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Como a alimentação pode contribuir para a saúde mental; Nutricionista da CCC explica

2 de março de 2022 - 12:53 # # # # # # # #

Márcia Catunda - Ascom CCC - Texto e Fotos

“Alimentos industrializados podem agravar quadros de ansiedade e depressão”, afirma a nutricionista Keilane Lima

Tão importante quanto a saúde física, a saúde mental se tornou um assunto muito discutido, especialmente após os impactos que a pandemia de covid-19 impôs. Este cenário de incertezas e isolamento social colocou o Brasil como o país com o mais alto nível de ansiedade (63%) e depressão (59%) do mundo, conforme estudo feito pela Universidade de São Paulo (USP). Entre os 11 países que tiveram dados coletados, o Brasil fica à frente de lugares como Irlanda, que registrou 61% de pessoas com ansiedade e 57% com depressão; e Estados Unidos, com 60% e 55%, respectivamente.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), são quase 19 milhões de brasileiros diagnosticados com ansiedade. Atualmente, a OMS não separa mais a saúde mental da física, pois o estresse e a ansiedade influenciam em diversas áreas do bem-estar humano, inclusive o humor e o apetite.

Algumas pessoas procuram no alimento não apenas saciedade, mas sensações como “alívio” para o que estão sentindo, enquanto outras param de comer. Ambas as situações são prejudiciais. Em muitos casos, algumas estratégias podem contribuir para a regressão dos sintomas que estejam prejudicando a saúde emocional, como técnicas de respiração, terapias complementares, atividade física e uma dieta saudável e adequada.

“Alimentos como frituras, ricas em gorduras saturadas e trans; laticínios; doces e sobremesas com alto teor de açúcar refinado; e produtos industrializados cheios de conservantes como o ácido benzoico, quando consumidos em excesso, podem gerar um processo inflamatório, promovendo danos ao cérebro e favorecendo o surgimento de doenças como ansiedade e depressão, que estão diretamente ligadas à inflamação no cérebro”, explica Keilane Lima, nutricionista da Casa de Cuidados do Ceará, equipamento da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), gerido pelo Instituto de Saúde e Gestão Hospitalar (ISGH).

“Tais alimentos também contribuem para o desequilíbrio no funcionamento do intestino. Há diversos estudos que evidenciam uma forte influência da microbiota intestinal no comportamento emocional e nos processos neurológicos”, afirma a profissional.

Alimentação equilibrada

Ainda de acordo com Keilane Lima, o fato de os alimentos com baixa qualidade nutricional serem claramente prejudiciais ao organismo, não significa que devam ser excluídos totalmente da dieta. “Eles podem ser consumidos com baixa frequência, a cada 15 dias ou até uma vez por semana. O importante é manter uma alimentação equilibrada”, justifica.

Nutrição da CCC realiza ações que objetivam conscientizar sobre a importância de uma alimentação saudável

Sobre os aliados da vida saudável, inclusive da saúde mental, a nutricionista dá outras dicas. “É importante ter uma dieta balanceada composta por frutas e vegetais variados, grãos, fontes de proteína magra, peixes e oleaginosas, garantindo, assim, os nutrientes necessários para a saúde cerebral. As vitaminas A, C e E, por exemplo, têm ação antioxidante, que impede o efeito dos radicais livres e retarda o envelhecimento das células. Já o ômega 3, presente nos peixes e frutos do mar, atua na formação de novas células cerebrais. E as vitaminas D, B6 e B12 têm participação importante no desenvolvimento de neurotransmissores responsáveis pela regulação do sistema nervoso”, pontua Lima, ressaltando que, além de promover a saúde cerebral, uma alimentação balanceada também contribui para o fortalecimento do sistema imune.

Projetos voltados à alimentação

Atenta à saúde mental de seus pacientes, a Casa de Cuidados do Ceará (CCC) promove o Projeto Sensações. A iniciativa busca reativar boas lembranças por meio da alimentação dos pacientes sob cuidados paliativos e em processo de reabilitação fonoaudiológica que estão se alimentando de forma oral ou por dieta mista (sonda + via oral).
“O cardápio oferecido foi elaborado de acordo com as respostas captadas em pesquisa e sob supervisão e autorização da equipe de saúde responsável pelos internados”, explica Karinne Andrade, fonoaudióloga da CCC.

Para a nutricionista Keilane Lima, o hábito de se alimentar vai muito além da contagem de calorias. “Envolve a questão afetiva e emocional, como aquela comida que remete à infância ou a alguma lembrança especial”, acrescenta.

A Nutrição do equipamento realiza ações em datas comemorativas que visam conscientizar sobre a importância de uma alimentação saudável, como o Dia Mundial da Alimentação, Dia de Combate a Diabetes, entre outras.