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Paciente de longo período de permanência no HSM retorna ao convívio familiar

11 de maio de 2021 - 16:12 # # # # #

Milena Fernandes - Ascom HSM

 

Após mais de três anos sendo acolhido no HSM, N.F.S (centro), de 55 anos, reencontra o irmão João Bosco dos Santos (à direita)

Depois de quatro anos desaparecido, longe da família, N.F.S, de 55 anos, que ficou internado no Hospital de Saúde Mental Professor Frota Pinto (HSM), unidade da rede pública estadual, reencontra os irmãos e volta para sua cidade de origem, Tururu, no interior do Ceará. O retorno ao convívio familiar ocorreu na segunda-feira (10), depois de uma busca incessante realizada pelos assistentes sociais da unidade com o apoio da Superintendência de Fortaleza da Secretaria da Saúde do Estado (Sesa).

A assistente social do HSM Thanara Pereira conta que o paciente vivia em situação de rua quando uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu 192) o trouxe para a unidade hospitalar. “Ele chegou aqui há mais de três anos, sem documentação e desorientado. Empenhamos-nos na localização dos familiares, mesmo diante das dificuldades, porque o paciente dizia que eles não estavam mais vivos”, relembra.

No ano passado, a profissional conseguiu localizar a certidão de nascimento do paciente no município de Uruburetama. Lá, descobriu que alguns familiares dele estão vivos e moram em Tururu, município próximo. Com os documentos de identificação e com a localização da moradia de alguns irmãos, foi possível providenciar o retorno do paciente ao convívio familiar.

E foi o vigilante João Bosco dos Santos, de 53 anos, que compareceu ao HSM para buscar o irmão. “Eu nem imaginava que um dia ainda pudesse reencontrá-lo. Agora, ele vai morar comigo e farei o possível para ajudá-lo”, diz.

Desinstitucionalização

Para promover o reencontro, houve uma articulação entre o Serviço Social do HSM e os profissionais do município, com o apoio da Superintendência de Fortaleza da Sesa, que tem oferecido suporte aos hospitais psiquiátricos do Ceará na perspectiva de construção de estratégias de desinstitucionalização para os casos de internação de longa permanência e com o intuito de projetar um fluxo permanente de acompanhamento.

A assessora técnica da Superintendência Regional de Fortaleza, Karina Gadelha, explica que, para a construção dessas estratégias, também são envolvidos os municípios, fortalecendo os pontos da Rede de Atenção Psicossocial na continuidade do cuidado e no acompanhamento longitudinal dos casos. “Para viabilizar esse retorno do paciente do HSM, por exemplo, contamos com a articulação das Redes Municipais de Saúde e Assistencial dos municípios de Uruburetama, Tururu e Itapipoca. Ocorreram vários estudos de caso, visitas, articulações intersetoriais, interinstitucionais e intermunicipais, além do envolvimento dos familiares para construir as melhores estratégias para o caso”, afirma.

 

Ela ressalta que o processo de desinstitucionalização, por ser bastante complexo, “não encerra com a saída do paciente do hospital, pois ele irá necessitar de apoio no seu local de moradia, tanto nos aspectos mais objetivos, como consultas, uso de medicamentos, solicitação de benefícios, como nos processos mais subjetivos, como o fortalecimento do vínculo com os familiares, a vida comunitária, as relações cotidianas e outras necessidades que possam surgir em contextos e tempos diversos”, explica. “Por isso, foram pactuadas estratégias para o acompanhamento dele e dos familiares nos municípios de Tururu e Itapipoca, que serão monitoradas”.

Fortalecimento de ações

No Hospital de Saúde Mental Professor Frota Pinto, desde 2020, o Serviço Social tem ampliado suas ações de desinstitucionalização, proporcionando a saída de nove pacientes que se encontravam na unidade por situação de abandono familiar ou pela falta de contato com os parentes. Desde agosto do ano passado, o HSM passou a contar com a parceria da Superintendência de Fortaleza da Sesa para fortalecer esse trabalho já realizado pela unidade. Em fevereiro deste ano, o HSM formou a primeira Comissão de Desinstitucionalização composta por profissionais do Serviço Social, Psicologia e Psiquiatria.

 

O diretor-geral do HSM, Frederico Emmanuel Leitão Araújo, ressalta que o HSM tem como foco o acolhimento, o tratamento humanizado e a busca pelo estabelecimento dos vínculos familiares. “Nosso cuidado deve ir além do tratamento clínico, com foco na ressocialização e reabilitação deles. Promover esse reencontro entre a família e o paciente, depois de tantos anos, só é possível devido ao esforço, compromisso e dedicação de toda a equipe envolvida”, avalia o diretor.