Projeto “Violão Comunitário” fortalece aproximação da Polícia com a comunidade

28 de novembro de 2016

O policiamento comunitário ultrapassou os limites do patrulhamento em viaturas e se apresentou a crianças e adolescentes com som e ritmo. É o projeto “Violão Comunitário”, que leva aulas de música para a garotada que mora em quatro comunidades situadas na capital cearense. A iniciativa, de um cabo e dois soldados da Polícia Militar do Estado do Ceará (PMCE), já impactou na vida de mais de 800 jovens ao longo de seis anos.

Intitulado como “Violão Comunitário”, o projeto faz alusão ao policiamento comunitário e se transformou em mais uma estratégia dos policiais. O objetivo é inibir o acesso às drogas e à violência dentro das comunidades do Edson Queiroz, Barroso, Alagadiço Novo e Tancredo Neves – situadas nas Áreas Integradas de Segurança 3 e 4 (AIS 3 e 4) de Fortaleza. E a escolha dessas regiões não foi por acaso. “São locais com índices de criminalidade elevados, além de ser nossa área de trabalho”, explica o soldado Dennis de Melo Milanez, um dos idealizadores do projeto, juntamente com o soldado Denis Holanda e o cabo Ângelo Costa.

Os três militares possuem conhecimentos musicais e são lotados na 2ª Companhia do 1º Batalhão de Polícia Comunitária (BPCom), em Messejana, com expediente realizado em projetos sociais, igrejas, conselhos e associações comunitárias e onde mais puderem instruir os alunos. “Não deixamos de realizar o policiamento ostensivo. O ‘Violão Comunitário’ é uma estratégia de diminuir a violência a curto e longo prazo”, defende o sd Milanez, ao explicar que as aulas fazem parte da rotina diária de trabalho deles. Mas o curso de música não é objetivo central. “O violão é o atrativo para a criançada”, diz o soldado Denis Holanda, ao revelar que o principal interesse é alertar os estudantes abordando assuntos como o combate às drogas e à violência, além de explanarem princípios de cidadania, respeito e disciplina. “Este é o trabalho preventivo que desenvolvemos, para que elas (crianças) não se envolvam com gangues ou tráfico de drogas, mas que sejam impactadas positivamente e, assim, conseguirmos reduzir a criminalidade”, completa.

Com interação entre a Polícia e os membros da comunidade, sem burocracia e com fácil acesso. É assim que o curso é desenvolvido. Para participar, basta ser morador ou moradora do bairro em questão, ter entre oito e 18 anos, querer aprender e ter tempo livre – pois uma das idéias é diminuir o tempo de ociosidade dos jovens, para que não sejam atraídos para a marginalidade. As aulas são oferecidas quatro dias por semana, cada dia em uma região diferente.

Mas o “Violão Comunitário” não para por aí. O projeto influenciou alguns adolescentes a darem continuidade aos estudos de música. Hoje, eles são professores, músicos profissionais e com bandas próprias. “A música tem esse poder, de atrair e alegrar as pessoas e nós estamos aproveitando isso para melhorar nosso dia a dia no trabalho”, declara o sd Milanez. “Essa é a contribuição que fazemos para a vida deles”, complementa o cabo Ângelo. Os alunos já realizaram apresentações em praças, no Comando de Policiamento Comunitário (CPCom) e na Assembléia Legislativa, durante aniversário do Programa Educacional de Resistência às Drogas (Proerd), da Polícia Militar.

A idéia do projeto surgiu quando os militares patrulhavam pela região e percebiam dificuldades de aproximação entre a Polícia e os moradores. Os ensinamentos são recíprocos. “A gente aprende muito com essas crianças, como a ser mais paciente, compreensivo e amigo, inclusive nas redes sociais”, conta o cabo Ângelo, que também é lutador de jiu-jitsu e expõe suas conquistas como exemplo para a garotada. O policial ainda fala que o referencial que as crianças tinham era o de criminosos envolvidos com o tráfico, que “ostentavam” dinheiro como sinônimo de poder. “Além de novo referencial, nós somos ‘tios’ deles (crianças e adolescentes)”, brinca o agente de segurança.

Exemplo de vida

“Eu amo os policiais e espero que o curso nunca acabe”. Esse é o desejo de Lucas de Abreu Câmara (13), que participa do projeto há dois anos. Lucas recebe aulas todas as quintas-feiras na Igreja Nossa Senhora das Graças, a qual frenquenta e que fica próximo a sua casa, no Barroso. Com os conhecimentos adquiridos no “Violão Comunitário”, o garoto conquistou um lugar no Ministério Verbum Dei, com apresentações no templo religioso, e ainda auxilia os policiais com os principiantes no curso.

“Eu gosto muito do curso e gosto quando eles (policiais) falam pra gente não se aproximar de pessoas com más influências”, declara o menino, com orgulho pelo fato de muitos membros de sua comunidade religiosa se alegrarem com seu crescimento. “Eles acham lindo e dizem ‘olha, um menino dessa idade já tocando na igreja’. Eu fico feliz”, celebra, já com planos para o futuro: “Pretendo aprender a tocar teclado e fazer faculdade de música”, planeja com muito entusiasmo.

Ao declarar que não queria sair do curso, Lucas foi alertado de que poderia permanecer até completar 18 anos. Mas ele retrucou: “Então quero continuar com 13 anos pra sempre”! E deixa um recado: “Eu agradeço muito a eles (policiais), por terem criado esse curso, me ensinando a tocar as músicas e me orientando. Que isso nunca acabe”.

Mas não é só Lucas que fica satisfeito. Os efeitos positivos dos encontros com os militares chegam a casa dele e também alcançam seus familiares. “Esse curso só veio somar. O ensino que os policiais passam para meu filho me ajuda a complementar a educação e a formação do caráter dele”, destaca Maria Zuila Rodrigues de Abreu (45), mãe de Lucas. Ela enfatiza também que percebeu algumas mudanças no filho, depois que ele iniciou as aulas: “Eu percebo mais respeito e muita responsabilidade nele, pois o Lucas é quem pega a chave e abre a igreja nos dias de curso. Tenho muito orgulho do meu filho”, fala emocionada. Além de ser muito querido na comunidade, o garoto se tornou referencial de dedicação. A mulher completa ao dizer que o curso é “uma bênção” não só na vida dele. “Eu falo isso em nome de todas as mães”, enfatiza.

Lucas soube das aulas por meio de um aviso dado ao término de uma missa. “Ele se interessou, foi, gostou e está lá até hoje”, conta a mãe, com o mesmo desejo que seu único filho: “Que o curso nunca acabe”.

28.11.2016

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Expediente coordenadoria-01