Estudo do Ipece mostra como dados do IDM podem ser utilizados para definição de políticas públicas

17 de novembro de 2017 # # # #

Pádua Martins - Ascom / Ipece

Com o objetivo de exemplificar a utilização prática do IDM 2016 na perspectiva da formulação ou no direcionamento de políticas públicas por meio de um diagnóstico, o diretor da DIGEP do Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece), Cláudio André Gondim Nogueira, realizou um sorteio aleatório de um município cearense, para que a sua situação fosse delineada a partir dos resultados do referido Índice e, assim, tornar possível a proposição de estratégias de intervenção, tanto para enfatizar os seus aspectos positivos como para lidar com suas deficiências. O município sorteado foi São Benedito, localizado na Região de Planejamento da Serra da Ibiapaba.

O trabalho, elaborado por Cláudio André, está no Enfoque Econômico (nº 166) IDM 2016 e a prática de uma gestão pública inteligente: o caso de São Benedito. Em termos do resultado geral do IDM em 2016, São Benedito obteve um índice igual a 41,855, o que o classificou na 18ª melhor posição naquele ano. Em termos dos Grupos do IDM, tem-se o seguinte para o município em questão: Grupo 1 (Indicadores fisiográficos, fundiários e agrícolas): IG1 = 90,17 (3ª colocação); Grupo 2 (Indicadores demográficos e econômicos): IG2 = 10,54 (97ª colocação); Grupo 3 (Indicadores infraestrutura de apoio): IG3 = 29,33 (64ª colocação); e Grupo 4 (Indicadores sociais): IG4 = 45,10 (97ª colocação).

De acordo com Cláudio André, em termos do diagnóstico de São Benedito, é possível constatar que o município ocupa uma posição de destaque no que se refere aos indicadores fisiográficos, fundiários e agrícolas, tanto que ficou na 3ª posição do Estado nesta dimensão em 2016, com boas condições climáticas e com grande vocação para as atividades agrícolas, notadamente para a produção vegetal. Ele observa, no entanto, que apesar dessas condições razoavelmente favoráveis do Município, verificou-se, também, que a sua base econômica ainda pode ser considerada relativamente insipiente, uma vez que a dimensão dos indicadores demográficos e econômicos pode ser considerada a pior no seu caso.

Mais especificamente, observa, com um valor de 10,54, São Benedito ficou na 97ª posição no Estado e essa dimensão foi aquela em que se situou mais distante do município com as melhores condições (Eusébio, com IG2 = 100). Esse seria, portanto, o grupo de indicadores que os gestores (municipais, estaduais e federais) e a sociedade em geral deveriam observar com mais atenção. O estudo identifica quais são os principais pontos que comprometeram a avaliação de São Benedito. Percebe-se que o município se encontra significativamente distante dos valores mais expressivos dos indicadores considerados, o que afetou negativamente a sua classificação no Grupo 2 do IDM 2016.

E ao observar os indicadores (absolutos e relativos) com mais detalhe, frisa Cláudio André, verifica-se que os indicadores menos distantes dos melhores são a taxa de urbanização e o percentual de trabalhadores do emprego formal com rendimento superior a dois salários mínimos. Por outro lado, a densidade demográfica, o percentual do PIB setor industrial e o PIB per capita são os que mais se aproximam relativamente dos piores resultados. Com a análise realizada, o diretor da Digep, afirma que a economia e a estrutura urbana do município têm que ser fortalecida para que ele consiga avançar em termos de desenvolvimento. “Então, com base no diagnóstico realizado e, também, com base em outros dados e informações seria a priori possível delinear estratégias e intervenções específicas para a realidade do município em consideração”, conclui.

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