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Covid-19, gripe e dengue: infectologista do HSJ responde às principais dúvidas da população

11 de janeiro de 2022 - 13:07 # # # # # # # # #

Ascom da Sesa e do HSJ - Texto
Diego Sombra - Foto

Christianne Takeda, infectologista e diretora clínica do Hospital São José, da Rede Sesa, responde aos questionamentos mais comuns da população enviados às redes sociais da Saúde do Ceará

Muitas dúvidas têm sido levantadas pela população devido ao cenário epidemiológico no Ceará e no País. Diante da Ômicron, nova variante da Covid-19, do aumento de casos de influenza e da possível elevação de casos de arboviroses, como dengue, chikungunya e zika, o contexto sanitário acende um alerta.

A Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa) recebe diariamente, em seus canais de comunicação, diversos questionamentos semelhantes da população. A diretora clínica e infectologista do Hospital São José de Doenças Infecciosas (HSJ), Christianne Takeda, respondeu a algumas das principais dúvidas.

Confira a entrevista

Em meio ao cenário de nova variante pela Covid-19, aumento de casos de gripe e com a possibilidade de elevação de ocorrências de dengue, visto a aproximação da quadra chuvosa no Estado, como a população pode se prevenir dessas doenças?
Christianne Takeda: Para a gripe e a Covid-19, as orientações são as mesmas. Os cuidados pessoais são os mesmos, como o uso de máscaras, cobrir nariz e boca; distanciamento social, mantendo um metro de distância de outras pessoas; evitar a aglomeração; higienizar as mãos e evitar tocar olhos, nariz e boca, caso não esteja com as mãos limpas.

Para a Covid-19, com relação à vacinação, tem de ter todas as doses que estão sendo preconizadas. Não adianta ter só uma dose. Lembrando que a maioria das vacinas levam até 15 dias para produzir uma boa imunidade. O organismo leva certo tempo para produzir anticorpos. Importante dizer que não temos ainda uma vacina que impeça da pessoa ter Covid-19, mas ela protege de não ter a doença em estágio grave.

Em relação à gripe, a vacina vem agora em março [a depender do calendário do Ministério da Saúde] , e as pessoas que têm indicação para se vacinar, que são os grupos de risco, como pessoas com mais de 60 anos, cardiopatas, asmáticos, pessoas com depressão, grávidas e doenças renais, por exemplo, devem receber o imunizante. É um grupo muito parecido com o público de risco da Covid-19. Na época da campanha, é importante se vacinar contra a gripe. A vacina é realmente protetora.

Já a dengue… Estamos com ela desde 1994 no País. As orientações também não mudaram. Indica-se a busca por vasilhames que estejam acumulando água; pneus e garrafas que, por ventura, estejam amontoando no quintal, com água, sem que a pessoa saiba; e tentar manter as áreas da casa ou ao redor com o mínimo de lixo possível. O mosquito Aedes aegypti tem um tempo de vida bem curto, mas os ovos podem ficar até um ano sem ter contato com a água. Quando chega o período das chuvas, eles rompem e iniciam a transmissão.

Se uma pessoa da mesma casa estiver infectada, como deve ser feito o isolamento? E se esta casa tiver poucos ou somente um cômodo, como proceder?
C.T.: As casas com um cômodo são difíceis, porque a ventilação já não é muito boa, mas a questão é, realmente, tentar manter a distância entre uma pessoa e outra. No momento em que a pessoa que estiver doente for se alimentar e precisar tirar a máscara, é importante reforçar o distanciamento de mais de um metro para que a pessoa possa comer tranquilamente. As máscaras devem ser trocadas a cada quatro horas, ou seja, três vezes ao dia. Isso se faz necessário porque, ao ficar úmida, o item perde a função de proteção. Outro ponto fundamental: máscaras não se compartilham, são de uso pessoal e individual.

Também deve-se separar prato, copo e talheres da pessoa doente. Deixar também uma esponja separada para lavar apenas os utensílios que foram destinados à pessoa acometida pela doença.

Em uma casa maior, recomenda-se que as refeições sejam feitas em horários distintos. O isolamento dentro de um cômodo também pode ser feito, mas não é uma exigência fechada. Se tiver uma varanda, a pessoa doente pode ficar nela – fazendo uso da máscara e a constante higienização das mãos. Em casa, não há necessidade de usar o álcool sempre, pode-se usar água e sabão. Lembrar também das separação dos utensílios. Essas recomendações valem também para a gripe, principalmente se houver um morador do grupo de risco. E prestar atenção nos sinais de alerta, como falta de ar e extremidades azuladas. Um médico deve ser procurado.

Muitas pessoas utilizam máscara de tecido buscando proteção. Este tipo de material é o mais indicado?
C.T.: A máscara de tecido já é usada fora do Brasil há um tempo, na Ásia, por exemplo. Mas como tem sido falado, na época que o próprio Ministério da Saúde preconizou para uso da população, até foram sugeridos quais tecidos seriam os melhores, como é a construção dessa máscara… Tem orientação de como ela tem de ser feita e deve ter pelo menos três camadas para trazer proteção.

Vale colocar um lenço no rosto? Não, não é o ideal. A proteção não é total, mas vemos algumas pessoas fazendo isso. Não há segurança. Existe no site do Ministério da Saúde orientações sobre como fazer as máscaras.

É preciso continuar fazendo a higienização de objetos com álcool 70% ou água sanitária?
C.T.: Sim. As recomendações antigas não caíram ainda. Continuamos orientando isso. Nós vimos aí uma fase interessante de diminuição de casos, entre junho e dezembro, mas estamos vendo um comportamento diferente do vírus; estamos vendo um aumento, não ainda como antes, mas há aumento. A maioria das orientações para prevenção da Covid-19 se sustentam.

Claro que estamos confiantes com as vacinas. Aqueles que estão com o quadro de vacinas completo têm tido sintomas bem mais leves em relação ao que vimos no passado. A gente está com muitos casos leves, mas ainda temos visto pessoas que não completaram o esquema vacinal ou não começaram ainda com quadros graves.

Existe teste para detecção de influenza/gripe?
C.T.: Sim! Há teste. O SUS [Sistema Único de Saúde] tem oferecido, principalmente, para as pessoas com quadros mais graves, para diagnosticar se é gripe ou Covid-19, e poder ofertar um tratamento para gripe, que existe.

Nós vemos várias instituições privadas ofertando, com o resultado saindo rapidamente. A coleta é bem parecida para gripe e para Covid-19. Usa-se o swab, que é uma haste parecida com um cotonete. O tempo de resultado também é semelhante. Hoje estamos vendo serem comercializados uns kits que fazem ao mesmo tempo testes para gripe A, B e Covid-19.

Quais os medicamentos indicados para tratar a influenza, dengue e Covid-19?
C.T.: Covid-19 e dengue não têm o chamado tratamento específico. Não há um remédio antiviral para combater as duas doenças. A gente costuma dizer que são medidas de suporte. Nós, profissionais de saúde, tratamos os sintomas que a pessoa apresenta no intuito de ajudá-la a passar pela fase mais grave.

Já para gripe, existem antivirais, na rede pública, para aquelas pessoas que fazem parte do grupo de risco. E na rede privada, algumas farmácias vendem esse antiviral, que chamamos de antigripal.

Suplementos de vitamina C, chás, sucos cítricos e outras receitas caseiras têm algum respaldo científico na imunização do organismo e prevenção a estas doenças?
C.T.: Não, infelizmente. Os sucos e alguns chás são recomendados no intuito de ajudar na hidratação. A dengue, por exemplo, costuma desidratar pacientes, por isso costuma ter em receitas médicas essa recomendação.

Importante reforçar que a hidratação é variável, de acordo com o peso. Dito isso, não é igual para o adulto e para a criança. Muitas pessoas ficam com o muco mais espesso, que acaba sendo um fator de risco para infecção por bactéria, e costumamos pedir uma hidratação mais rica.

Então, sucos, mesmo para dengue, até mesmo os cítricos, em que há uma crença popular de que não pode ser tomado, não há nenhuma recomendação para evitá-los. São totalmente liberados. Chás também são recomendados no intuito de hidratar.

Quando buscar uma unidade de saúde?
C.T.: Para pessoas que têm sintomas gripais, a orientação também não mudou. Isso porque pode ser gripe ou Covid. A recomendação é que essas pessoas se afastem do trabalho ou das instituições de ensino para diminuir a transmissão na comunidade. É mais uma barreira para evitar que os vírus se espalhem. A avaliação médica é importante porque, neste momento, são feitas as avaliações e orientações.

No caso da dengue, os sintomas podem ser diferenciados. Suor em excesso, dor abdominal e sangramento da gengiva ou nariz são alguns deles. A pessoa deve procurar uma unidade de saúde.

As pessoas com comorbidades e mulheres grávidas também são consideradas um grupo especial no cuidado da dengue. Mesmo com a dengue leve, com as comorbidades, já inicia-se a avaliação como uma doença que merece um acompanhamento mais próximo. O grupo das pessoas com comorbidades precisam de um olhar diferenciado.