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Busca ativa: parceria entre escola e famílias reforça trabalho pela permanência dos alunos

28 de maio de 2021 - 15:23 # # # # #

Bruno Mota - Ascom Seduc - Texto
Arquivos Pessoais - Fotos

O esforço para garantir a permanência dos estudantes na escola consiste numa força-tarefa que envolve diversos entes. Não se trata de um trabalho individual, mas de uma ação coletiva, que envolve parceria, engajamento e boa vontade de toda a comunidade escolar. Neste processo, as famílias dos estudantes não poderiam ficar de fora, e são consideradas peças fundamentais para o sucesso da campanha de busca ativa. Sem o apoio de pais e responsáveis, seria mais difícil fazer com que a premissa “Nem 1 aluno fora da escola” se convertesse em resultados efetivos.

Rosa Moura é agricultora e mãe do jovem Antônio, de 15 anos, que cursa a 1ª série na Escola de Ensino Médio (EEM) Francisco Porciano Ferreira, no município de Marco. Rosa foi eleita como representante dos pais de alunos na comunidade de Baixa das Carnaúbas e atua fazendo a ponte entre a unidade de ensino e as famílias da região. Desde que assumiu a função, no início deste ano, passou a trabalhar em prol da garantia da educação dos jovens da região.

“Estou ajudando a escola no trabalho de melhorar a comunicação com os pais dos alunos. Sempre que os professores querem falar com os alunos ou com os pais, pedem o meu apoio. Acho muito bom participar desse grupo, porque sei que de alguma forma estou ajudando”, considera.

Rosa observa que a reação da comunidade, diante do papel que exerce, tem sido positiva. “Vejo a alegria dos pais quando recebem um recado vindo dos professores. Eles ficam felizes porque a escola está se preocupando e indo atrás. Em cada localidade tem um pai representante”, explica Rosa.

Comunicação

A diretora da EEM Francisco Porciano Ferreira, Carleia Sampaio, esclarece que a comunidade escolar propôs o desafio de potencializar a participação dos estudantes nas atividades da escola e corresponsabilizar as famílias neste processo. “Mesmo no presencial, sempre tivemos dificuldades em ter e manter contato com alguns pais e/ou responsáveis e estudantes. Então, surgiu a ação Parceria para a Permanência de Alunos, que consiste em reunir, mensalmente, os estudantes com baixa interação e seus responsáveis, para reconhecer os entraves da participação e reorganizar a rotina do estudante”, aponta.

Sempre que a gestão ou algum professor tem dificuldade para se comunicar com um aluno, de acordo com Carleia, os representantes de pais são acionados. “Ainda estamos na execução da ação, mas já conseguimos chegar a todos os estudantes e responsáveis, conhecendo a situação de cada um deles, tentando, no diálogo, sensibilizá-los e dar-lhes condições para que não abandonem a escola”, pondera.

Persistência

A agricultora Jecilene Paiva mora na localidade de Poço da Pedra, no município de Boa Viagem, e tem dois filhos. A mais velha, Glória Hannah, de 18 anos, cursa a 3ª série na EEM Dom Terceiro. O mais novo tem 15 e faz o 9º ano do Fundamental em uma unidade de ensino da rede municipal. Jecilene é representante dos pais de alunos da 3ª série do Ensino Médio na Escola Dom Terceiro e, segundo conta, participa de tudo o que acontece na instituição.

“Resolvi me engajar nesse movimento porque entendo que a escola continua sendo a chave para o sucesso, e um dos fatores mais importantes na vida de um jovem. A escola é a garantia de um futuro para os nossos filhos, e acredito que todos os pais queiram o melhor para eles. Por isso, dão força e correm atrás, para não deixarem os meninos desistirem”, ilustra.

Jecilene diz que quando há um aluno com pendência, os professores chamam os responsáveis para uma conversa. E caso necessitem de apoio extra para o acompanhamento dali em diante, as representações de pais são solicitadas para reforçar o trabalho. “Peço aos pais para que fiquem de olho nas atividades dos filhos. Oriento a eles que, se tiverem dificuldade em alguma tarefa, peçam ajuda”, comenta.

Conscientização

A diretora da EEM Dom Terceiro, Necivalda Queiroz, avalia que, devido ao distanciamento social, o risco de abandono aumentou. Com isso, as ações de resgate de alunos – que já vinham sendo realizadas de forma constante pelos professores Diretores de Turma e demais membros da comunidade escolar – foram reforçadas com a inclusão dos pais dos estudantes no processo.

“Realizamos reuniões de pais pelo Google Meet, por turma, a cada bimestre. Também fazemos convocação individual daqueles que merecem mais atenção, além de visitas domiciliares, observando os cuidados contra o coronavírus. Durante a entrega das cestas alimentícias e chips, aproveitamos, também, para falar com os responsáveis. Recentemente, constituímos o Comitê da Busca Ativa e a ação foi fortificada: pais e alunos fizeram campanha produzindo vídeos, fazendo visitas e entrando em contato com seus pares”, explica a gestora.

Necivalda defende que o elo com as famílias é ponto-chave para a permanência dos jovens. “Portanto, procuramos sempre manter contato com as famílias de nossos alunos, mantendo-as informadas de tudo o que acontece na escola e garantindo a nossa parceria. Ressaltamos que não há uma receita pronta em se tratando de busca ativa. Há ações diárias que devem ser planejadas, articuladas e executadas por uma gestão escolar democrática, participativa e colaborativa”, salienta.