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Campanha Ceará sem Racismo é apresentada em Assembleia dos Povos Indígenas

17 de novembro de 2021 - 12:10 # # #

Ascom SPS Texto
Sheyla Castelo Branco - Ascom SPS Fotos

Depois de um ano impedidos de se reunir, pelas condições sanitárias de enfrentamento à Covid-19, os povos indígenas das 15 etnias cearenses se reencontraram na manhã desta terça-feira (16), no primeiro dia da 25ª Assembleia dos Povos Indígenas do Ceará, no território Pitaguary, em Maracanaú. O encontro foi, para eles, um retorno ao abraço e marcou a celebração aos seus ancestrais e a luta permanente pela terra. Foi nesse cenário que os indígenas cearenses conheceram a campanha Ceará sem Racismo – Respeite a minha história, reforce a minha luta, reconheça a minha tradição, lançada pela Secretaria da Proteção Social, Justiça, Cidadania, Mulheres e Direitos Humanos.

A campanha reúne cinco lideranças indígenas cearenses em banners, folders e mapa que apresenta todas as etnias cearenses e fala sobre a localização desses povos no território do Estado. Ilustram a campanha Cacique Pequena, da etnia Jenipapo-Kanindé; Cacique Sotero, da etnia Kanindé; Luiza Tabajara, da etnia Tabajara; Pajé Raimunda, da etnia Tapeba; e Pajé Barbosa, da etnia Pitaguary.

Aos 72 anos e contabilizando oito filhos e mais de 38 netos e 35 bisnetos, a pajé Raimunda agradece o reconhecimento aos encantados e aos indígenas que a escolheram para ser uma das mulheres que figuram na campanha. Ela lembra que, desde 1982, segue na luta pela demarcação e vem sendo uma inspiração para seu povo. “Eu não sei ler, não sei escrever, mas tenho uma sabedoria que peguei do meu povo. E meu desejo como pajé do meu povo e como mestre da cultura é passar para o meu povo, para essa geração que está aí, que siga em frente com a luta, com a tradição, respeitando as pessoas”, destaca. Ela completa: “Tendo essa alegria de ver tudo isso acontecer, a terra demarcada, meu povo com sabedoria, se Deus me levar, eu vou feliz”.

Emocionada com o reencontro com os parentes, a indígena Luiza Tabajara destacou a importância da demarcação de terra e ressaltou a força e a luta das mulheres indígenas. “Agradecemos ao nosso Pai Tupã por esse momento sagrado, de ter a oportunidade de dar um grito de resistência, exigindo a nossa terra demarcada. E exigindo, acima de tudo, respeito pelos homens e as mulheres que precisam desse território”, observa.

A articuladora técnica da SPS e coordenadora da Federação dos Povos Indígenas do Ceará (Fepoince), Ceiça Pitaguary, destacou a importância de ressaltar essas pessoas ainda vivas. “Precisamos reconhecer nossas lideranças e, principalmente, reconhecer enquanto ainda estão vivas”, afirmou.

A titular da SPS, Socorro França, participou da abertura e observou que o lançamento da campanha reforça o compromisso do Governo do Ceará com a causa indígena. “Tivemos no ano passado uma campanha contra o racismo, uma campanha que diz que o Ceará não aceita o racismo. Agora, nós queremos dar essa visibilidade aos povos indígenas. E reforçar que, mesmo sendo essa uma política federal, o Governo do Ceará está comprometido com os povos indígenas”, ressaltou.