Hospital Geral de Fortaleza é selecionado para integrar rede de parto humanizado

21 de novembro de 2017 # # #

Débora Morais - Assessoria de Comunicação do HGF
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O Hospital Geral de Fortaleza (HGF), da rede pública de saúde do Governo do Ceará, foi um dos quatro hospitais-escola escolhidos para participar do Projeto de Aprimoramento e Inovação no Cuidado e Ensino em Obstetrícia e Neonatologia (Apice On), desenvolvido pela Escola de Enfermagem da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em parceria com o Ministério da Saúde (MS). O programa tem o objetivo de qualificar os processos de atenção, gestão e formação relativos ao parto, nascimento e ao abortamento nos hospitais, por meio de um modelo baseado em evidências científicas, humanização, segurança e garantia de direitos.

A iniciativa preconiza a realização de ações de qualificação nas áreas de atenção ao parto, nascimento e abortamento; saúde sexual e saúde reprodutiva e atenção humanizada às mulheres em situação de violência sexual. “No Brasil, nós temos um alto índice de cesárea. Para se ter uma ideia, em países desenvolvidos, o número de partos com esse procedimento flutua próximo aos 10%, enquanto no Nordeste esse índice é de alarmantes 68%. Diante desse número e dos seus prejuízos para a saúde da mãe e do bebê, está sendo cada vez mais desenvolvido programas que estimulam a abordagem fisiológica do profissional, seguindo três diretrizes: a atenção, o ensino e a gestão”, ressalta o diretor geral do HGF, o médico obstetra João Batista Silva. Ele afirma também que 90% das cesarianas realizadas no Brasil acontecem fora do trabalho de parto, aumentando os riscos para o recém-nascido. Reforça ainda que 45% dos procedimentos são realizados sem que haja indicação de risco habitual.

O diretor técnico do HGF e médico radiologista Carlos Macedo Filho é um dos especialistas que está participando do projeto e foi a um dos treinamentos realizados. De acordo com ele, a troca de experiência entre as unidades serviu para fortalecer a relação. “A equipe multiprofissional do HGF esteve em outubro no Recife para participar do encontro nordestino dos hospitais que compõe o projeto Apice On. Os profissionais puderam compartilhar das experiências vividas no dia a dia de cada unidade, além de fortalecer e integrar a relação de assistência das redes primárias, secundárias e terciárias. Com essa relação, a gestante só tem mais a ganhar ficando mais preparada e informada sobre a saúde da mulher”, diz.

O Apice On é uma nova ferramenta para a promoção e melhoria das condições de vida em garantir os serviços de saúde integral das mulheres com mais qualidade, como também promover ações de apoio e fortalecimento das estratégias da Rede Cegonha. Para a coordenadora do pré-parto do HGF, a enfermeira Regina Sá, o projeto vem para melhorar a assistência ao parto e fortalecer ainda mais a Rede Cegonha. “O Apice On vem para qualificar ainda mais a equipe de enfermagem da obstetrícia, quanto o apoio no parto assistencial. É um apoio do ensino, no qual temos o aprimoramento dos enfermeiros e a sensibilização dos médicos em melhorar a assistência ao parto, além de fortalecer as estratégias da Rede Cegonha”, diz.

A coordenadora da unidade neonatal do HGF, a pediatra neonatologista Judith Caetano, explica que o parto normal ainda é o método mais seguro para o binômio mãe e bebê. “Apesar de todo o avanço tecnológico, o parto vaginal continua sendo o mais seguro para mãe e o bebê. Nas cesáreas podemos ter complicações maternas como infecção, hemorragia e anafilaxias (reações alérgicas). Já o bebê pode ter complicações, como desconforto respiratório, pois algumas vezes a criança não está pronta para nascer”, explica a especialista.

Redução da mortalidade materna e infantil no Ceará

Em 2015, pelo segundo ano consecutivo, o Ceará diminuiu a mortalidade materna e infantil e registrou no ano passado as menores taxas históricas. A Razão da Mortalidade Materna (RMM) por 100 mil nascidos vivos passou de 78,0 em 2012 para 82,5 em 2013, 65,2 em 2014 e 53,7 em 2015. No mesmo período, a curva da Taxa de Mortalidade Infantil (TMI) por mil nascidos vivos teve comportamento semelhante, passando de 12,7 em 2012 para 13,8 em 2013, 12,3 em 2014 e 12,0 no ano passado. A mortalidade fetal em 2015, com 1.598 óbitos, também diminuiu em relação a 2014, quando foram confirmados 1.647 óbitos fetais.

O número de 105 óbitos maternos confirmados em 2015 é o menor desde 2008, igualando-se às mortes maternas registradas em 2007. A principal causa de morte materna em 2015 foi a Doença Hipertensiva Específica da Gestação (DHEG), representando 51,4% ou 19 dos 36 óbitos maternos por causas obstétricas diretas. Em seguida aparecem as síndromes hemorrágicas com cinco óbitos (13,5%), inércia uterina, quatro óbitos (com 10,8%) e aborto, duas mortes (com 10,8%). Essas causas correspondem a 81,1% do total das causas obstétricas diretas.

Em números absolutos, o ano de 2015 repetiu a mesma quantidade de 1.586 óbitos infantis de 2014. O risco de morte de crianças maiores de 27 dias (óbitos pós-neonatais) apresenta redução enquanto o risco de morte de crianças menores de 28 dias (óbitos neonatais) passa a representar quase a totalidade dos que faleceram com menos de um ano de idade, representando 71,8% dos óbitos infantis em 2015.

Rede Cegonha

A Rede Cegonha consiste numa rede de cuidados que visa assegurar à mulher o direito ao planejamento reprodutivo e à atenção humanizada à gravidez, ao parto e ao puerpério, bem como à criança o direito ao nascimento seguro, e ao crescimento e desenvolvimento saudáveis. No HGF, o programa começou em 2013, quando foram intensificadas ações estratégicas que incluem o parto humanizado, acolhimento com classificação de risco, monitoramento dos indicadores, formação de parcerias com a rede básica de atenção à saúde, vigilância de óbito, entre outras. No hospital, também já era garantido o direito da mãe de ter um acompanhante (inclusive o pai) e o de sair do hospital com o registro de nascimento e o cartão de imunização do filho nas mãos, além do acompanhamento pós-parto.