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Ansiedade e estresse podem ser associados à puberdade precoce, alerta especialista

8 de setembro de 2021 - 16:09 # # # # # # #

Suzana Mont'Alverne - Ascom Sesa - Texto
Francisco Oliveira - Arte gráfica

A pandemia de Covid-19 desordenou aspectos na vida de todos, principalmente com a adoção – necessária – do isolamento social como medida de proteção contra o coronavírus. A saúde mental das pessoas foi impactada. Ansiedade e estresse foram algumas das consequências do período, atingindo também crianças e adolescentes. Diante deste contexto, o Centro Integrado de Diabetes e Hipertensão (CIDH), unidade da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), alerta para a puberdade precoce, que consiste no aceleramento do processo de maturação do indivíduo.

O desenvolvimento antecipado pode estar relacionado a transtornos psicossociais, como baixa autoestima, ansiedade, depressão, bullying e isolamento social. Foi percebido um aumento na procura por avaliações no centro assistencial, que atualmente acompanha 781 crianças e adolescentes em tratamento.

Nas meninas, o amadurecimento precoce acontece antes dos oito anos e, nos meninos, antes dos nove. A diretora clínica do CIDH, Marcela França, recomenda maior atenção aos pais e responsáveis na identificação do surgimento de caracteres da puberdade antes dessa idade, assim como progressão rápida das mudanças corporais.

“Nas meninas, a identificação é mais fácil, com o surgimento do broto mamário, aumento das mamas. No caso dos meninos, o aumento dos testículos é um dos principais sinais, por isso, podem ser despercebidos”, pontua. O aparecimento de pelos pubianos e nas axilas, odor nas axilas e surgimento de espinhas são características comuns a meninas e meninos.

França aponta que, com a evolução, o crescimento estatural acelerado, o chamado estirão puberal, pode ser notado. “As alterações hormonais podem causar também alterações do humor da criança”, diz. A atenção é pedida não apenas pelo aspecto psicológico da criança, mas também pela interferência da doença em sua estatura final.

Prevenção

Fatores ambientais podem estar associados ao desenvolvimento da puberdade precoce ou puberdade com progressão rápida, como temos observado. O estilo de vida saudável, com alimentação balanceada e práticas de exercícios regulares, além de sono adequado e evitar excesso de exposição às telas (TV, celular, tablets e computadores) auxiliam no controle psicossocial e hormonal de uma criança. “Assim como evitam o sobrepeso e a obesidade infantil”, completa a diretora clínica.

Os responsáveis pelas crianças devem oferecer diariamente legumes e verduras como parte da alimentação. As frutas podem ser distribuídas nas refeições, sobremesas e lanches. “Alimentos gordurosos e frituras devem ser evitados, assim como os refrigerantes, sucos industrializados, balas, bombons, biscoitos doces e recheados, salgadinhos e outras guloseimas no dia a dia”, indica França.

Acesso ao CIDH e tratamento

O CIDH realiza, desde 1993, atendimento endocrinológico às crianças diagnosticadas com a doença. Os pacientes podem ser recebidos diretamente na unidade ou são encaminhados para avaliação via Central de Regulação do Estado.

São necessários encaminhamento médico, exames clínicos, raio-x das mãos e dos punhos para investigação da idade óssea e exames hormonais para o diagnóstico da doença. O tratamento da puberdade precoce visa a adequar o desenvolvimento para idade cronológica da criança, evitar menstruação precoce, prejuízo na altura adulta e danos psicológicos, “realizado com aplicação de medicação intramuscular a cada quatro ou 12 semanas, que irá promover o bloqueio da puberdade”, explica.

A duração do tratamento é avaliada individualmente. “O tratamento é interrompido pelo médico quando o processo de puberdade pode acontecer naturalmente, sem prejudicar o paciente”, informa a Marcela França.

Serviço

Centro Integrado de Diabetes e Hipertensão (CIDH)
Endereço: Rua Silva Paulet, 2406 – Aldeota, Fortaleza
Telefone: (85) 3101-1532