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Portadores de marcapasso: “Com alguns cuidados, é possível ter qualidade de vida”, diz cardiologista

22 de setembro de 2021 - 12:35 # # # #

Jéssica Fortes - Ascom do HM Texto e fotos
Fabio dos Santos Arte gráfica

Referência em estimulação cardíaca artificial, o Hospital de Messejana, da Rede Sesa, atende cerca de 400 pacientes no ambulatório e realiza implantação de 60 aparelhos por mês

Usar celular, viajar de avião, passar por detectores de metais e outras atividades comuns geram dúvidas na vida de quem recebe um implante de marcapasso. O Hospital de Messejana Dr. Carlos Alberto Studart Gomes (HM), da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), é referência em estimulação cardíaca artificial. Em média, 400 pacientes são atendidos por mês no ambulatório e cerca de 60 procedimentos para implantação de marcapasso são realizados mensalmente na unidade.

Nesta quinta-feira (23), Dia do Portador de Marcapasso no Brasil, a cardiologista Stela Maria Vitorino, responsável pelo Serviço de Marcapasso do HM, desmistifica o assunto. Ela esclarece dúvidas que envolvem o dia a dia dos portadores do dispositivo e de seus familiares. “Com alguns cuidados, é possível ter qualidade de vida e uma rotina normal”, adianta.

O agricultor Oswaldo Viana de Lima, 82, morador de Quixeramobim, distante 213 km de Fortaleza, colocou um marcapasso em 2018, no Hospital de Messejana. Ele e os filhos tiveram muitas dúvidas quando souberam da necessidade de implantação do aparelho. “Nós recebemos um manual de instruções e os médicos nos deram todas as orientações necessárias. Isso facilitou bastante e tirou várias dúvidas. Hoje, nós sabemos que ele deve sempre andar com a carteirinha e, antes de entrar em bancos, por exemplo, nós avisamos. Ele também sabe que não pode pegar peso e as atividades precisam ser leves, apenas caminhadas”, afirma a filha, Francisca Valdilene Viana. “Antes, ele vivia cansado, e agora precisamos ficar de olho pra ele não se ‘danar’. Tomamos os cuidados e ele leva uma vida normal pra idade dele”.

O agricultor Oswaldo Viana de Lima, 82, colocou marcapasso em 2018, no HM. Ele e os filhos tiveram muitas dúvidas quando souberam da necessidade de implantação do aparelho

De acordo com Vitorino, a falta de informação ainda é um grande problema. “Muitas pessoas que necessitam de um marcapasso às vezes nem sabem, pois não reconhecem os sintomas, que podem ser confundidos com outras doenças. Para as pessoas que já têm o implante e seus familiares, também é preciso ter conhecimento sobre os cuidados, a prática de atividades físicas, entre outras coisas”, pontua a especialista.

O que é o marcapasso e quando ele é indicado?

O dispositivo eletrônico emite uma corrente elétrica capaz de controlar e estimular o ritmo cardíaco. Ele possui um gerador, uma bateria interna e eletrodos – que são conectados ao coração e ligados ao marcapasso. “O aparelho é indicado para pacientes com o ritmo cardíaco irregular ou lento, também conhecido como bradicardia. Quando essa queda dos batimentos cardíacos é acompanhada de sintomas como tonturas, cansaço fácil, escurecimento da vista e desmaios, o paciente precisa ser investigado, pois pode ser uma doença no sistema elétrico do coração”, explica a cardiologista.

Dispositivo eletrônico é indicado para pacientes com o ritmo cardíaco irregular ou lento

O marcapasso também é indicado em alguns casos de insuficiência cardíaca, quando o coração não consegue mais bombear sangue suficiente para o corpo, em doenças congênitas, em pacientes que sofrem com Bloqueio Atrioventricular avançado, hipersensibilidade do seio carotídeo, doença do nó sinusal e QRS alargado.

Coloquei o marcapasso. Que cuidados preciso ter?

A cardiologista Stela Vitorino ressalta que, geralmente, o paciente pode retomar as atividades habituais após 30 dias. Imediatamente após a cirurgia, no entanto, já se observa o desaparecimento de sintomas como tonturas e falta de ar.

Já os cuidados pós-operatórios variam de acordo com o caso e são orientados pelo médico após a cirurgia. “É muito importante continuar o acompanhamento cardiológico com a frequência que o médico indicar. Geralmente, as avaliações são marcadas após um, três e seis meses. Depois deste período, somente de seis em seis meses”, diz a médica.

É essencial, ainda, ler com atenção o manual do marcapasso, entregue após as cirurgias. Nele, terão todas as informações referentes à maioria das dúvidas que costumam preocupar os pacientes e familiares. Confira algumas delas:

“Tome uma atitude de pulso”

Medidas simples, como colocar as pontas dos dedos abaixo do pulso, pressionar ou mover os dedos até sentir a pulsação e acompanhar os batimentos com um relógio, pode salvar milhares de vidas. A campanha, que é uma iniciativa da Associação Brasileira de Arritmia, Eletrofisiologia e Estimulação Cardíaca Artificial/Departamento de Estimulação Cardíaca Artificial (Abec/Deca), da Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular (SBCCV), mobiliza cardiologistas em todo o País com objetivo de desmistificar o assunto.

O número de batimentos cardíacos considerado normal está entre 60 e 100 por minuto ou um batimento por segundo. “Abaixo desse valor, quando ocorrem batimentos cardíacos lentos ou a pessoa apresenta sintomas, ela deve procurar um cardiologista para definição do diagnóstico”, orienta Stela Maria Vitorino.