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Um ano para recomeçar: pacientes que foram internados em estágio grave no HSJ contam suas histórias de superação

21 de janeiro de 2022 - 12:30 # # # #

Diego Sombra - Texto
Diego Sombra e Arquivo Pessoal - Fotos

No segundo episódio da série, relatos de pacientes mostram como a assistência humanizada no sistema público de saúde faz a diferença; o fisioterapeuta Jorge Douglas, por exemplo, foi internado em estado grave no Hospital São José e passou o Natal e a virada do ano na unidade, mas já se encontra recuperado

“Tinha tudo para que eu morresse”. É assim que o fisioterapeuta Jorge Douglas Nogueira, 45, resume o período em que ficou internado em estado grave no Hospital São José (HSJ), unidade da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa). O paciente deu entrada na instituição no dia 6 de dezembro de 2021 após ser transferido de uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) com suspeita de meningite.

Nogueira revela que, antes de procurar assistência na atenção primária, passou cerca de uma semana se sentindo mal e com fortes dores de cabeça. “No sábado, eu acordei muito ‘quebrado’ do pescoço pra baixo e pensei que estava tendo chikungunya. Eu tomei alguns remédios, mas teve uma hora que a medicação não fez mais efeito”, lembra. Além disso, o paciente diz que apresentou tremores e, posteriormente, um quadro de confusão mental.

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“Como a suspeita era de meningite, o médico decidiu me encaminhar para o São José, mas eu não lembro de absolutamente nada”, relata o fisioterapeuta. Devido à baixa circulação de oxigênio no sangue, Nogueira precisou ser intubado e encaminhado para um leito de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) no HSJ, onde passou a ser acompanhado pela infectologista Kelma Maia.


Jorge Nogueira durante atendimento a uma paciente antes de ser internado no HSJ

“Ele chegou à emergência bastante agitado, desorientado e com falta de ar. Na UTI, nós precisamos utilizar a estratégia da pronação [técnica que consiste em colocar o paciente de bruços] para tentar melhorar a parte ventilatória do pulmão”, explica a médica. Maia acrescenta que a assistência prestada teve como base o quadro de infecção respiratória e de meningoencefalite, processo de inflamação que atinge o cérebro e as membranas que o envolvem.

Recuperação

Para facilitar a chegada de ar até os pulmões do paciente, a equipe optou pela traqueostomia, procedimento cirúrgico realizado na região do pescoço. A evolução de Nogueira aconteceu aos poucos e, no dia 21 de dezembro, ele despertou. “Eu queria saber onde eu estava, pois eu não consegui identificar que ali era uma UTI. A doutora Kelma foi até minha direção e começou a me explicar o que havia acontecido, mas eu não conseguia falar porque eu ainda estava com o traqueóstomo, que depois foi retirado”.

O fisioterapeuta passou, ao todo, 26 dias internado no São José. A tão esperada alta hospitalar aconteceu em 1º de janeiro de 2022. “Ele evoluiu mais rápido do que eu imaginava e nós ficamos muito felizes”, pontua Kelma Maia. Agora em casa e ainda se recuperando, Jorge agradece pelo atendimento que recebeu na unidade de saúde. “No Hospital São José, eu posso dizer que fui tratado com muita humanidade. Os profissionais marcaram profundamente a minha vida. Foram verdadeiros anjos enviados por Deus que têm dedicação e amor pelos pacientes, desde a pessoa que limpa o chão até a médica plantonista”, afirma o paciente.

“Nova chance de viver”

Pelo menos três vezes por semana, Flávio Pinto de Azevedo, 35, recebe a visita do Programa de Assistência Domiciliar (PAD) do HSJ. Destinado a pessoas diagnosticadas com Covid-19 ou outras doenças infectocontagiosas, o serviço tem sido fundamental para reverter as sequelas motoras e respiratórias decorrentes do longo período de internação do paciente na unidade. “Ele estava totalmente acamado e sem movimentos voluntários satisfatórios. Nós precisamos fazer exercícios no corpo inteiro e na face”, detalha Lea Queiroz, fisioterapeuta e coordenadora do PAD.


Flávio Pinto é acompanhado pela equipe do PAD pelo menos três vezes por semana

Flávio deu entrada no equipamento no dia 18 de outubro de 2021 e permaneceu internado na instituição por um mês, período no qual chegou a ser intubado e traqueostomizado. O paciente pôde retornar para casa e, ao lado da família, iniciou o processo de reabilitação. “Graças a Deus, estou aqui hoje, em 2022, tendo uma nova chance de viver. O atendimento do PAD foi a melhor coisa do mundo”, elogia o metalúrgico.

Moradora de Mossoró, no Rio Grande do Norte, Luciana Azevedo decidiu passar um tempo em Fortaleza para cuidar do irmão e colocar em prática as orientações dadas pela equipe do PAD, composta por enfermeiro, fisioterapeuta, médico, nutricionista, técnico em Enfermagem, motorista e apoio administrativo. “Quando a gente via a situação dele no hospital, batia um desânimo, mas, depois que ele saiu, nossas esperanças foram renovadas e a gente foi vendo as melhorias diárias. É uma sensação de vitória”, define.


Flávio Pinto ao lado da irmã Luciana (à esquerda) e da mãe, Tereza de Azevedo (à direita)

Lea Queiroz ressalta que, no caso do Flávio, a família desempenhou um papel preponderante para a evolução rápida e significativa. “O Flávio teve um acompanhamento muito forte da família e todos os exercícios que a gente ensinava, eles faziam. A recuperação dele foi, de fato, surpreendente e a família chegou junto de uma forma muito linda. Se tudo correr bem, ele já recebe alta do PAD no fim do mês”, prevê a fisioterapeuta.