Pessoas com deficiência têm atendimento especializado na Saúde

23 de setembro de 2017 # # #

Cristiane Bonfim e Luciana Castro - Assessoria de Comunicação da Sesa

São unidades do Governo do Ceará, como o Centro de Especialidades Odontológicas do Centro de Fortaleza e o Hospital Geral Dr. Waldemar Alcântara, onde pessoas com deficiência têm atendimento humanizado e especializado.

São unidades do Governo do Ceará, como o Centro de Especialidades Odontológicas do Centro de Fortaleza e o Hospital Geral Dr. Waldemar Alcântara, onde pessoas com deficiência têm atendimento humanizado e especializado

O princípio da equidade norteia o Sistema Único de Saúde (SUS), cujas políticas reconhecem as necessidades de grupos específicos como o das pessoas com deficiência, que representam cerca de um quarto da população do Brasil. As políticas de saúde devem contemplar também o atendimento às necessidades de pacientes que têm impedimento de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial. O dia 21 de setembro foi a data escolhida para comemorar o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência e ampliar o debate sobre a inclusão desses cidadãos. O Ceará é o terceiro estado com maior número de pessoas com deficiência no país, aproximadamente 2,3 milhões.

Na rede pública de saúde do Governo do Ceará, o Centro de Especialidades Odontológicas (CEO) do Centro de Fortaleza, por exemplo, garante atendimento especializado a pacientes com deficiência, desde dezembro de 2012. A unidade do CEO estadual faz parte da Rede de Cuidados à Pessoa com Deficiência (RCPD), criada há cinco anos através de portaria do Ministério da Saúde. A iniciativa tem como objetivo a “criação, ampliação e articulação de pontos de atenção à saúde para pessoas com deficiência temporária ou permanente; progressiva, regressiva, ou estável; intermitente ou contínua, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS)”. Esta rede busca levar atendimento integral e de qualidade a esses pacientes.

A coordenadora do Serviço de Atendimento a Pessoas com Deficiência do CEO Centro, Eliane Sampaio, ressalta que o ideal é que as famílias levem pacientes com deficiência ao dentista regularmente para prevenir cáries desde cedo. Mesmo quando isso não é feito nos primeiros anos de vida, afirma Eliane, ainda assim é possível cuidar deles de forma humanizada e acolhedora.

Na unidade, 375 cirurgias com anestesia em pessoas com deficiência foram realizadas. No CEO Centro, os pacientes com deficiência podem realizar procedimentos como remoções de cálculo, restaurações, tratamento de canal e extrações. O perfil dos pacientes do serviço é maior de 18 anos com menor risco de precisar de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), com deficiência mental moderada ou grave, autismo ou síndromes com doença mental associada, paralítico cerebral, com transtorno convulsivo de difícil controle ou alergia à anestesia local.

“A gente faz anestesia geral e naquele atendimento se faz tudo o que precisa ser feito. A partir daí a gente encaminha para os outros CEOs para eles fazerem esse condicionamento, que é quando a gente tenta que se adaptem a nós, que eles permitam o atendimento”, diz a odontóloga. Ela explica que muitos desses pacientes já foram atendidos sob contenção física e ficaram assustados, por isso a importância do cuidado no acolhimento para conquistar a confiança e garantir a segurança e o atendimento humanizado ao paciente.

Quando o paciente com deficiência passa a sentar na cadeira do dentista após um primeiro atendimento, já sem dor, Eliane explica que torna-se mais fácil que ele aceite a continuidade do tratamento. Os profissionais que trabalham nesse serviço do CEO Centro são especializados no atendimento à pessoa com deficiência. “É preciso ter paciência com eles e principalmente com a família, devido a ela lidar tanto com o sofrimento, com a dificuldade. São famílias que precisam ser bem acolhidas. Cada paciente que a gente recebe, é um tratamento diferente do outro”, enfatiza a coordenadora.

A consultora de vendas Zilmara Lima de Sousa leva a filha Tânia Mara, de 19 anos, ao CEO Centro há mais de dois anos. Com paralisia cerebral, a filha mais velha vai ser atendida no local pela terceira vez, onde já fez algumas extrações. “O atendimento aqui é excelente. Eles são muito atenciosos. Você se sente apoiada. Quando a gente chega aqui, se sente abraçada”, declara Zilmara.

Atendimento domiciliar

Outro tipo de serviço de saúde que é prestado pela rede estadual para pessoas com doenças crônico-degenerativas, em sua maioria com sequelas, acamados e dependentes de cuidados especiais, é o do Hospital Geral Dr. Waldemar Alcântara (HGWA). O Serviço de Atendimento Domiciliar (SAD) é realizado desde junho de 2003 pelo HGWA. O SAD faz a desospitalização de pessoas com doenças crônico-degenerativas e atualmente atende 191 pacientes.

 

Joseneide Campelo, 58, foi diagnosticada há 14 anos com Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) e é acompanhada há quatro anos pelo serviço domiciliar do Waldemar Alcântara. Ao contrário da maioria dos portadores da doença com o mesmo tempo, Joseneide ainda não depende de nenhum procedimento invasivo. A independência para algumas atividades de rotina é proporcionada pela tecnologia assistiva desenvolvida pela terapia ocupacional do SAD junto a atividades complementares da equipe multidisciplinar do serviço.

A paciente possui diferentes adaptações, como o Dispositivo Antigravitacional que suspende a cabeça e alivia o peso sobre a coluna cervical. Para os membros inferiores, conta com acessórios que deixam os pés na posição correta. Para as mãos, itens que possibilitam o uso do computador a partir dos poucos movimentos que ela ainda possui nos dedos. Além da prancha de comunicação, que permite a interação com pessoas que não estão habituadas ao seu modo de falar, já comprometido pela doença.

A reintegração domiciliar do paciente melhora a qualidade da assistência e reduz o número de reinternações, como também garante o cuidado especializado e humanizado e a otimização dos recursos disponíveis. As atividades são realizadas basicamente em dois momentos: no preparo do paciente e orientação do cuidador para alta pelo SAD e na assistência interdisciplinar no domicílio durante o período em que for necessária.

A equipe multidisciplinar composta por médicos, enfermeiros, nutricionista, fisioterapeuta, assistente social, terapeuta ocupacional e fonoaudiólogo orienta o cuidador antes da alta do paciente, ainda no hospital, e dá continuidade às orientações no domicílio, até que a família esteja adaptada à nova situação de morbidade/dependência ou até que ele possa ser encaminhado para um outro serviço de saúde.

A paciente Ediana Nogueira, 41, tem mielopatia cervical compressiva congênita. Atualmente está impedida de andar, mas possui a sensibilidade dos membros inferiores. Ela é acompanhada pelo SAD do Hospital Waldemar Alcântara desde março de 2013. Após a desospitalização, Ediana apresentou um bom resultado evolutivo, tornando-se menos dependente dos cuidados e dos aparelhos durante o dia. A reabilitação desenvolveu a adaptação de acessórios para a alimentação, que lhe proporcionam segurar a colher, e uma mesa de plano inclinado que auxilia na utilização de computador, livro e celular.

O uso desses equipamentos rendeu ao HGWA o segundo lugar no Mapeamento de Experiências de Excelência no Cuidado à Pessoa Idosa no Contexto Domiciliar, iniciativa da Coordenação de Saúde da Pessoa Idosa, do Ministério da Saúde, ocorrida em dezembro de 2016. A tecnologia assistiva é uma especialização da Terapia Ocupacional e, no Serviço de Atendimento Domiciliar do Hospital Waldemar Alcântara, é desenvolvida pela terapeuta ocupacional Ítala de Brito Oliveira.