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Julho Amarelo: Hospital São José orienta sobre prevenção e controle das hepatites virais

5 de julho de 2021 - 13:43 # # # # # # #

Diego Sombra - Ascom HSJ - Texto e fotos
Saulo Cruz - Artes gráficas

Maria Didi Rocha da Costa ficou surpresa ao saber que estava com hepatite C. Silenciosa, a doença não manifestava qualquer tipo de sintoma na aposentada de 65 anos, que descobriu a infecção após um exame. “Eu estava sentindo algumas coisas, mas não tinha nada a ver com hepatite. Fui ao médico e ele pediu um teste por precaução. Foi aí que veio o resultado positivo”, relatou a paciente, acompanhada há cinco anos por especialistas do Hospital São José (HSJ), unidade da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa) referência no tratamento de hepatites virais.

Maria integra o grupo de 673.389 pessoas diagnosticadas com hepatites virais no Brasil entre 1999 e 2019. Os dados foram registrados pelo Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) e mostram a incidência significativa das infecções no País.

Médica hepatologista do HSJ, Elodie Hyppolito orienta sobre as ações de vigilância, prevenção e controle das hepatites. Neste mês, o tema ganha ainda mais destaque em função do Julho Amarelo, campanha que busca chamar atenção para as infecções.

Maria Didi Rocha da Costa durante consulta no Ambulatório de Hepatites do HSJ com a médica Elodie Hyppolito

“Hepatite é qualquer inflamação no fígado. O consumo de álcool, o uso de medicamentos e a gordura da obesidade, por exemplo, estão entre os fatores que podem causar esta inflamação. Quanto às hepatites infecciosas, elas podem ser decorrentes de vírus, fungos e bactérias”, explica a médica, também responsável por coordenar o Ambulatório de Hepatites do São José.

As hepatites virais mais recorrentes são as do tipo A, B, C, D e E. A depender do caso, elas acarretam alterações leves, moderadas ou graves no fígado. Por isso, é fundamental que a população conheça os sintomas, formas de diagnóstico, tratamento e medidas de prevenção às infecções. “Uma em cada cem pessoas é portadora da hepatite C e uma em cada cem pessoas adultas tem hepatite B. O problema é que apenas 20% desses pacientes de fato sabem do diagnóstico”, alerta Hyppolito.

Sinais e sintomas

As hepatites são, normalmente, assintomáticas. Portanto, uma pessoa pode estar infectada e não saber. “Nas formas agudas, ou seja, recentes, raramente nós podemos ter olhos e pele amarelados, urina escura, de cor alaranjada ou até mesmo preta, fezes claras, além de sintomas virais como dor no corpo, febre e mal-estar”, orienta a hepatologista, ressaltando a importância da testagem para o diagnóstico das doenças.

“É importante a gente salientar que a maioria das hepatites não tem sintomas e a gente só diagnostica por meio de testes sorológicos. Não adianta você dizer que foi fazer o seu check up e o doutor pediu o hemograma completo. Tem que pedir o teste de sorologia pras hepatites B e C”, afirma. Nas unidades básicas de saúde, é possível realizar testes rápidos e os resultados saem na hora.

Formas de transmissão

As hepatites A e E são ocasionadas por água ou alimentos contaminados. “A hepatite A não cronifica e cura na maioria das vezes. Para ela, tem vacina. Já a E tem pouca importância epidemiológica, mas, em grávidas, ela pode causar hepatites muito graves, podendo, ainda, cronificar em pacientes imunossuprimidos. Lembrando que os porcos são vetores da hepatite E”, pontua.

Já as hepatites B e C e D podem ser disseminados por sangue ou sexo. Desta forma, pode acontecer o contágio intrauterino, que ocorre quando a mãe transmite o vírus para o feto.“Os tipos C e B são considerados os mais graves, sendo, inclusive, a primeira e a quarta causa respectivamente de transplante de fígado no Ceará”, acrescenta Hyppolito.

Elodie Hyppolito é médica hepatologista e coordena o Ambulatório de Hepatites do São José

O uso do preservativo nas relações sexuais e o não compartilhamento de objetos de uso pessoal, como lâminas, alicates de unhas e seringas, são as principais medidas de prevenção às hepatites B e C. “As hepatites A e E podem ser prevenidas a partir do tratamento da água. A do tipo A também tem prevenção por vacina. É uma vacina eficaz, segura, feita em duas doses: ao nascer e com seis meses. A hepatite B também tem uma vacina altamente eficaz, dividida em três doses. Reforçando que a hepatite B é considerada uma doença sexualmente transmissível. Com isso, todos os cuidados para evitar a infecção pelo HIV também valem para evitar o tipo B”, completa.

Tratamento

A primeira etapa do tratamento é a consulta com o profissional de saúde, que fará a avaliação física do paciente e a solicitação de exames específicos. Pelo fato de serem combatidas pelo próprio sistema imunológico, as hepatites A e E são eliminadas do organismo naturalmente. Contudo, é necessário buscar melhores condições de saneamento e higiene, sobretudo durante o preparo dos alimentos.

“Para hepatite C, o tratamento é feito com um comprimido por dia. O paciente toma a medicação por 8 a 24 semanas. Não há efeito colateral e praticamente não há contraindicação. A chance de cura é de quase 100%. O tratamento da hepatite B também é realizado com medicamento, mas não cura. O paciente toma o remédio para zerar a carga viral e proteger o fígado. Ainda não temos remédio capaz de eliminar o vírus da B do organismo”, detalha.

Infectada pelo tipo C, Didi acredita que contraiu o vírus durante uma transfusão sanguínea. Hoje, já está curada e é grata pelo atendimento que recebe no São José. “Graças a Deus, eu me curei. Mas, por conta da doença, eu fiquei com uma cirrose e sou acompanhada aqui. A equipe sempre me recebeu e me recebe muito bem”, elogia.

Julho Amarelo

O Julho Amarelo faz referência ao 28 de julho, data escolhida pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para celebrar o Dia Mundial de Luta contra as Hepatites Virais. A campanha foi instituída em 2019 pela Lei 13.802.