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Farmacêuticos se dizem mais experientes para enfrentar novo momento da pandemia

20 de janeiro de 2022 - 11:16 # # # # # # #

Isabelle Azevedo, Valéria Alves e Débora Morais - Ascom HRSC, HRC e Helv Texto
Divulgação/HRSC/HRC/Helv Fotos

Rainne Almeida é a farmacêutica responsável por quatro farmácias-satélites no Hospital Regional do Sertão Central

O aumento exponencial de casos de Covid-19 desde o início deste ano tem preocupado muitos profissionais da Saúde e colocado outros de sobreaviso para este novo momento da pandemia, agravada pela variante Ômicron e por outras síndromes gripais. Os farmacêuticos, cuja categoria é homenageada neste dia 20 de janeiro, apostam na maturidade e na experiência adquirida com a primeira e a segunda ondas para atravessar o período atual.

No Hospital Regional do Sertão Central, em Quixeramobim, unidade da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa) gerida pelo Instituto de Saúde e Gestão Hospitalar (ISGH), os profissionais da Farmácia dizem que agora é tempo de colocar em prática o que aprenderam nos dois últimos anos. Uma das áreas do equipamento mais afetadas pelo contexto pandêmico foi a Central de Abastecimento Farmacêutico (CAF). Considerada o coração do hospital, a área é responsável por abastecer a instituição com materiais e medicamentos necessários para a assistência de pacientes.

“Com a pandemia, todas as unidades de saúde ficaram sobrecarregadas com pacientes infectados pela doença, o que faz com que a demanda para procedimentos e produtos seja aumentada de uma forma imprevisível. Além disso, fornecedores terão que produzir ou adquirir insumos com uma velocidade ainda maior, porque o consumo vai crescer. Os hospitais necessitaram, nos últimos anos, de um estoque muito grande, além do normal, que os fornecedores não tinham como atender, porque o estoque deles não era o suficiente para uma demanda tão alta de uma vez só”, explica o farmacêutico Diogo Rodrigues.

Para tentar administrar o cenário imposto pela crise sanitária, a CAF monitorava os itens que poderiam faltar para requisitar, com antecedência, junto aos fornecedores. Neste momento da pandemia, o trabalho não tem sido diferente. “O desafio agora é para que não falte mais ou para que a gente não tenha tanta dificuldade de abastecimento como foram nas duas primeiras ondas, bem como usar da nossa maturidade e experiência adquirida. Porque, na primeira onda, era algo novo. A segunda onda foi algo bem mais intenso, necessitou muito da nossa atenção e nos consumiu muita energia. Já no contexto atual, julgo estarmos mais maduros para poder lidar com esse processo e essa situação”, avalia Rodrigues.

O trabalho do farmacêutico clínico, já muito importante, ganhou ainda mais destaque. “Nós trabalhamos muito com a substituição de medicamentos e insumos para que pudéssemos disponibilizar o tratamento para os nossos pacientes. Então, trabalhou-se muito com a previsão para fazer o abastecimento do hospital”, afirma Rodrigues, um dos responsáveis pela CAF.

Para a responsável pela Supervisão Farmacêutica do HRSC, Rainne Almeida, o momento é totalmente diferente em relação à primeira onda da pandemia. “Sabemos como deve ser feito e como devemos prosseguir, quais são os possíveis perfis de paciente e como deve se direcionar o dimensionamento da Farmácia, em relação a tudo que deve ser montado, como a questão dos carros de urgência. Apesar de estarmos passando por uma situação que não queríamos, nós já temos uma experiência e isso, de certa forma, nos deixa mais tranquilos. Obviamente, precisamos estar atentos diante de novidades que venham a surgir”, diz.

A farmacêutica é responsável por quatro farmácias-satélites do HRSC e pela Central de Dispensação, unidade que abastece as farmácias-satélites e os setores de apoio do hospital, como o Laboratório e o Centro de Imagem. Para ela, o farmacêutico hospitalar é multifunção. “Ele precisa estar ciente do que acontece na Farmácia e no hospital, de como que está esse perfil de atendimento, para que ele possa se planejar e executar as tarefas da melhor forma e garantir que a assistência seja prestada”.

Adequações na rotina

No Hospital Regional do Cariri (HRC), a situação não foi diferente. Os profissionais precisaram atender a todas as solicitações com celeridade, a fim de garantir que os itens necessários não faltassem. Durante a primeira onda, foi necessário fazer adequações de rotinas, aquisições de novos insumos e muitos treinamentos para que fosse possível atravessar aquele momento, totalmente novo.

No HRC, a experiência auxilia no processo de aquisições de materiais e no controle do consumo

“Nós tivemos que estudar bastante sobre tratamentos e protocolos envolvidos na assistência aos pacientes Covid, porque eram diferentes daquilo que a gente costumava utilizar, e não somente em relação à medicação, mas a alguns materiais médicos que não utilizávamos com frequência e que passamos a ter uma demanda muito maior. Nos reinventamos em relação a esse reabastecimento, porque precisava de urgência, não dava para esperar”, pontua Rosângela Teles, gerente de Farmácia do HRC.

O HRC é referência para tratamento de casos graves de Covid-19 desde o início da pandemia para 45 municípios da Região de Saúde Sul. Em 2020, a unidade chegou a ter mais de 110 leitos destinados apenas para tratamento de acometidos pela doença, entre Unidades de Terapia Intensiva (UTI) e enfermarias.

Em quase dois anos, muito se aprendeu a respeito dos sintomas e sobre o que tem eficácia durante a terapia. Com isso, Teles diz que, hoje, farmacêuticos “têm uma consciência maior em relação ao que é realmente necessário para tratar esse paciente da Covid, e temos também um conhecimento maior a respeito do consumo desses itens, sem ter que comprar nada em excesso. Hoje, a gente avalia com bastante critério essas aquisições”.

Assertividade

O Hospital Estadual Leonardo Da Vinci (Helv), em Fortaleza, tem sido uma das unidades de maior destaque no combate à Covid-19. A gerente de Farmácia da unidade, Bruna Martins, analisa que o farmacêutico sai mais experiente a cada onda da pandemia. “Atualmente, as dificuldades que nós temos não são as mesmas da primeira onda. Acabamos sendo mais rápidos até nas nossas tomadas de decisão, sendo mais assertivos, mais racionais, e, com isso, acabamos também tendo uma uma melhora na assistência ao paciente”.

Abertura de farmácias-satélites acompanhou a ampliação de leitos no Helv

Martins destaca que, além da questão do abastecimento de insumos e materiais, o desafio da equipe do Helv foi colocar o farmacêutico acompanhando o processo de dispensação de medicamentos e consolidar as atividades clínicas na assistência. “Conseguimos, em meio a tudo isso, construir uma central de prescrição para fazer com que o farmacêutico conseguisse acompanhar todo o processo de dispensação de medicamentos e, com isso, também efetivar o acompanhamento clínico pela Farmácia Clínica – feito desde a admissão até a alta do paciente”.

Ela lembra, ainda, que a unidade aprimorou a estrutura farmacêutica. “Com a necessidade de adequação da estrutura do hospital para receber um maior número de leitos de UTI, tivemos de adequar também a abertura de farmácias-satélites, justamente pela criticidade dos pacientes. Para toda unidade crítica, é necessário que tenhamos uma farmácia-satélite próxima, para conseguir dar uma melhor assistência dentro da farmacoterapia daquele paciente, provendo de imediato os insumos necessários, já que são pacientes que agravam mais rápido”.