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Nova sessão do Cineclube Âncora exibe “Teko Haxy – ser imperfeita”

23 de setembro de 2021 - 15:51 # # # # # # # #

Ascom Porto Iracema das Artes - Texto
Patrícia Ferreira Pará Yxapy e Sophia Pinheiro - Fotos

O projeto é um espaço de discussão e reflexão sobre a cena audiovisual do Brasil dentro da Porto Iracema das Artes. A nova sessão acontece no dia 24 de setembro, às 18h, e será seguida de debate

O filme “Teko Haxy – ser imperfeita”, das cineastas Patrícia Ferreira Pará Yxapy e Sophia Pinheiro, é o próximo a ser exibido e debatido no Cineclube Âncora, da Escola Porto Iracema das Artes, instituição da Secretaria da Cultura do Ceará (Secult) gerida pelo Instituto Dragão do Mar (IDM). O projeto cineclubista é um espaço de discussão e reflexão sobre a cena audiovisual do Brasil. O novo encontro acontece na próxima sexta-feira (24), às 18h, no YouTube da escola, com mediação de Kamilla Medeiros e alunes do Curso Básico de Audiovisual da Porto.

A obra retrata um encontro íntimo entre duas mulheres que se filmam. “O documentário experimental é a relação de duas artistas, uma cineasta indígena e uma artista visual e antropóloga não-indígena. Diante da consciência da imperfeição do ser, entram em conflitos e se criam material e espiritualmente. Nesse processo, se descobrem iguais e diferentes na justeza de suas imagens”, revela a sinopse. Com roteiro, direção e fotografia de Patrícia Ferreira Pará Yxapy e Sophia Pinheiro, o filme é de 2018 e tem 39 minutos. Ele está disponível na vitrine da escola até o dia 24 de setembro na plataforma Vimeo.

Em artigo publicado na revista Verberena, as cineastas compartilharam um pouco da experiência durante o processo de criação da obra. “É uma experiência do encontro. Diante da câmera, criamos personagens, mas também colocamos nossos assuntos mais íntimos. Assumimos uma estética íntima – nosso diário relacional – um experimento visual feito por nós, duas mulheres de diferentes mundos que criaram um mundo dentro dessas diferenças”, revelam.

A obra foi filmada por quase três anos, desde 2015. Para realizar, elas precisaram se adequar à linguagem das vídeo-cartas. Construído narrativamente pela montagem de Tatiana Soares de Almeida (Tita), é “um cinema-processo, inacabado, imprevisível’’, resumem as artistas. “A fissura se deu apenas quando compreendemos a natureza dos nossos corpos – colocados em relação e como aliados”, concluem.

Kamilla Medeiros, mediadora desta sessão e uma das fundadoras do Cineclube Âncora, em 2017, quando ainda era aluna do Programa de Formação Básica da Escola, ressalta a importância da retomada do projeto, renovado com a nova turma do Curso Básico de Audiovisual e as sessões que devem acontecer até o final deste ano. Ela destaca, também, a atualidade do filme no contexto brasileiro. “O ‘Teko-Haxy’ é um filme de 2018, mas é muito atual. E é um filme muito pertinente quando a gente pensa que,  neste momento, o Brasil está votando o marco temporal, que é um atraso não só para todas as etnias e povos originários, mas pra gente, pro mundo. É muito triste. Então, assistir o filme, conversar sobre ele agora, com essas duas mulheres, vai ser incrível”, acredita.

Sobre as diretoras

Patrícia Ferreira Pará Yxapy

Patrícia Ferreira Pará Yxapy, é professora e realizadora audiovisual indígena da etnia Mbyá-Guarani. Em 2007, cofundou o Coletivo Mbyá-Guarani de Cinema. Está finalizando seu primeiro longa e circula em festivais de cinema com o filme TEKO HAXY – ser imperfeita, codirigido com Sophia Pinheiro. Fez parte do projeto Jeguatá – Cadernos de Viagem com Ana Carvalho, Fernando Ancil e Ariel Ortega. Em 2019, participou da mostra Performances Ameríndias do Doclisboa (Lisboa), participou como artista da 21ª Bienal de Arte Contemporânea Sesc_Videobrasil. Em 2020, prepara-se para exposição individual na Berlinale, dentro da mostra do programa Forum Expanded. Já realizou os filmes: As Bicicletas de Nhanderu; Desterro Guarani; TAVA, a casa de pedra; e No caminho com Mario.

Sophia Pinheiro

Sophia Pinheiro, 1990, nasceu em Goiânia (GO), vive e trabalha em São Paulo (SP). É pensadora visual, interessada nas políticas e poéticas visuais, processos de criação, gênero, sexualidade e epistemologias ameríndias. Operadora totêmica, assenta seu ser caipira da mata com as artes visuais e os cinemas. Formada em artes visuais (FAV-UFG), é doutoranda em Cinema e Audiovisual (PPGCine-UFF), mestre em Antropologia Social (PPGAS-UFG) e professora da Academia Internacional de Cinema do Rio de Janeiro na matéria ‘Cinemas de Invenção’. Realizadora dos filmes “TEKO HAXY – ser imperfeita” (2018) co-dirigido com a cineasta Mbyá-Guarani Patrícia Ferreira Pará Yxapy e “Nhemongueta Kunhã Mbaraete” (Programa IMS Convida, 2020), em colaboração com Graciela Guarani, Patrícia Ferreira Pará Yxapy e Michele Kaiowá, uma obra-processo de 16 vídeo-cartas. Curadora da “Mostra Amotara – Olhares das Mulheres Indígenas” (Bahia, 2021) e do CineLage “Ocupar a terra, ocupar a tela – mostra de filmes com e por mulheres indígenas” (Parque Lage, Rio de Janeiro, 2019). Em 2021, foi artista residente do Pivô Pesquisa – Ciclo II (SP) e artista bolsista do programa Formação e Deformação – Emergência e Resistência em 2019 da Escola de Artes Visuais do Parque Lage (RJ).

Sobre a Escola

O Porto Iracema das Artes é uma instituição da Secretaria da Cultura do Estado do Ceará, sob gestão do Instituto Dragão do Mar (IDM). Criada em 29 de agosto de 2013, há oito anos desenvolve processos formativos nas áreas de Música, Dança, Artes Visuais, Cinema e Teatro, com a oferta de Cursos Básicos e Técnicos, além de Laboratórios de Criação. Todas as ações oferecidas são gratuitas.

SERVIÇO

O quê: Filme “Teko Haxy – ser imperfeita”, de Sophia Pinheiro, será exibido em nova sessão do Cineclube Âncora
Quando: 24 de setembrosexta-feira, às 18h
Onde: Canal do Youtube do Porto Iracema
Filme disponível no Vimeo da Escola a partir da segunda-feira, 20, até a sexta, 24 de agosto.
Programação online e gratuita