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II Seminário Internacional Mais Infância chega ao fim com debates sobre cultura, contextos sociais e políticas públicas

29 de maio de 2019 - 19:39 # # # # #

André Victor Rodrigues Texto
Thiara Montefusco Fotos

Após dois dias de muitas trocas de experiência sobre o tema “A Garantia dos Direitos das Crianças na Construção de um Futuro Sustentável”, o II Seminário Internacional Mais Infância Ceará teve o seu encerramento na noite desta quarta-feira (28), no Centro de Eventos do Ceará. Durante a última tarde de debates, foram apresentados para reflexão pesquisas e vivências de gestores e especialistas em áreas como cultura, contextos sociais e políticas públicas voltadas à primeira infância.

A primeira atividade após o intervalo para almoço foi a mesa redonda “Criança é prioridade”, com moderação do secretário executivo do Planejamento e Orçamento da Secretaria do Planejamento e Gestão (Seplag), Flávio Ataliba. Participaram do momento a coordenadora de projetos para primeira infância da United Way Brasil, Sofia Rebehy, trazendo a palestra “O papel da iniciativa privada em ações de desenvolvimento infantil” e o diretor geral do Ipece, Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece), João Mário, com a apresentação “Programa de superação da pobreza: uma etapa a ser vencida na primeira infância”.

Em seguida, um debate sobre cultura em perspectivas local e global tomou conta do auditório. A mesa “Do direito à cultura, ao esporte e ao lazer” trouxe a participação da diretora do programa de doutorado da Universidade de Shetfield, no Reino Unido, Becky Parry, que palestrou sobre “Infância de ontem e de hoje: a interferência do mundo digital”, do secretário da Cultura, Fabiano Piúba, com “Um mundo aberto: a cultura na primeira infância”, o consultor do Instituto Alana, Gandhy Piorski, com o tema “Natureza que educa: a criança livre e conectada com sua essência”.

Com pesquisa acadêmica voltada a cultura digital, alfabetização e infância, a professora Becky Parry apresentou percepções e ideias acerca da criatividade e da criticidade das crianças na sua relação com mídias digitais, além de relatar sua vivência no doutorado, quando enfocou no cinema infantil e utilizou de métodos de pesquisa participativos e visuais com o público infantil.

“Uma coisa que sempre tive interesse é saber o que as crianças estão fazendo em seus tablets. Estão vendo memes de gatos, alguém fazendo algo engraçado, que não é criado para a criança, mas acaba a divertindo. E elas alimentam a própria cultura, são cheias de conteúdo. Conhecimento de cultura. É importante que as crianças falem das suas experiências e que tenham conteúdos criados para sua própria cultura. Elas também podem criar mídia”, afirmou.

A mesa “Infâncias e diferentes contextos” ampliou debates sobre espaços urbanos e gênero. A fundadora e diretora da Ocara, rede latino-americana de experiências e projetos sobre cidade, arquitetura, mobilidade urbana e espaço público, Irene Quintáns, apresentou o tema “Criança e cidades”, enquanto a diretora nacional da Plan Brasil, organização humanitária não governamental sem fins lucrativos que promove os direitos das crianças e igualdade para as meninas, Cynthia Betti, falou sobre “Infância: igualdade de gênero”.

Arquiqueta, Quintáns é pós-graduada em estudos territoriais e gestão urbanística pela Universidade de Harvard. Trabalhou nas prefeituras de Barcelona e São Paulo focada em urbanismos. Em sua fala, ela argumentou que é fundamental que as políticas para a infância caminhem em conjunto com o cuidado dos espaços públicos e mobilidade urbana da cidade onde as crianças vivem.

“Estamos num evento que conversa sobre a primeira infância. Eu quero complementar um pouco essa visão tradicional que está mais centrada nas instituições e equipamentos de primeira infância, geralmente saúde, educação, assistência social. A gente esquece o que acontece fora desses prédios. Como a criança chega lá? Como é o bairro que ela mora? Como é a mobilidade, os espaços urbanos? Tudo isso influencia muito no desenvolvimento da criança. Pense numa gestante com criança de colo que pensa em ir ao parque. Às vezes a pessoa não vai ao parque porque o caminho não é legal, não se sente segura ou confortável. Então fica em casa. Pode haver uma proposta ótima, mas é preciso pensar nela junto com o espaço urbano entre a moradia e os equipamentos”, explicou.

A pedagoga Cynthia Betti avaliou que é muito relevante ter um evento como o Seminário Internacional Mais Infância Ceará, para mostrar ao resto do Brasil as melhores práticas que são realizadas no Ceará. “Todas as palestras que tiveram aqui, falando da educação, da saúde, os resultados de investimentos em primeira infância, são de essencial importância para transformar isso em política pública e expandir essas ações para todo o país.”

Em sua palestra, Betti chamou atenção para a necessidade de se olhar para as questões de gênero e criar um ambiente livre de amarras para as crianças serem o que quiserem ser no futuro.

“Quando a gente fala de criança, a gente precisa falar do recorte de gênero. Quando olhamos para a questão da menina, por exemplo. Se é difícil para as crianças, para a menina é mais difícil pelos estereótipos que a gente cria, o que ela não pode fazer, ela é criada para ser dona de casa, para cuidar. O menino não pode chorar, e aí ele também sofre. Então a gente precisa trabalhar na perspectiva do gênero. De falar que todo mundo pode e deve fazer aquilo que quer fazer e crescer num ambiente sem violências, para ter melhores decisões sobre suas próprias vidas”, ressaltou.

Encerramento

O fim das atividades do seminário foi marcado pela mesa redonda composta pela primeira-dama do Estado e idealizadora do programa Mais Infância Ceará, Onélia Santana, e a primeira-dama de Fortaleza, Carolina Bezerra. Ativas nas políticas públicas para crianças, as duas falaram de experiências de sucesso para a infância no Estado e na Capital. O momento teve moderação da secretária da Proteção Social, Justiça, Cidadania, Mulheres e Direitos Humanos, Socorro França.

Onélia Santana destacou o compromisso do Governo do Ceará com as ações do Mais Infância para transformar a vida de famílias e garantir o desenvolvimento integral das crianças nos municípios cearenses. A primeira-dama também saudou os participantes do seminário, afirmando ser de grande relevância para o futuro momentos de troca de experiências como o realizado esta semana.

“Quero agradecer a todos que ficaram conosco esses dois dias focados e mergulhando nas fundamentações teóricas de palestrantes renomados nacional e internacionalmente. A ideia foi trazer a teoria do que é que estão estudando sobre a infância no mundo, com indicadores apresentados de experiências reais e exitosas. Isso servirá para se ter firmeza em futuras decisões de gestores públicos sobre políticas para o desenvolvimento infantil”, discursou.

Carolina Bezerra falou de ações para a infância em Fortaleza, destacando que o exemplo dado pelo Governo do Ceará tem tudo para mobilizar todos os gestores municipais. “A gente precisa investir na criança. Nós, dos municípios, precisamos colocar na mesa os planos para a infância. Em Fortaleza temos levado isso como prioridade e assim ajudamos para que outras cidades se inspirem e também tomem essa causa para si”.