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Uso indiscriminado de antibióticos pode levar a sérios problemas de saúde; HM incentiva boas práticas entre os profissionais

23 de novembro de 2021 - 14:15 # # # #

Jéssica Fortes - Ascom HM Texto e Fotos
Priscila Lima Arte gráfica

Uso indiscriminado de antibióticos pode provocar resistência de bactérias, tornando cada vez mais difícil o tratamento contra infecções

Os antibióticos são drogas que têm a capacidade de impedir a multiplicação de micro-organismos. Indicados para o tratamento de infecções microbianas sensíveis, seu uso deve ser controlado. No entanto, é comum que muitas pessoas façam o uso indiscriminado do medicamento, não respeitando indicações, doses e tempo de uso, o pode levar a sérios problemas de saúde.

Para alertar sobre os riscos do uso sem controle de antibióticos, está em andamento, até esta quarta-feira (24), a Semana Mundial de Uso Consciente de Antibióticos – um alerta da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre os riscos da automedicação e da prescrição inadequada de medicamentos pelos profissionais de saúde. Com o slogan  Antimicrobianos: use com cuidado, a campanha de 2021 tem como objetivo aumentar a conscientização global sobre a resistência microbiana, incentivando as melhores práticas de uso dos antibióticos. A programação teve início na última quinta-feira (18).

A infectologista da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH), do Hospital de Messejana Dr. Carlos Alberto Studart Gomes, Ana Paula Matos Porto, explica que a resistência microbiana é a capacidade de micro-organismos, como bactérias e fungos, ou outros parasitas resistirem à ação de medicamentos usados para prevenir e tratar infecções. “O uso indiscriminado desses antibióticos pode provocar resistência das bactérias aos medicamentos disponíveis no mercado, tornando cada vez mais difícil o tratamento de infecções”, ressalta.

Porto destaca, ainda, que o problema da resistência aos medicamentos é uma das principais preocupações dos órgãos públicos de saúde. “Além de aumentar os casos de infecções por bactérias multirresistentes, outras consequências também são comuns, como o aumento das taxas de mortalidade, prolongamento do tempo de internação hospitalar, a ocorrência de efeitos adversos e o aumento de custos”.

Em contrapartida, o uso correto de antibióticos contribui para a preservação da eficácia dessas drogas tanto para a prevenção como para o tratamento de infecções bacterianas, evitando, assim, a evolução desfavorável e até mesmo a morte de pacientes com doenças potencialmente preveníveis e curáveis.

Problema de saúde pública

Segundo dados da OMS, estima-se que, até 2050, caso não sejam tomadas ações efetivas para controlar os avanços da resistência aos antimicrobianos, dez milhões de vidas serão perdidas anualmente em todo o mundo, com prejuízos que chegam em torno de 100 trilhões de dólares. Como parte das estratégias para o controle da resistência, foi lançado um plano de ação global. O Stewardship é um conceito de gestão clínica do uso de antimicrobianos que prega a seleção otimizada da terapia, seguindo políticas e objetivos definidos de acordo com padrões internacionais de segurança do paciente.

No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou, em 2017, a Diretriz Nacional para Elaboração de Programa de Gerenciamento de Antimicrobianos em Serviços de Saúde. O documento orienta a implementação de um conjunto de ações, incluindo desde a escolha adequada do antimicrobiano, da dose, via de administração e duração de acordo com o diagnóstico, associadas a boas práticas de diluição, conservação e administração, além de auditorias e monitoramento do uso, e educação de profissionais de saúde e pacientes.

Hospital de Messejana promove ações de conscientização em alusão à Semana Mundial de Uso Consciente de Antibióticos, de 18 a 24 de novembro

No HM, esse gerenciamento é feito por meio do Programa de Gerenciamento de Terapia Antimicrobiana (PGTA), desenvolvido pelo Serviço de Controle de Infecção Hospitalar (SCIH) e pela Unidade de Farmácia. Com auditorias frequentes dos antimicrobianos prescritos e intervenções diretas com os prescritores, a equipe atua desde a sugestão de ajustes necessários na terapia, no monitoramento e controle de infecções relacionadas à assistência à saúde (Iras), até a realização de ações de educação continuada.

Nesta terça-feira (23), a CCIH reúne-se com médicos, residentes e prescritores para alertar os profissionais sobre a importância da seleção otimizada e do regime antimicrobiano ideal para cada paciente. “Nosso objetivo é garantir que os pacientes atendidos no HM, que necessitem de terapia antimicrobiana, recebam esse tratamento de forma otimizada e eficiente em relação à seleção, dose, duração e via de administração”, reforça a infectologista Ana Paula.