Transplantes de medula salvam vidas e dão esperança a famílias no Albert Sabin

9 de setembro de 2016

“No meu coração, eu tenho uma filha em algum lugar, uma de quem eu lembro todas as noites durante as minhas orações”, diz Rita Monteiro da Silva, sobre a doadora de medula óssea que salvou a vida do filho caçula, Thiago Monteiro, de 17 anos. Mas o percurso do adolescente até encontrar a doadora certa foi longo: três anos e meio de tratamento no Centro Pediátrico do Câncer (CPC) do Hospital Infantil Albert Sabin, unidade da rede pública do Governo do Ceará. Segundo Rita, Thiago apresentou os primeiros sintomas em abril de 2015. Manchas pelo corpo, glândulas, gengivas inchadas, febre, tudo isso em 15 dias. “A gente procurou o Albert Sabin porque pensava que era dengue e no hemograma já foi diagnosticada a leucemia”, conta a mãe.

Neste ano, 99 crianças e adolescentes iniciaram tratamento de câncer no Albert Sabin. Desse total, 32 crianças têm leucemia e aguardam doação de medula óssea. Assim como dezenas de outras crianças e adolescentes tratadas no Hospital Albert Sabin, Thiago teve Leucemia Mieloide Aguda, no grau 4. A internação imediata foi necessária para dar início ao tratamento. “Ele teve muitas complicações, foi várias vezes para a UTI”, afirma a mãe que deixou o trabalho de costureira para acompanhar o filho. Um ano e meio depois, a boa notícia: no fim de 2014 encontraram um doador.

Mas a alegria durou pouco, logo após a primeira consulta em São Paulo para realização do transplante, o doador desapareceu e o filho caçula de Rita teve de voltar para fila de espera e para a quimioterapia. “É complicado você receber a notícia de que tem o doador e, do nada, você descobrir que esse doador não vai mais te ajudar. É uma situação muito difícil. Então, eu peço que, quando você decidir se tornar um doador, não desista, porque você mexe com outras vidas. Tenha em mente que quando você doar, você vai estar salvando uma vida”, declara o adolescente emocionado ao lembrar do episódio.

Apesar da decepção, a família seguiu em frente.“Sempre tive muita fé, muita esperança, nunca aceitei que fosse o fim”, diz Rita. Em julho de 2014, outro doador foi encontrado. “Eu não a conheci, só sei que é uma mulher. Um dia eu vou conhecer e agradecer pessoalmente esse ato de amor. Sim, porque só por amor alguém sairia da sua zona de conforto para ajudar um desconhecido. Ela agora é minha filha também”, agradece. Thiago fez o transplante em agosto de 2014, desde então comparece ao Hospital Albert Sabin para avaliações médicas de rotina.

Transplante de medula óssea como o realizado com Thiago é uma realidade para alguns dos pacientes do Albert Sabin. O procedimento é uma necessidade, não só para as crianças e adolescentes atendidos na oncologia, mas também para inúmeras outras que sofrem com patologias diferentes. É o caso do pequeno Elias Davi Antônio da Silva, de apenas 4 anos, que precisa fazer transfusões de sangue a cada três semanas. Segundo a mãe do menino Tamires da Silva Pereira, Elias sofre de um tipo de anemia rara, a Diamond Blackfan (DBA). Trata-se de uma doença causada por falha da medula óssea. “Ela não produz as hemácias, só um transplante de medula pode resolver”, ressalta Tamires.

Elias faz transfusões desde o primeiro ano de vida. “Ele costumava ficar sem oxigenação, ficava muito irritado, cansado. Chegou a ser internado quando era bebê, foi quando descobrimos a doença”, conta a mãe. “Queria pedir que viessem doar, só quem passa por isso sabe o que é. Meu filho precisa de transfusões de sangue e transplante, e assim como ele, muitos outros. Então peço que doe, tem muitos que necessitam”, pede Tamires.

Transplantes de medula

O Ceará é um dos nove estados do Brasil que fazem transplante de medula óssea. O Hemoce, da rede pública do Governo do Ceará, é responsável pela captação de doadores, cadastro e análises de compatibilidade, amostras e coleta de medula no Estado. Neste ano, até esta quinta-feira, 8, em parceria com o Hospital Universitário Walter Cantídio, foram realizados 56 transplantes de medula óssea.

O transplante de medula óssea é um tipo de tratamento indicado para algumas doenças que afetam as células do sangue. Consiste na substituição de uma medula óssea doente ou deficitária por células normais para reconstituir uma medula saudável. Os transplantes podem ser autólogos, quando a medula transplantada é do próprio paciente, ou alogênicos, quando o tecido transplantado provém de outra pessoa.

Centro Pediátrico do Câncer

O Hospital Infantil Albert Sabin conta com um centro especializado em tratamento e serviço de diagnóstico precoce do câncer, referência nas regiões Norte e Nordeste do Brasil pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O Centro Pediátrico do Câncer (CPC) é resultado de uma parceria entre o Governo do Estado e a Associação Peter Pan (APP).
Formado por uma equipe de profissionais especialistas e qualificados para atendimento a crianças e adolescentes com câncer, o CPC conta com Unidade de Terapia Intensiva (UTI) exclusiva para pacientes onco-hematológicos pediátricos; ambulatór io de diagnóstico precoce e laboratório. O ambulatório oncológico do Hospital Albert Sabin funciona de segunda à sexta-feira, das 7 às 17h.

Foto: Assessoria de Comunicação do HIAS

09.09.2016

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