Estudo constata queda da diferença entre salários da RMF e do restante do Estado

19 de outubro de 2011

A diferença de salários entre a Região Metropolitana de Fortaleza (RMF) e o restante do Estado apresenta uma redução entre os anos de 1992 e 2009, sobretudo a partir de 2001. Este é um dos resultados apontados pelo trabalho “Os Determinantes da Redução da Desigualdade Espacial no Ceará nas Últimas Décadas” que compõem “Textos para Discussão” (nº98), publicado pelo Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece), de autoria do economista Paulo Pontes.

O estudo, que analisa a renda do trabalho principal das pessoas em idade produtiva, ou seja, entre 16 e 65 anos de idade no Ceará, constatou que fora da RMF o rendimento médio no trabalho principal cresceu a taxa de 1,95% ao ano, entre 1992 e 2009, enquanto na RMF este crescimento foi de 0,5%. Vale observar que, apesar desse crescimento, a renda média fora da RMF, em 2009, ainda é inferior a média observada na região mais desenvolvida.

No que diz respeito à distribuição dos rendimentos no trabalho principal, o estudo verificou que o rendimento fora da RMF era bem inferior ao da Região Metropolitana e que, já em 2009, essas médias estavam bastante próximas. Entretanto, deve-se destacar que, tanto em 2001 como em 2009, a distribuição de salários na RMF era mais concentrada, isso quando comparada com a distribuição dos municípios além da RMF, justificando, assim, o maior salário médio da Região Metropolitana.

Quanto ao setor industrial, que na estratégia de Governo foi considerado como uma das prioridades para o desenvolvimento do interior do Estado, o estudo conclui que, fora da RMF, o rendimento médio do trabalho principal mais que dobrou no período em questão, enquanto na RMF este crescimento foi de, aproximadamente, 40%. Destaque-se que os rendimentos no setor industrial, na RMF, passaram a ser inferiores à média paga naquela Região, em todos os setores econômicos. Já no restante do Estado, o salário médio do setor industrial é, nos três anos em análise, superior ao valor médio da economia.

O problema da desigualdade socioeconômica entre a RMF e o restante do território cearense é uma característica que, desde a década de 1960, vem sendo motivo de preocupação de vários planos de governo. Nesse contexto, o referido estudo analisa os principais fatores responsáveis pela redução da desigualdade espacial no Ceará e mostra que as condições de educação contribuíram de forma significativa para que houvesse um processo de desconcentração no Estado.

Vale destacar que os atuais programas na área de educação, como a promoção da alfabetização na idade certa e da educação profissionalizante, bem como, a interiorização de atividades de ensino superior, deverão potencializar a redução dessas disparidades nos próximos anos.

 

19.10.2011

Assessoria de Imprensa do Ipece

Pádua Martins (padua.martins@ipece.ce.gov.br / 85 3101.508)