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Profissionais do HGWA relembram desafios e mudanças um ano após início da pandemia

16 de abril de 2021 - 15:44 # # # # #

Bruno Brandão - Ascom HGWA Texto
Bruno Brandão e Arquivo Pessoal

No início de 2020, o coronavírus começou a se alastrar mais rapidamente pelo mundo e a se tornar assunto frequente nos hospitais brasileiros. No Hospital Geral Dr. Waldemar Alcântara (HGWA), da Secretaria de Saúde do Ceará (Sesa), foi aberta, em abril do mesmo ano, a primeira clínica para tratamento de pacientes que chegavam com Covid-19 – em sua maioria, transferidos da Rede Sesa. O hospital tornou-se, então, uma das referências de cuidados com pacientes acometidos pela doença no Estado.

Em março do ano passado, foi criado o Comitê de Crise, reunindo gestores públicos e representantes de órgãos do Ceará para traçar medidas de enfrentamento ao que estava por vir. Entre as mudanças significativas no HGWA, além de todos os cuidados no protocolo de segurança, como o uso obrigatório e correto de máscaras e a proibição de acompanhantes aos pacientes Covid, houve a redução de leitos clínicos para pacientes pediátricos de 66 leitos, na primeira onda, para 33. E neste segundo momento de agravamento da doença, em 2021, o hospital zerou os leitos para os pequenos, já que o risco de crianças contraírem o vírus também aumentou. Vale destacar, também, a transformação da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) pediátrica em UTI adulto. Neste ano, os profissionais da Pediatria foram transferidos para o setor de Comunicação para transmitirem diariamente o boletim médico aos familiares dos pacientes internados.

A coordenadora de Enfermagem do HGWA, Kelly Barros, recorda bem do início da primeira onda, como os profissionais foram pegos de surpresa. Afinal, teriam de cuidar de pacientes com uma doença até então desconhecida. A colaboração e o empenho de fazer o melhor, no entanto, foram além. “Tem vários momentos em que a equipe enfrenta uma carga emocional muito forte e intensa, além da exaustão física, como o aumento do número de óbitos na primeira onda e a rapidez do aumento do número de casos em pacientes adultos e jovens nesta segunda onda. Porém, o momento mais difícil que posso destacar certamente são os relatos de alguns colaboradores que saíram de casa para não contaminar a família. Destaco também o luto da equipe da pediatria, pois perdemos uma técnica de enfermagem. Estes, me tocaram como gestora e como pessoa”, lamenta Kelly.

Desafios

Lorena França, coordenadora das clínicas Covid, cuidava dos pacientes da ala pediátrica antes de ser transferida para a coordenação da equipe que trata adultos diagnosticados com Covid-19. Ela lembra com carinho dos pequenos pacientes, que deram espaço aos cuidados mais graves. “Conseguimos transferir nossas crianças de forma segura a outros hospitais da Rede e, assim, conquistar mais leitos para atender à demanda Covid em adultos. Entendemos que esses leitos são destinados aos avós, pais e titios de nossos pequenos pacientes, que também necessitam que eles estejam saudáveis. Assim que a situação normalizar, retornaremos às nossas atividades da Pediatria no nosso espaço”, afirma.

Todos esses desafios também têm sido fonte de aprendizado para a médica, não somente pelo lado profissional. “Aprendi a priorizar ainda mais o coletivo social. Já estou vacinada, porém sei que a grande maioria da população ainda não teve esse privilégio. Mesmo imunizada, posso continuar transmitindo, principalmente por trabalhar na linha de frente. Então mantenho todos os cuidados de isolamento social, uso de máscaras e álcool em gel”, ensina.

A médica Samantha Dodt Farias vem desde o ano passado atuando na linha de frente da Covid-19 no HGWA. De lá pra cá, foram muitas histórias acompanhadas de perto. “No mês de março de 2020, começamos a nos preparar para atender pacientes com Covid-19. Tínhamos lido notícias de outros estados e países sobre como a doença estava se disseminando rapidamente e sobre a evolução para uma forma grave em uma parcela dos doentes e começamos a ter treinamentos de paramentação para tentar reduzir o risco de contaminação”, lembra.

Com os atendimentos dos primeiros casos suspeitos, Samantha rememora, a equipe foi conhecendo a evolução da doença e suas consequências físicas e psicológicas nos pacientes. “Fomos observando de perto os sentimentos dos pacientes de solidão e medo de não sobreviver, além da preocupação com familiares, também doentes, e sentimos o cansaço físico pela sobrecarga de trabalho e o cansaço mental pela convivência tão próxima com o sofrimento e a morte”, pontua.

Entre os momentos mais emocionantes, a médica lembra da alegria do reencontro dos pacientes com familiares e as lágrimas no rosto deles ao serem aplaudidos por terem vencido a doença. “Recordo de uma videochamada, realizada com a ajuda da equipe de psicologia, de uma paciente idosa com sua família. Vimos seu marido, seus filhos e netos emocionados dizendo que estavam com saudades e que estavam rezando e esperando seu retorno para casa, e a reação dela, emocionada, muito alegre, cheia de fé e esperança”.

E se tem algo que vai ficar para sempre marcado na vida de Samantha é como a sua rotina mudou em todo esse tempo. Tendo que redobrar os cuidados para evitar a contaminação, desde a rotina no trabalho, usando a paramentação adequada, adaptando-se ao desconforto da máscara N95/PFF2 e do protetor facial, até chegar em casa, deixando os sapatos fora de casa e a bolsa de trabalho em local separado, por exemplo. “A pandemia trouxe para perto de nós uma realidade muito difícil, que nunca imaginamos viver, e agradeço a Deus por ter saúde e energia para poder fazer minha pequena parte e ajudar um pouco os pacientes a superarem essa doença”.

HGWA

Atualmente, o hospital tem cinco clínicas de tratamento Covid-19 e três UTIs adulto. São 173 leitos de enfermaria e 26 UTIs somente para pacientes com coronavírus. As clínicas médicas somam 166 leitos. Uma unidade de campanha foi inaugurada nesta sexta-feira (16) com 35 novos leitos.