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Janeiro Verde: especialista explica como prevenção e exames de rotina podem evitar câncer de colo de útero

24 de janeiro de 2022 - 15:08 # # # # # # #

Diana Vasconcelos - Ascom HMJMA - Texto e foto

O ginecologista e obstetra Lucas Nogueira, que atua no Hospital e Maternidade José Martiniano de Alencar, detalha sobre sinais de alerta e ações preventivas

O Papilomavírus Humano, ou HPV, é um vírus de fácil transmissão que pode causar câncer do colo do útero. A doença é a quarta causa de morte na população feminina por câncer no Brasil, segundo dados do Ministério da Saúde (MS). “É um tipo de câncer que ainda mata muitas mulheres, mas que é possível prevenir. Por isso, a importância dos exames anuais de prevenção e da vacina”, afirma o ginecologista e obstetra Lucas Nogueira, que atua no Hospital e Maternidade José Martiniano de Alencar (HMJMA), unidade da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa).

Encerrando o Janeiro Verde, campanha de prevenção ao câncer do colo de útero, o especialista destaca os riscos de contaminação por HPV. “São mais de 150 tipos (de HPV). Sendo que pelo menos 40 afetam a região genital do homem e da mulher. Quase 80% das pessoas têm HPV. Além disso, a infectividade é muito alta: a cada dez relações desprotegidas (sem uso de preservativo), quase 100% das pessoas pegam HPV”, detalha Nogueira.

Ainda de acordo com o especialista, a paciente pode gerar lesões precursoras, as quais podem ser detectadas durante as consultas anuais de prevenção e diagnosticadas por meio do exame Papanicolau. “Identificadas, elas podem ser tratadas precocemente, antes que virem uma doença mais agressiva: um câncer no colo do útero. Por isso, a prevenção anual é tão importante”, orienta.

A dona de casa Fátima (nome fictício) descobriu lesões em 2019 durante a prevenção. “Eu sempre faço (a prevenção anual) e, graças a isso, pude descobrir cedo”, conta. Ela fez todo o tratamento médico indicado e está recuperada. “Foi um susto. Agora, mais do que nunca, não deixo de me cuidar. Mesmo durante a pandemia, assim que o atendimento normalizou, eu procurei minha médica”, ressalta.

Sinais de alerta

O médico especialista explica que, por motivos diversos, algumas mulheres atrasam ou até mesmo não comparecem às consultas de prevenção. Nestes casos, é necessário ficar atento a sinais de alerta, como sangramento durante relações, odor estranho ou tratamentos que não deram resposta à medicação. “É preciso ter acompanhamento médico para avaliação”, recomenda.

Formas de prevenção

Outras medidas que podem prevenir a infecção por HPV é a vacina. Segura, ela é distribuída gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (Sus) para meninas de 9 a 14 anos e para meninos entre 11 e 14 anos. Mulheres na faixa etária entre 9 e 26 anos que tenham imunodepressão também podem ser vacinadas gratuitamente. Para as demais idades, a vacinação só é possível por meio de instituições particulares, de forma paga.

O uso do preservativo (camisinha) masculino ou feminino nas relações sexuais é outra importante forma de prevenção do HPV. Contudo, seu uso, apesar de prevenir a maioria das infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), não impede totalmente a contaminação pelo HPV, pois, frequentemente, as lesões estão presentes em áreas não protegidas pela camisinha (vulva, região pubiana, perineal ou bolsa escrotal). A camisinha feminina, que cobre também a vulva, evita mais eficazmente o contágio se utilizada desde o início da relação sexual.