hoje, 21 de setembro, o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência evidencia essa urgência de transpor obstáculos e fomentar iniciativas que insiram essas pessoas no mercado de trabalho.

“Mais do que qualificar profissionalmente e encaminhar para o mercado de trabalho jovens e adultos com deficiência, promovemos e estimulamos, através do Cepid, a prática desportiva e a socialização das pessoas. É muito valioso integrar uma pasta que tem a tarefa de coordenar esta unidade”, destaca o titular da Secretaria do Trabalho e Desenvolvimento Social (STDS), Josbertini Clementino, ao antecipar que o Cepid será palco, no próximo dia 29 de setembro, do Dia D de Contratação de Pessoas com Deficiência. Em 2016, foram captadas para o evento 564 vagas de emprego, 426 pessoas foram atendidas e 217 garantiram uma vaga no mercado de trabalho.

Na quarta matéria da série sobre o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, celebrado hoje (21), apresentamos histórias e ações de inclusão no mercado de trabalho

Inclusão gerando resultados

Até setembro de 2017, em todo o Ceará, a STDS, por meio do Sine/IDT, colocou no mercado de trabalho 1.198 pessoas com deficiência, das quais 213 têm deficiência auditiva, 734 com deficiência física, 145 apresentam deficiência visual e oito têm deficiência mental ou intelectual. Em 2016, foram inseridos 1.647 trabalhadores com algum tipo de deficiência.

Equipamento gerido pela STDS, o Cepid atende às demandas de pessoas com deficiência por formação, qualificação e inserção no mercado de trabalho, ofertando serviços também à população em geral. Desde sua criação em 2014, a unidade cadastrou um total de 7.355 pessoas, das quais 2.911 são pessoas com deficiência. Os cursos de qualificação, nas modalidades presencial e à distância, beneficiaram 2.558 pessoas e 854 foram inseridas no mercado de trabalho. Só em 2017, 1.676 pessoas foram cadastradas pelo Centro, das quais 757 têm deficiência. O Cepid também qualificou 213 jovens e adultos com deficiência de 532 inscritos e inseriu 170 profissionais com deficiência no mercado de trabalho.

A reserva legal de cargos, também conhecida como Lei de Cotas (art. 93 da Lei nº 8.213/91) estabelece a obrigatoriedade de empresas com 100 ou mais empregados preencherem uma parcela de seus cargos com pessoas com deficiência, em proporções que variam de acordo com o número de empregados: até 200, a reserva legal é de 2%; de 201 a 500, de 3%; de 501 a 1.000, de 4%; e acima de 1.001, de 5%.

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O Cepid

A unidade, localizada na Barra do Ceará, em Fortaleza, oferece serviços de orientação psicossocial, por meio de equipe multidisciplinar; cursos de formação e qualificação nas áreas de Indústria, Comércio e Serviços, de acordo com as demandas do mercado e as necessidades das empresas; intermediação para o mercado de trabalho; acompanhamento periódico das pessoas com deficiência inseridas nos postos de trabalho; ações de sensibilização nas empresas para o trato com as pessoas com deficiência.

Na área do esporte, o Cepid atende, em média, 150 atletas por ano, em modalidades como basquete em cadeiras de rodas, natação, futsal de cinco para deficientes visuais, futebol em cadeiras de rodas e tênis de mesa, gerando resultados favoráveis, como a convocação de atletas do basquete e do futebol em cadeiras de rodas para suas respectivas seleções brasileiras.

O Cepid é um ambiente acessível equipado com piso tátil direcional e de alerta, assentos nos chuveiros, rampas e elevador de acesso, barras de apoio, mesas para cadeirantes nas salas de aula, além de área de convivência com cafeteria, salas de aula climatizadas, laboratórios de informática, salas de atendimento individual, auditório com capacidade para 80 pessoas, piscina acessível, quadra poliesportiva e academia de baixo impacto ao ar livre.

Os interessados em participar de atividades no Cepid devem ter a partir de 16 anos de idade e precisam realizar um cadastro para o qual é solicitado RG, CPF, comprovantes de residência e de escolaridade. Feito o registro, os novos inscritos são submetidos a uma entrevista com psicólogo e/ou assistente social e encaminhados aos serviços de seu interesse.

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Qualificação cidadã

O Projeto Primeiro Passo, em parceria com o Instituto Cearense de Educação de Surdos, está qualificando 20 jovens com deficiência auditiva no curso de Assistente de Comércio, na linha de ação Jovem Aprendiz. A turma, iniciada em agosto passado, está na fase de capacitação teórica e a STDS já viabiliza junto às empresas as vagas para inseri-los no mercado e garantir a qualificação prática.

O Jovem Aprendiz capacita estudantes da 3ª série do Ensino Médio noturno ou que já tenham concluído. Os jovens, que devem ter entre 16 e 22 anos, são qualificados em cursos de iniciação profissional e, simultaneamente, inseridos em empresas privadas. Com duração de um ano, os inscritos nesta linha recebem do projeto fardamento, lanche, material didático e são remunerados pela empresa. (Lei de Aprendizagem nº 10.097 de 19/12/2000).

A série

A melhora da qualidade de vida de crianças e adolescentes com deficiência atendidas pela rede de atenção à saúde são o tema da penúltima matéria da série especial da Semana de Luta da Pessoa com Deficiência, que será veiculada amanhã.

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