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Pelo artesanato, Tereza Cristina reinventa a vida de gestantes em situação de risco

26 de janeiro de 2018 - 16:42 # # #

Caio Faheina - Repórter
José Wagner - Gestor de Fotografia

A série especial Ceará de Atitude deste janeiro mostra o trabalho voluntário da cearense Tereza Cristina no Hospital Dr. César Cals, em Fortaleza. Artesã, ela dá aulas de criação com materiais recicláveis a gestantes internadas na unidade e as mostra como o artesanato pode ir além da terapia

As mãos ágeis pegam o barbante, banham uma garrafa de vidro com cola branca e enroscam o fio de fibra no casco que teria o lixo como destino. Assim, desabrocha um arranjo de flores. É com essa destreza que a artesã Tereza Cristina de Oliveira, de 49 anos, ensina mamães que estão internadas na Casa da Gestante do Hospital Geral Dr. César Cals, no Centro de Fortaleza, a criar peças de produção artesanal e a apressar o tempo. As aulas, que mais parecem um encontro de amigas durante o café da manhã, sempre acontecem às quartas-feiras. Uma prosa que já completa onze anos.

O trabalho voluntário de Tereza teve início durante sua terceira gestação, quando precisou internar-se na unidade hospitalar. “Era uma gravidez de alto risco, por causa da diabetes. Aí, um posto de saúde me encaminhou para a Casa da Gestante”, relembrou. À época, com onze semanas de gravidez, Tereza havia encerrado um casamento de dez anos e tinha fresca na memória a lembrança da gestação anterior, quando perdera um bebê por complicações decorrentes do alto nível de açúcar no sangue. “Eu consegui que minha gravidez evoluísse. Tive todo acompanhamento terapêutico, de psicólogo, dentista, médico, além da alimentação (adequada)”, ressaltou.

Durante a internação, Tereza conta que os dias seguiram enfadonhos, ociosos. “Então, sugeri ao terapeuta que a gente fizesse algum trabalho com artesanato”, indicou. A prática, desenvolvida por ela na infância e mantida durante a vida adulta, elaborando presentes para a filha Isabelle, hoje com 19 anos, ajudou a guiar as gestantes que passavam pelo retiro. “Vimos que (o artesanato) pôde amenizar nossas fragilidades por ter deixado a casa, a família, os filhos… Amenizou a angústia de estar aqui, mesmo sabendo que era para um bem maior, que é a vida dos nossos bebês”, reconheceu.

Apesar do nascimento prematuro de Samuel, seu rebento mais novo, há onze anos, o crescimento do menino se deu de forma sossegada. E mesmo com o quadro de saúde estável do filho, que carrega os olhos esverdeados da mãe, Tereza não se despediu do hospital. “Nunca fui tão querida e tão amada como na Casa da Gestante. Era impossível não querer ficar aqui”, sorriu, lembrando da festa preparada na unidade para comemorar o sétimo aniversário de Samuel.

Artesanato como terapia e fonte de renda

O artesanato, relata Tereza, deixou de ser passatempo e terapia, transformando-se em negócio. “Eu fiquei sozinha, com duas crianças, e vi no artesanato uma fonte de renda. Com ele, trabalho de casa e mantenho minha família”, justificou. Tereza, que trabalhou como secretária administrativa antes das complicações da última gravidez, também narra outras possibilidades da profissão. “O artesanato é um leque de oportunidade. Por ele, surgem conversas que podem se transformar em grandes amizades”, emocionou-se.

A preocupação da artesã também é com cada mulher que encontra refúgio em sua oficina de criação. “Quero amenizar a angústia das mãezinhas que chegam com ansiedade, que querem ir embora”, disse. “Quero que cada uma saia daqui artesã, ganhando seu próprio dinheiro, como eu fiz”, continuou.

Outro cuidado que Tereza aponta é o de usar materiais recicláveis. “Podemos tirar o que poderia ir para o lixo e devolver em forma de fonte de renda”, ensinou. Garrafas velhas, tampas de refrigerantes, CDs, retalhos, entre outros itens reutilizáveis são usados pela artesã para dar vida ao que era inerte. “Eu não mostro o que pode ser feito com isso, não mostro o artesanato pronto, pois eu quero que elas (as mamães) usem a criatividade. E tem peça que elas produzem que fica melhor que a minha, viu?”, riu. E encerrou: “Eu não estou ajudando, estou sendo ajudada. Saio daqui levando mais do que eu ofereço”.

Saiba mais

Os materiais utilizados nas oficinas são levados por Tereza, que recebe doações de amigos e até dos próprios funcionários do Hospital Dr. César Cals (HGCC).

A Casa da Gestante possui salas de estar e de jantar, cozinha, quartos e banheiros adequados para gestantes em gravidez de risco. Sala de reunião para a equipe médica e jardim também integram o espaço.

Na unidade hospitalar, o acompanhamento da saúde da mulher tem início no pré-natal de alto risco, passa pelo cuidado especializado de mães com intercorrências na gestação, e segue com a atenção neonatal e o acolhimento materno, destinado às mães com filhos internados na UTI neonatal. O método Canguru, que promove o fortalecimento do vínculo entre mãe e bebê, também é desenvolvido pelo hospital, que funciona 24 horas.

Assista à entrevista com Tereza Cristina

Serviço

Hospital Hospital Dr. César Cals
Onde: Avenida Imperador, 545 – Centro, Fortaleza
Telefone: (85) 3101.5404
Aberto 24 horas

Para encomenda de artesanatos e mais informações:
Tereza Cristina de Oliveira: (85) 98740.7507