Mulheres em situação de risco terão alternativa de implante anticoncepcional

19 de julho de 2016 # # # # # #

A Secretaria da Saúde do Estado inicia nesta quarta-feira (20) etapa do projeto para uso de mais um método contraceptivo reversível de longa duração para mulheres que vivem em situação de risco social, o implante subdérmico. É um método anticoncepcional no formato de bastonete, inserido sob a pele na parte superior do braço, um procedimento simples feito em ambulatórios das unidades de saúde. Em parceria com a Secretaria da Justiça do Estado e a Secretaria Especial de Políticas sobre Drogas, do Governo do Ceará, o projeto de planejamento familiar especial com implantes subdérmicos para mulheres em risco social tem o objetivo de reduzir a mortalidade materna e infantil no Ceará e a taxa de gravidez não planejada nas mulheres em situação de risco social.

¨A proposta inicial é sensibilizar os profissionais da saúde, capacitando as equipes que atuam em unidades prisionais, unidades básicas de saúde em locais com maior incidência de drogas e maternidades de referência para gestantes de alto risco”, informa a supervisora do Núcleo da Saúde da Mulher, Silvana Napoleão. O projeto da Sesa, que é desenvolvido pela Coordenadoria de Políticas e Atenção à Saúde, através do Núcleo da Saúde da Mulher, Adolescente e Criança, tem a parceria da Sociedade Cearese de Ginecologia e Obstetrícia. 

O workshop de Planejamento Reprodutivo e LARCs (métodos contraceptivos reversíveis de longa duração), ocorrerá no Hotel Luzeiros, das 8h30 às 12 horas, com a participação de médicos obstetras e ginecologistas, além de gestores da saúde. “Essa oficina é o marco inicial da implantação do projeto”, diz Silvana Napoleão. De acordo com ela, após a capacitação dos profissionais, com realização de encontros até agosto, a implantação do contraceptivo subdérmico terá início no mês de setembro.

Silvana explica que em populações vulneráveis ou com dificuldade de acesso ao sistema de saúde, a utilização de métodos reversíveis e eficazes logo após o parto pode ser uma maneira de assegurar redução de gestações não planejadas e um intervalo intergestacional seguro (maior que 18 meses). “Esta prática de antecipar a prescrição de contracepção pode ser uma opção especial para grupos de risco de curtos intervalos intergestacional, como adolescentes e usuárias de álcool e outras drogas, deixarem a maternidade com seu planejamento familiar já resolvido”, explica.

O implante subdérmico tem ação anticonceptiva que inibe a ovulação e dificulta a passagem dos espermatozoides até o óvulo por fazer alterações no muco cervical. Segundo a supervisora do Núcleo de Saúde da Mulher, esse método é uma alternativa eficaz para diminuir as taxas de mortalidade materna e infantil e reduzir o número de gestações não planejadas. Em 2015, por exemplo, o número de nascidos vivos de mães com idade entre 10 e 19 anos foi de 25.695, com taxa de gravidez de 30,1% na população adolescente com essa faixa etária. “Ao engravidar, voluntária ou involuntariamente, essas adolescentes têm seus projetos de vidas alterados, o que pode contribuir para o abandono escolar e perpetuação do ciclo de pobreza, desigualdade e exclusão”, fala Silvana Napoleão. Para elaboração do projeto de implantação do método contraceptivo subdérmico, foi realizado um levantamento quantitativo por regional e segmento da população-alvo, que são as adolescentes de 15 a 19 anos em situação de risco social, mulheres em idade fértil que estão em situação de privação de liberdade e também dependência química.

Inicialmente, o implante subdérmico será disponibilizado nas unidades básicas de sáude de Fortaleza, onde há maior índice de consumo de álcool e drogas, no Hospital Geral César Cals, Hospital Geral de Fortaleza e na Maternidade Escola Assis Chateaubriand, além do Centro Educacional Aldacir Barbosa Mota e Presídio Feminino Auri Moura Costa. “Atualmente, em idade fértil, há 680 mulheres no Presídio Feminino Auri Moura Costa, com idade entre 18 a 49 anos, e 50 adolescentes no Centro Educacional Aldacir Barbosa Mota, entre 12 a 18 anos de idade”, afirma Silvana Leite.

Workshop de planejamento reprodutivo

Na programação, haverá palestras sobre “Planejamento reprodutivo: desafios e obstáculos”, ministrada pela ginecologista e obstetra Cristina Guazzelli, que apresentará a experiência com o uso do DIU de cobre no ambulatório de planejamento reprodutivo da Secretaria de Saúde de São Paulo; “Contraceptivos de longa duração: LARCs”, com a médica ginecologista e obstetra Carolina Sales, que vai falar sobre a experiência com o uso do método de implante subdérmico em pacientes da cidade do Ribeirão Preto, São Paulo, e “Experiência exitosa com implante subdérmico”, com a enfermeira Lidiane Nogueira Rebouças, da Universidade Federal do Ceará. O workshop também terá a participação do médico ginecologista e obstetra Marcus Aurélio Bessa Paiva durante a abertura do encontro.

Programação
9h – Abertura
Marcus Aurélio Bessa Paiva, ginecologista e obstetra

9h10min às 9h50min
Palestra “Planejamento reprodutivo: desafios e obstáculos”
Cristina Guazzelli (SP), ginecologista e obstetra

9h50min às 10h30min
Palestra “Contraceptivos de longa duração: LARCs”
Carolina Sales (SP), ginecologista e obstetras

10h30min às 11h10min
Palestra “Experiência exitosa com implante subdérmico”
Lidiane Nogueira Rebouças (CE), enfermeira

11h10min às 12h
Discussão

12h
Almoço

19.07.2016

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