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Vidas sobre rodas: a rotina de quem atua nas ambulâncias das UPAs em meio à pandemia

26 de julho de 2021 - 14:55 # # # # # # #

Márcia Catunda - Ascom UPAs - Texto e fotos

Durante a o período pandêmico, houve aumento da frota e de treinamentos para intensificar o combate à doença

A pandemia de Covid-19 promoveu mudanças na área da Saúde, como foi o caso do serviço de ambulâncias nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs). Entre elas estão o aumento da frota e de treinamentos direcionados ao combate à doença, a contratação de mais profissionais e a criação de fluxo específico para os pacientes infectados.

O objetivo do serviço de ambulâncias é fazer o transporte dos pacientes que necessitam dar continuidade ao tratamento na rede de saúde, com a necessidade de realizar exames específicos. Em 2020, de janeiro a dezembro, 8.059 pacientes, incluindo os infectados pelo coronavírus, foram transferidos pelas ambulâncias das nove UPAs administradas pelo Instituto de Saúde e Gestão do Ceará (ISGH). Seis delas são da rede pública estadual: UPA Messejana, UPA Praia do Futuro, UPA José Walter, UPA Canindezinho, UPA Autran Nunes e UPA Conjunto Ceará. Em 2021, somente nos meses de janeiro a junho, foram 7.395 pacientes transportados.

Romário Lima é motorista de ambulância há quase três anos. Ao chegar ao local de trabalho, ele veste a farda institucional e pega uma pasta. “Essa pasta contém planilhas em relação ao controle de rotas, com horário de saída e chegada em cada unidade e detalhes do trajeto. Além disso, há documento de checklist com os itens que estão no interior do veículo e precisamos checar se todos estão lá e com boa capacidade de operação, além de equipamentos que podem ser úteis. Precisamos ter o olhar apurado para que não falte nada para o paciente”, detalha o condutor.

Há quase três anos como motorista de ambulância, Romário Lima está na linha de frente de enfrentamento à Covid

A primeira onda de Covid-19, segundo Lima, foi uma grande incógnita. “O medo foi o principal desafio a ser enfrentado, quando soubemos que éramos profissionais de linha de frente. Víamos a preocupação dos pacientes com o próprio estado de saúde. Isso me marcou muito. Mas é gratificante perceber que, mesmo em meio a tantas adversidades, conseguimos transmitir tranquilidade ao paciente e realizar a remoção da melhor maneira possível, com toda assistência necessária”, continua.

Frota ampliada

Com a pandemia, a gestão das UPAs adquiriu mais uma ambulância tipo B, indicada para transporte de pacientes com risco de morte, mas sem a necessidade de intervenção clínica no local. Além disso, também foram alugados mais dois transportes sanitários que atuam no deslocamento de portadores de quadro de saúde agudo ou cronicamente enfermos, avaliados por profissionais de saúde em domicílio ou na unidade de saúde e que necessitam de encaminhamento a outra unidade de referência; um transporte para serviço de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) também foi providenciado para suprir a demanda.

Ao todo, somente durante o período pandêmico, foram alugadas mais quatro ambulâncias para compor a frota, totalizando hoje 11 veículos. Destes, dois são transportes sanitários, oito são tipo B e um, de UTI.

“Nós transportamos vidas com o intuito de salvá-las. Para isso, fomos selecionados e estamos aqui. Moro há 40 km do meu local de trabalho e tenho prazer em fazer a minha função. A nossa rotina é muito gratificante, pois contribuímos com o bem mais importante que existe no universo: a vida. Nós sentimos a gratidão das pessoas quando fazemos um transporte gratuito e de qualidade”, destaca Jovanio Souza, socorrista de ambulância.

“Nosso trabalho é cansativo, mas, ao fim do trabalho realizado, vem o sentimento de gratidão e realização. Afinal, não há nada mais gratificante que se deparar com um paciente debilitado e entregá-lo recuperado à família, que aguarda ansiosa por esse momento. Nosso coração chora de alegria quando somos elogiados e reconhecidos por familiares e parentes. E nossos familiares sentem orgulho de nós”, reconhece Souza.