Política e estrutura de AVC do Ceará atraem novos recursos para a área

18 de Abril de 2012

As Portarias 664 e 665 do Ministério da Saúde, publicadas na sexta-feira (13) que ampliam a assistência às vítimas de Acidente Vascular Cerebral (AVC) e estabelecem novo protocolo de assistência ao paciente com AVC dão dimensão nacional à política de assistência em vigor no Ceará desde 2006, inclusive o uso de trombolítico. A criação dos Centros de Atendimento de Urgência encontra paralelo na Unidade de AVC do Hospital Geral de Fortaleza (HGF), inaugurada em outubro de 2009. Até 2014, o Ministério da Saúde investirá R$ 437 milhões para ampliar a assistência a vítimas de AVC.

 

A Portaria do Ministério da Saúde estabelece incentivo financeiro de custeio no valor de R$ 350,00 por dia por leito das Unidades de AVC. Do total de recursos para assistência aos pacientes com AVC, R$ 370 milhões vão financiar leitos hospitalares. Serão criados 1.225 novos leitos nos 151 municípios onde se localizam os 231 pronto-socorros, responsáveis pelo atendimento de urgência e emergência especializado em AVC. A abertura dos novos leitos será definida entre o governo federal, juntamente com estados e municípios. Outra parcela, de R$ 96 milhões, será aplicada na oferta do tratamento com o uso do trombolítico alteplase.

 

O Programa de Atenção Integral e Integrada ao AVC no Estado do Ceará é o único do tipo no Brasil aprovado pelo Conselho Estadual de Saúde. Desenvolvido nas vertentes epidemiológica, assistencial e educativa, iniciou as ações de vigilância epidemiológica em 2006, com o georreferenciamento de todas as mortes por AVC em Fortaleza. Em 2009 foi iniciado o estudo hospitalar, envolvendo 19 hospitais da Capital. Identificados por concentrar mais de 90% das mortes por AVC, esses hospitais são visitados por uma equipe de seis pesquisadores que fazem a busca ativa de novos casos. Já são mais de 4 mil casos investigados. Marco do programa, a Unidade de AVC do HGF atendeu 1.400 pacientes no primeiro ano de funcionamento. Os pacientes tiveram acesso ao tratamento trombolítico e exames modernos como a tomografia realizada pelo tomógrafo multi-slice, que realiza o exame em apenas 5 segundos.

 

O uso de trombolítico consiste na aplicação de uma medicação por via endovenosa, que percorre a circulação até chegar ao vaso sanguíneo cerebral que está obstruído por um coágulo. Esta medicação desfaz o coágulo, desentupindo a circulação e normalizando o fluxo sanguíneo que chega ao cérebro. Com o Ministério da Saúde assumindo o financiamento da assistência integral ao paciente com AVC, o Governo do Estado vai poder remanejar os recursos de custeio da Unidade de AVC do HGF para outras ações de saúde, como a implantação de unidades de AVC nos novos hospitais regionais da rede de assistência da Sesa – Hospital Regional do Cariri (HRC), em funcionamento em Juazeiro do Norte, Hospital Regional Norte (HRN), a ser inaugurado em Sobral, Hospital e Maternidade Regional do Sertão Central, em Quixeramobim, e Hospital Regional Metropolitano.

 

A Unidade de AVC do Hospital Geral de Fortaleza, com pouco mais de dois anos de funcionamento, reduz em 30% a mortalidade causada pela doença. Em seu primeiro ano de funcionamento, a Unidade de AVC do HGF evitou cerca de 300 mortes e deixou 400 pacientes livres de sequelas graves, consideradas incapacitantes. É a maior unidade de AVC do país, com 20 leitos. A estruturação da Unidade de AVC do HGF foi uma decisão do Governo do Estado que contempla a prioridade da Secretaria da Saúde na atenção aos pacientes acometidos pela doença que mais mata no Estado, com mais de 4 mil óbitos registrados por ano, segundo o Núcleo de Informação e Análise em Saúde da Sesa. Nos dias 10 e 11 de maio, com a presença dos maiores especialistas em AVC do país, a Secretaria da Saúde do Estado realizará simpósio para apresentação e avaliação da epidemiologia do AVC no Ceará, segundo os dados consolidados da Programa de Atenção Integral e Integrada ao AVC.

 

O AVC é uma das principais causas de mortes no mundo. Popularmente conhecido como derrame, a doença atinge 16 milhões de pessoas no mundo a cada ano. Destes, seis milhões morrem. Para enfrentar a epidemia silenciosa que ocorre no mundo, a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda a adoção de medidas urgentes para a prevenção e tratamento da doença, com o objetivo de colocar o tema em destaque na agenda global de saúde. No Brasil, em 2011, foram realizadas 172.298 internações por em AVC (isquêmico e hemorrágico). Em 2010, foram registrados 99.159 óbitos por AVC. De acordo com o documento, a Linha do Cuidado do AVC deve incluir, necessariamente, a rede básica de saúde, SAMU, unidades hospitalares de emergência e leitos de retaguarda, reabilitação ambulatorial, ambulatório especializado, programas de atenção domiciliar, entre outros aspectos.

 

18.04.2012

Assessoria de Imprensa da Sesa

Selma Oliveira / Marcus Sá ( selma.oliveira@saude.ce.gov.br / 85 3101.5220/ 8733.8213)